Hoje: Bolívia

Nesta semana, a convite do Jornal O Município, quem conta sobre sua experiência nesse país vizinho é Igor Chehouan Fischer.

Confira!

Viajei com dois amigos para a Bolívia, do final de fevereiro ao início de março, em uma viagem de pouco mais de 10 dias. O vizinho brasileiro tem paisagens das mais diversas, desde vegetação amazônica, passando por regiões desérticas e pelos incríveis altiplanos andinos, com uma cultura única e diversa, que remonta ao império inca, do qual a região fazia parte antes da colonização. Tendo a maior população indígena da América do Sul, a celebração a Pachamama (Mãe Terra) está sempre presente. A Bolívia conta com mais de 30 línguas oficiais, não sendo difícil ouvir, além do espanhol, pessoas falando em quíchua ou aimará.

O trajeto foi realizado todo de ônibus – extremamente baratos, se comparados ao Brasil – a partir da fronteira, em Cáceres, Mato Grosso. De lá partimos para Santa Cruz de la Sierra, cidade em que é possível pegar ônibus para as principais cidades bolivianas. A partir dali, iniciou-se o trajeto de subida pelo altiplano andino, e o primeiro contato com o Soroche, sensação muitas vezes de tontura e enjôo, causados pela altitude, mas que podem ser amenizados pelo mascar da folha e pelo chá de coca, além de comprimidos chamados “Soroche Pills”.

A primeira parada oficial foi na cidade de Oruro, na qual a hospitalidade dos amigos que nos receberam e o contato com a cultura local foram marcantes. Ocorre anualmente, nesta que é chamada a capital folclórica boliviana, o tradicional Carnaval de Oruro, considerado Patrimônio Oral e Imaterial da Humanidade pela UNESCO. A cerimônia, de vários dias, mescla elementos religiosos e culturais nativos e cristãos, com destaque à Virgen del Socavón, protetora dos mineiros, representada em uma estátua gigante, no alto da cidade.

A próxima parada foi a capital federal, La Paz, a 3660 metros de altitude. Além dos palácios de governo, é possível realizar o trajeto de teleférico até a cidade vizinha de El Alto, a mais de 4000 metros e com uma vista incrível. O Mercado de las Brujas também é imperdível. Localizado no centro da cidade, é uma feirinha de artesanatos, roupas e artefatos de superstições e cultura nativos, como amuletos e fetos de lhama empalhados. Em La Paz fizemos um passeio ao Monte Chacaltaya, a aproximadamente 5300 metros de altitude. estreita já se sente o ar ficando mais rarefeito e a temperatura caindo, e tivemos a oportunidade de presenciar o monte nevado. Na subida O mesmo passeio nos levou ao Valle de la Luna, sítio arqueológico com um visual incrível.

A viagem seguiu para Isla del Sol, uma ilha localizada no Lago Titicaca, e que é considerada berço da civilização Inca; o acesso é feito por barco, em uma inesquecível experiência pelo lago navegável mais alto do mundo, a 3800 metros. Cruzamos a ilha de Sul a Norte, pelo caminho Inca que a atravessa, visitando ruínas e presenciando a vida dos locais, principalmente com a criação de ovelhas e lhamas.

A última parada planejada foi Uyuni, de onde partimos para um passeio de 3 dias para o Salar de Uyuni e para outras diversas atrações naturais. O passeio passa por um cemitério de trens, por um hotel de sal no meio do deserto, pela Reserva Nacional Eduardo Avaroa, diversas lagoas coloridas, vulcões, gêiseres, uma piscina natural a 40ºC e pelo indescritível Salar de Uyuni. Este é a maior planície de sal do mundo e, por conta do reflexo, parece ter um horizonte infinito.

A volta de ônibus para o Brasil foi mais cansativa e demorada que o esperado, e acabamos passando uma tarde em Sucre, a capital constitucional da Bolívia, e em Santa Cruz de la Sierra, cidade com muitos brasileiros, principalmente estudantes. O país é incrível, com alimentação, transporte e hospedagens muito baratos, principalmente se comparados ao Brasil, mas com passeios que muitas vezes requerem paciência e disposição. A experiência de conhecer e conviver com uma cultura tão diferente – apesar de tão próxima –, desde a alimentação até a crença e costumes, e de conhecer pessoas e lugares incríveis foi muito marcante.

Esse é um país que pretendo, sem dúvidas, visitar novamente!

 

 

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