A prática da leitura deve começar em casa e continuar na escola, ressalta a educadora

Para falar sobre a importância dos livros na vida presente e futura das crianças, pois é lendo que se aprende a escrever e falar corretamente, procuramos Maria Aparecida Tasca de Oliveira Santos, educadora formada em Educação Artística, Desenho e Pedagogia, e autora de três livros. Leia, abaixo, o que ela nos fala sobre isso.

 cidinha tasca XXOM- Por que você resolveu escrever para as crianças?

Trabalhando na educação com crianças, adolescentes e jovens, fui percebendo que poderia ajudar mais meus alunos, inovando nas aulas técnicas de relaxamento, ferramenta importante e eficaz para a aprendizagem, pois ela traz concentração, atenção, tranquilidade, harmonia e muitos outros benefícios. Com o retorno que fui obtendo dessa prática, nasceu meu primeiro livro.

Escrever para as crianças foi de grande importância, porque é na infância que se prepara a base para a vida adulta. Contando, escrevendo histórias, pode-se dar o processo de ensino-aprendizagem, aprender a ser, fazer e conviver, construindo, assim, sua personalidade.

A criança possui um modo diferente do adulto, de perceber o mundo. Ela é emocional e globalizante, vive no mundo da fantasia e da imaginação. Com esse conhecimento, procurei entrar nesse universo infantil, escrevendo “Sentir os Sentidos” (Editora Loyola), resultado da prática e das vivências em sala de aula, com meus alunos. Todos os exercícios foram elaborados de acordo com a faixa etária das crianças e com as necessidades pedagógicas do momento, com o objetivo de conduzi-las a vivenciar valores e comportamentos para uma boa formação, e tornarem-se boas pessoas para o mundo em que vivem.

Vieram outros livros – “Luz e Paz”, técnicas de relaxamento (Editora Santuário) e, recentemente, o livro infantil “Uma Cidade Especial”, despertando virtudes (Editora Loyola).

É sabido que o livro tem grande importância na vida das crianças e na vida de todos nós, pois ele desenvolve capacidades importantes para o desenvolvimento geral de comunicação, favorecendo também o desenvolvimento cognitivo, emocional e a integração social. Amplia o vocabulário e, por meio dele, as crianças se motivam a descobrir significados de novas palavras, que se incorporam em seu repertório.

Certamente, temos a lembrança de uma história que marcou a nossa infância, pois nela as crianças se identificam com as personagens e lidam melhor com seu interior, trazendo para si contentamento, esperança, felicidade e paz.

cidinha tasca 1 xxOM- Como os pais podem estimular a leitura nas crianças?

Ela pode ser estimulada desde muito cedo, já bebê, pela mãe, que é o fator decisivo na vida da criança. Contando, lendo histórias, ela fornece elementos sonoros e também afetivos: a entonação da voz, contato de olho e contato corporal, o afeto. Essa relação da mãe com o bebê proporciona tranquilidade e segurança. Deve-se dar continuidade, durante todo o desenvolvimento infantil, respeitando os interesses da criança. É importante que os pais proporcionem aos filhos uma oferta variada de livros, para que percebam as diferenças entre estilos, letras, ajudando assim trabalhar a criatividade, a atenção, a imaginação, enfim, que também façam escolhas de acordo com suas preferências. Os pais devem estar dispostos a orientá-las, pois são guias e exemplos para a educação da criança, podendo, então, formar um grande leitor.

OM- A partir de que idade os pais podem começar a cobrar a leitura dos filhos?

Se já alfabetizados, poderão ser cobrados; para isso, é importante a presença, a participação e a disposição dos pais no incentivo dessa prática, com regularidade.

Motivá-los! É importante levá-los a compreender como é feito o livro, que existe um autor, o ilustrador, o título da obra, que é elaborado por uma editora, despertando-lhes o interesse, a curiosidade e, assim, estimulá-los à leitura, fazendo com que eles vivam intensamente essa experiência.

OM – O excesso de exposição de crianças e adolescentes à televisão, videogames e computador pode influenciar a falta de interesse pela leitura?

As crianças e adolescentes não têm maturidade para assimilar tudo o que é oferecido e veem em termos tecnológicos; não estão preparados para lidar com tudo isso, tornando-se acelerados e estressados.

Hoje, têm mais influência da tecnologia do que de seus pais. A internet ganhou importância exagerada no universo infantil, dos adolescentes e jovens, limitando o tempo que eles tinham de brincar e se relacionar com seus amigos reais.

Eles têm amigos virtuais pelo mundo afora, é a “geração de tudo ao mesmo tempo”, que se coloca simultaneamente ao estudo. São apressados e digitais, atropelam estágios de desenvolvimento e não dão espaço para uma aprendizagem eficiente e equilibrada. Enfraquecem a atenção, a memória, tornam-se confusos, perdem a concentração, tornam-se irrequietos. Em consequência de tudo isso, desestimula-se o interesse pela leitura, que necessita de concentração e quietude. Cabe aos pais disciplinar e limitar o uso desses aparelhos, proporcionando uma vida mais equilibrada, digna e feliz, a seus filhos.

OM – Como escolher o tipo certo para não desestimular a criança, deixá-la cansada de ler?

O primeiro passo é criar um ambiente prazeroso, para que se sintam bem, despertando o gosto pela leitura. Poderão ser orientados pelos pais, professores e bibliotecários, quanto à leitura adequada a sua idade e podem, também, fazer escolhas de seu próprio interesse.

Dependendo da faixa etária que a criança se encontra, às histórias não devem ser longas, para não cansá-las.

OM – Como os professores e as escolas podem contribuir para formar jovens leitores?

A prática da leitura deve começar em casa e continuar na escola. Na escola, é importante que haja um espaço de leitura, que pode ser até mesmo um canto da sala de aula. Há necessidade de um preparo anterior, feito pelo professor, para despertar a curiosidade, interesse e a imaginação da criança; outra coisa que deve ser feita é resgatar a hora do conto (o resgate do contador de histórias), que pode ser o professor ou a própria criança.

É necessário estimular visitas à biblioteca, a livrarias, a elaborar seu próprio livro, entrevistar autores, levá-la a um jornal ou gráfica, para que tenha conhecimento do processo gráfico e motivá-los sempre à leitura, pois só assim aprenderão a falar e escrever corretamente.

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