15 de outubro: A professora Luciana fala sobre os desafios da vocação

“Não escolhi a profissão, fui escolhida, nasci para ser mediadora. Acredito que cada pessoa constrói o seu conhecimento”, conta Luciana Vieira Santos, 47 anos, enquanto entre uma atividade e outra vai sendo entrevistada. Nascida na cidade de Nova Europa, ela adotou a cidade de Socorro para viver e fazer aquilo que mais lhe encanta: lecionar. Com 22 anos de magistério, a maior parte em nossa Rede Municipal, Luciana contagia qualquer pessoa que acredite no jovem e nos faz acreditar no papel transformador da educação. Nossa redação teve a oportunidade de acompanhar de perto o trabalho por ela desenvolvido com uma turma do 5º ano da EM Profa  Benedicta Geralda de Souza (confira matéria nessa edição) e de conversar tanto sobre desafios como sobre aquilo que faz desta profissão – que tem sido tão desvalorizada – uma escolha singular e gratificante. Leia a entrevista a seguir:

Você é professora há 22 anos e nos falou que nasceu para ser mediadora. Explique melhor o que quer dizer com isso, você quer dizer que acredita na vocação?
Quando digo que fui escolhida, quero dizer que nasci com o dom… Acredito em vocação e sei que, às vezes, demoramos um pouco para descobrirmos a nossa… No início, pensei em ser psicóloga, mas as condições financeiras de minha família não me permitiram seguir esse caminho… Então, pensei: vou fazer magistério, lecionar e com uma renda melhor pagarei minha faculdade de psicologia. Não deu certo esse pensamento… me apaixonei pela sala de aula… Já durante o magistério, quando eu entrava na sala de aula para fazer estágio, pensava: é isso que eu quero para mim…

Você usou o termo “mediadora”, qual seria o conceito por trás dele? Qual a diferença entre mediar e professar dentro do contexto pedagógico?
Professar é simplesmente conhecer o conteúdo, mas nem sempre saber o que fazer com aquilo… Transmiti-lo, como foi feito por muito tempo nas escolas… Mediar é conscientizar, é levar o aluno ao autoconhecimento e a autoavaliação. É saber contextualizar os conteúdos estudados, levando-o a refletir sobre a sociedade, sobre o mundo em que vive… Acredito na escola construtivista, no preparar para a vida. É importante o aluno aprender o sentido do que aprende.  O professor mediador respeita o ritmo e atende as necessidades de cada aluno, proporciona um ambiente democrático e gerador de trocas e experiências…

Os alunos contam que você faz assembleias e os consulta sobre as diversas decisões do planejamento. Podemos dizer que você trabalha para desenvolver a autonomia e o protagonismo juvenil?
Sim, acredito no desenvolvimento de aulas nas quais a opinião e os sentimentos dos alunos são considerados. Incentivo a leitura e a escrita, crio situações para que o aluno saia da zona de conforto, que desenvolva o raciocínio, seja responsável pelos seus atos e se coloque no lugar do outro. Isto também já faz parte do currículo, eu estudei sobre o papel das assembleias de classe por muito tempo, montei meu projeto e sigo em frente.

Existe um consenso de que os professores enfrentam diversos desafios no cotidiano da profissão… Você pode dizer algo sobre isso?
Penso que o maior desafio é lidar com diferentes perfis de alunos, em especial quando o número de alunos é grande… Temos alunos desinteressados, impacientes, descompromissados, que não conseguem lidar com as frustrações e que carregam problemas familiares… Além das diferenças no que se refere aos modos de aprendizagem que, como já sabemos, são específicos para cada um. Para vencer esse desafio com maior tranquilidade, deveríamos ter uma equipe multidisciplinar dentro das escolas…

Com tantos desafios que se apresentam para o professor nos dias de hoje, o que a faz continuar na profissão?
O que me faz continuar sendo apaixonada pela educação é que eu acredito em um mundo melhor, acredito no jovem. Hoje, a juventude não está mais sendo educada para ser passiva, eles questionam as injustiças sociais. Sou sonhadora e acredito nos meus sonhos, acredito que deixo uma “sementinha” em cada aluno. E assim vamos transformando o mundo para melhor…

Você teria algo a dizer para um jovem que pense em ser professor?
Ser professor é desafiador e encantador. Não se desanime nem trilhe outro rumo por influência de outras pessoas. Estude bastante e terá sempre a certeza de estar contribuindo para um mundo melhor.

Há algo mais que deseje comentar?
Sim, sonho com uma sociedade que respeite e valorize o professor. O professor, em especial o do ensino básico, é quem tem contato direto com a criança e o jovem… O professor precisa estar bem para poder cuidar do maior bem de um país, o aluno que representa tanto o presente quanto o futuro do país…

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