Artesanato com bambu, tradição que convive com a modernidade

Os balaios, os jacás e as peneiras feitos de bambu, curaua, capim ou de folhas de palmeiras são uma tradição antiga de índios bolivianos e brasileiros. Passaram para a cultura popular de vários estados; mas, sobretudo, para a cultura caipira do Estado de São Paulo. Tal arte encontra paralelos em diversas culturas ao redor do planeta, tendo destaque em toda a Ásia; contudo é uma arte que vêm diminuindo a cada geração tanto lá quanto aqui.

Durante o período colonial, os balaios foram utilizados por tropeiros para transportar mercadorias por longas distâncias. Presos a animais de extrema força física, subiam e desciam a serra do mar pelo velho caminho chamado de “calçada do Lorena”.  Presença constante em casas e vendas de todas as cidades, os balaios costumavam ser uma unidade de medida, de modo que uma pessoa poderia dizer: “Comprei um balaio de milho e meio de farinha”. Assim, representavam um elemento essencial para a logística de tempos antigos e de estradas difíceis.

Hoje, os objetos feitos com bambu perderam sua posição para outros materiais, mas ainda agradam muitas pessoas que os utilizam em seu dia a dia.  As peças ganharam também valor ornamental, peneiras podem até serem vistas em paredes de casas reformadas por arquitetos em programas de decoração e muitas pessoas compram esse artesanato para enfeitarem suas casas. Seja pelo uso tradicional, pelo valor cultural ou ornamental, o importante é que há um mercado consumidor para obras tão bonitas.

Embora antes fosse comum haver artesãos trabalhando com bambu em todas as cidades, hoje é cada vez mais raro encontrarmos esse trabalho, principalmente em cidades maiores onde as tradições são deixadas de lado com muita facilidade. Em Socorro, temos alguns bons artesãos e a maioria está concentrada ao final da vila João Conti. Produzem balaios, cestos diversos, esteiras, fruteiras, lixos de banheiro com pezinho e até arandelas. Os trançados e técnica mudam conforme o formato e o uso. Assim, as peneiras recebem apoio de um arame enquanto os balaios são feitos exclusivamente de bambu.

Nas fotos vemos dois artesãos: Daniel e Seu Benedito, ambos muito hábeis e orgulhosos de seu trabalho que é tradicional em suas famílias, ocupando o lugar que já foi de seus pais e seus avós. Lá também trabalham outros artesãos compartilhando o local. São pessoas simples, de sorriso fácil e de fino trato. Tive a honra de ver em ação uma bela tradição e bater um bom papo à beira rio.

Seu Benedito nem lembra há quanto tempo trabalha com balaios. Daniel, com quem falei mais, é um artesão que trabalha desde seus doze anos com o bambu. Disse que, no início, quiz seguir por outros caminhos; pois o bambu machucava muito as mãos, porém descobriu que todas as profissões têm seus sacrifícios e suas dores e, então, resolveu se dedicar ao artesanato, que hoje é um orgulho. Seu gosto por trabalhos manuais o faz ser um artista criativo que diversifica conforme a necessidade de seus clientes.

Por falar em clientes, eu perguntei a eles quem eram as pessoas que mais compravam seus trabalhos. Informaram-me que há muitos compradores de Ouro fino, Monte Sião, Serra Negra, Lindóia, Bragança, Campinas, Jundiaí e outras cidades; há também compradores no município, a maior parte da zona rural.  Os das cidades vizinhas compram para fins comerciais como revenda, cestas de café da manhã e ornamentos. Os da cidade já os utilizam para fins tradicionais como guardar coisas e até de local para a galinha chocar seus ovos.

A tradição não impede o convívio com o moderno. Um exemplo disso é, inclusive, o belo museu de nossa cidade que reúne as duas coisas em uma só. Também no ramo do artesanato é importante se adequar aos tempos de redes sociais e aplicativos de mensagens para divulgar e ampliar seu mercado consumidor. Por isso, Daniel tem um facebook onde gosta de colocar nos stories o seu trabalho sendo realizado. Também envia fotos de seus trabalhos para os interessados que assim podem fazer suas encomendas com facilidade. Quem quiser conhecer esse trabalho do Daniel é só entrar na página https://www.facebook.com/daniel.leme.31392 ou pelo WhatsApp 19 99485-7916. Os outros artesãos podem ser encontrados no fim da Vila João Conti, na praça próxima à ponte.

Seja para comprar, para conhecer ou para bater um bom papo, confira!!!

Prof. Daniel Galligani / Para O Município

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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