Bibliotecário não é o chato que pede silêncio e sim quem ajuda a abrir cabeças

Numa época em que se discute o futuro do livro físico e onde as pessoas são bombardeadas diariamente por milhares de informações, é importante destacar o papel do bibliotecário – cujo dia é comemorado em 12 de março – como gerenciador e disseminador do conhecimento. Responsável há nove anos pela Biblioteca Municipal Profª. Esther de Camargo Toledo, em cujas prateleiras se encontram mais de 15 mil livros à disposição dos socorrenses, a bibliotecária Maria do Socorro Henrique Barbosa falou ao O Município sobre os desafios de uma profissão que precisa se adaptar aos novos tempos e tecnologias, sem perder sua principal característica: motivar a leitura e fomentar o pensamento crítico.

Por que você decidiu cursar Biblioteconomia?
Optei por fazer biblioteconomia pela possibilidade de atuar em muitas áreas, pois, ao contrário do que se imagina, bibliotecário não trabalha apenas em bibliotecas públicas. Além de organização, o profissional também atua na pesquisa, centros de documentação, e nos meios de aproximar sempre o público da informação, do conhecimento e da leitura.
Meu primeiro trabalho como bibliotecária, por exemplo, foi em uma empresa do ramo de autopeças. Eles tinham cursos de alfabetização, qualidade e segurança do trabalho para os funcionários e a biblioteca funcionava como um apoio aos estudos e lazer.

Você acha que as novas tecnologias vão tornar os bibliotecários obsoletos?
A tecnologia veio facilitar muito o nosso trabalho, com bancos de dados específicos para bibliotecas, onde o cadastro de livros e a pesquisa de determinado assunto é mais rápida; em algumas bibliotecas, por exemplo, o leitor pode reservar, renovar seu livro pelo site.
Acredito que ainda há um grande espaço para o bibliotecário, pois as informações precisam ser organizadas, e além disso ele pode colaborar muito, especialmente em bibliotecas públicas, sendo um mediador da leitura, para atrair novos leitores, com projetos diferenciados para o público.
Quais as dificuldades em ser uma bibliotecária?
A maior dificuldade é mostrar para as pessoas que o bibliotecário não é aquela pessoa chata que fica pedindo silêncio; mas sim alguém que pode ajudar numa pesquisa, na escolha de um livro, na organização de documentos e informação. E que as bibliotecas são espaços não só de lazer, mas de aprendizado, de cultura, de convivência para a comunidade.

Qual o tamanho do acervo da biblioteca de Socorro?
A biblioteca de Socorro possui um acervo de 15 mil livros de vários temas, a maior parte são romances, mas temos religião, administração, filosofia, biografia, história entre outros. Para atrair o público de todas as idades recebemos vários projetos como Viagem literária, Exposições, Oficinas de Literatura e Fotografia, promovemos Concursos de Literatura e Fotografia. Temos também voluntários do Clube da Leitura que desenvolvem atividades para crianças e estamos atualmente com projeto Instante 58 – do ITC (Instituto Totem Cultural) organizado pela Marinilda Boulay e que focado no audiovisual e novas tecnologias. Com isso, o número de recebemos uma média de 375 pessoas por mês.

Como funciona o empréstimo de livros da biblioteca?
Os interessados podem fazer seu cadastro: pedimos para trazer uma foto, cópia do RG, comprovante de residência. Quem se cadastra pode emprestar três livros por um prazo de 15 dias.

Algo mais?
Agradeço a oportunidade proporcionada pelo jornal O Município que, aliás, sempre divulga e apoia os nossos projetos. Meu obrigada ainda a Maria Aparecida de Oliveira, Iolanda Aparecida Poli e Ana Beatriz Rodrigues que fazem parte da nossa equipe, ao secretário da Cultura Tiago Faria e Fernando Murilo Silva e a todos que colaboram, incentivam e apoiam a Biblioteca. Aproveito para convidar a todos para uma visita. A biblioteca está instalada no Palácio das Águias, (Rua Dr. Campos Salles, 177, no Centro. O telefone é (19) 38954252.

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