“Com o xadrez, incentivei vários campeões. Não digo vencedores nos tabuleiros, mas alunos que conseguiram, através do xadrez, enxergar a vida de uma maneira diferente”, diz Jair Bueno

O xadrez é esporte, arte e ciência. Uma criação milenar que transcende barreiras, incentiva o raciocínio lógico e a linguagem. Na modernidade une dois jogadores que podem estar em lugares diferentes do globo e movimenta a indústria do entretenimento, do esporte e da cultura. Tamanha a proporção do xadrez fez com que Jair Bueno se interessasse pela prática ainda criança e seguisse carreira como professor de matemática e pesquisador do assunto. Acompanhe:

Do tabuleiro para a vida

“O xadrez transcende, vai além do esporte de competição: é hobby, é passatempo, arte e desenvolve o cognitivo, é prática terapêutica”, diz, ressaltando que no Brasil, um país de tamanho continental, ainda faltam pesquisadores e a população não tem ou desconhece a dimensão do xadrez. Pesquisador e mestre pela Unicamp, ele leva para a sala de aula as inúmeras possibilidades do jogo: que não se constitui só em fórmulas, mas estimula cada pessoa a desenvolver sua própria maneira de jogar.

Na tentativa de popularizar o xadrez como prática pedagógica, Jair cita nomes importantes como Leoncio Garcia – um dos maiores, além de ensinar que o jogo de Damas – que iniciou antes do xadrez – também merece destaque. Para ele: “A damas é a mãe do xadrez e deve ser respeitada”.

O papel que Jair representa no xadrez não fica só em sala de aula: o reconhecimento do seu trabalho o levou a diversos congressos e simpósios pela América Latina, dentre eles: palestra com alunos da OBMEP (Olímpiadas Brasileira de Matemática das Escolas Públicas), em Florianópolis/SC; palestras com professores Unicamp (às quais á grato por voltar à instituição de ensino em que foi aluno); em Socorro, fez pesquisa com os alunos da E.E Benedicta Geralda; duas vezes em Lima, uma em Bogotá e agora, no próximo dia 5 de novembro, Jair participará do Seminário online Ajedrez y matemática, com a palestra “Jaque a las operaciones matemáticas”, na Universidade de Guantámano, em Cuba.

Ao mestre, com carinho

Em vários pontos da entrevista, Jair cita e agradece ao Alcides “Tide” Sartori. Na infância, Jair o observava jogar no armazém próximo da sua casa, sendo o impulso que mais tarde o levou a disputar campeonatos regionais representando Socorro. A licenciatura em Matemática, o mestrado na Unicamp e o futuro doutorado reforçam que Tide representa muito a formação inicial de Jair. Ele também diz que sua curiosidade foi essencial para aprender e se interessar por jogos de tabuleiro.

“Com o xadrez, incentivei vários campeões. Não digo vencedores nos tabuleiros, mas alunos que conseguiram, através do xadrez, enxergar a vida de uma maneira diferente”, ressalta o professor. “O xadrez me permite isso: ensinar aquilo em que acredito”, finaliza.

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