Assane Gning, artista senegalês, realiza residência de artista em Socorro, no contexto da BÏNaïf

O grande artista naïf senegalês Assane Gning chegou a Socorro no último sábado, para uma residência de artista, dentro da programação da  BÏNaïf – Bienal Internacional de Arte Naïf Totem Cor-Ação.

A primeira etapa da sua estadia está acontecendo no espaço previsto para esse tipo de intercâmbio da  associação socorrense ITC – Instituto Totem Cultural, cuja presidente é Marinilda B. Boulay uma das coordenadoras da BÏNaïf.

A partir da terceira semana de outubro, a artista brasileira Con Silva virá encontrá-lo, também para uma residência, na perspectiva de criar uma obra em conjunto com ele.

Essa ação deve acontecer no Projeto Cor-Ação, no Ateliê Casa das Artes, gerada por Rosângela Politano, que também é uma das coordenadoras da BÏNaïf.

Assane Gning é um grande embaixador da “negritude”, ou seja, de tudo o que se refere à cultura africana e o retorno às suas raízes, caracterizadas pela diversidade cultural.

Conhecido internacionalmente pela importante postura reivindicatória de suas obras, ele é associado à Unicef, à Cruz Vermelha e à UNESCO, pronunciando-se por mais educação, paz e dignidade para o homem.

Assane Gning expôs em museus e galerias do mundo todo, tendo recebido vários prêmios internacionais e realizado residências de artista em diversos países.

Ele é um dos artistas que têm um ateliê no “Village dês Arts”, concorrido espaço de criação, intercâmbios e exposições, mantido pelo Ministério da Cultura em Dacar, na capital do Senegal.

Esta a primeira vez que ele expõe no Brasil e, paralelamente, descobre o país. Ele nos dá um testemunho exclusivo para o Jornal O Município.

Quais são suas primeiras impressões do Brasil?
O Senegal é o país da “teranga”, o país da hospitalidade; vejo que o Brasil também, pois fui recebido com muito carinho nesta cidade.

Nós temos a sorte de ter tido Léopold Sédar Senghor como o primeiro presidente da república do Senegal, e o primeiro negro africano a ser agregado de gramática na França. Ele tinha muito carisma e, mesmo sendo católico, num país 95% muçulmano, conseguiu ficar 20 anos no poder (entre 1960 e 1980).

Ele era um grande intelectual, poeta e escritor, era amigo de todos os artistas e, especialmente, do poeta e político francês Léon Gontran Damas. Isso colocou a cultura num patamar muito elevado, no nosso país. E é graças em grande parte a essa política de valorização da cultura, que nosso Ministério da Cultura me propiciou a viagem para estar aqui, hoje, realizando essa residência de artista no ITC, dentro da Bienal Internacional de Arte Naïf.

Na BÏNaïf Bienal Internacional de Arte Naïf de Socorro tive a sorte de conhecer as mulheres “NderNder”, como Marinilda e Rosângela (coordenadoras da Bienal). Chamamos assim as mulheres fortes e de coragem, como as guerreiras senegalesas, que se autoimolaram para não serem vendidas como escravas.

Como você entrou em contato com a BÏNaïf?
Entrei em contato com a BÏNaïf pela internet, a qual transformou o mundo numa cidade planetária. Tudo partiu de lá; por meio dela obtive todas as informações sobre a Bienal, sobre suas organizadoras, vi que Marinilda tinha feito a Sorbonne, e isso me deixou seguro. Fui encorajado a me inscrever, também, pelo artista brasileiro Rocha Maia. E como toda Bienal do mundo, a seleção é muito difícil. Mas o grande Desu me deu a sorte de ser selecionado em meio a tantos outros e, ao lado de artistas de diferentes países, como Argentina, Croácia  Polônia, França, Venezuela, Bélgica; e dos brasileiros de todos os cantos do país.

Como você vai desenvolver sua residência de artista no Brasil?
Primeiramente tenho que dizer que tenho essa sorte de realizar aqui uma residência, durante um mês, para trabalhar nesse belo país que eu gosto muito. O importante aqui é a diversidade cultural que o compõe, e aí é que eu vejo as similitudes com a arte na africana. Pretendo criar obras inéditas e trabalhar com as crianças, como já tenho o hábito de trabalhar com elas, no Senegal.

Em 1979 eu criei um ateliê na rodoviária de Colobane, na cidade Dacar, para pintar miniônibus e outras pinturas. Desenvolvo esse projeto ainda hoje. Agora, os meus alunos formados nesse ateliê foram criando outros ateliês, em outras cidades no interior do pais. Esse projeto ajuda as crianças que não tiveram a sorte de ir para uma escola de arte a poder se exprimir, e tornarem-se profissionais da arte.

Ele finaliza com seus agradecimentos ao presidente da república do Senegal Macky Sall, e ao presidente do Brasil, pelas relações culturais que eles têm propiciado entre nossos dois países, e que já vem de grande data, e continua: “Agradeço ao nosso ministro da cultura Abdou Latif Coulibaly e ao diretor das artes, o senhor Coundoul e toda sua equipe, graças a quem eu consegui o bilhete de avião para participar da Bienal; ao senhor Mbaye Dione, prefeito da minha cidade Ngoundiane, na região Thiès e, ainda, ao embaixador do Brasil no Senegal e sua equipe, sobretudo Souleymane Ndiaye e Anne Marie Nunez, a todos os artistas senegaleses residentes no “Village des Arts” de Dacar, do qual Fadel Thiam é o coordenador e, por fim, a todos os artistas senegaleses.

Visite o site: binaif.org.br

Serviço:
BÏNaïf – Bienal Internacional de Arte Naïf Totem Cor-Ação
Data: De 29 setembro ao 4 de novembro
Local: Museu Municipal Dr. João Baptista Gomes Ferraz, de Socorro
Telefone: (19) 3895-8344
Horários: de 3ª a sábado, das 9h às 17 horas (sem interrupção)
Entrada gratuita

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