Casal socorrense conta rotina de trabalho com refugiados na Itália: “Nos sentimos privilegiados em fazer parte de uma ação social tão grande como essa”

O casal socorrense Carlos César do Carmo e Camila Pereira Tafner estão na Europa desde fevereiro de 2020 e, depois de passarem quatro meses na Itália por conta da pandemia, encontraram no país uma nova oportunidade: trabalhar com refugiados.

Camila tem 24 anos, é pedagoga e Carlos César, tem 26 anos e é engenheiro mecânico. Em entrevista, eles nos contam sobre a rotina e os desafios que tiveram na fase de adaptação.

“A princípio, resolvemos mudar para Portugal, em fevereiro de 2020. Ficamos lá por quinze dias e resolvemos conhecer a Itália, pois estávamos bem perto. A pandemia chegou e ficamos presos no país por quatro meses, já que os voos de volta a Portugal foram cancelados e estava impossível voltar para o Brasil. Mas acreditamos que tudo tem um porque nessa vida e, então, enfrentamos esses dias difíceis”, relatam eles.

Na Itália, fizeram várias amizades com brasileiros e conheceram um italiano que era presidente de um centro de refugiados. Após algum tempo já de amizade, este italiano estava mudando de casa; foi quando Carlos e Camila se dispuseram a ajudá-lo. “Acreditamos que por esse ato de ajuda, ele se interessou pelo nosso trabalho e disposição, e nos encaixou como voluntários em um novo centro de acolhimento, em troca de nossas despesas. Confessamos que ficamos um pouco apreensivos no início, por não ter muita afinidade com o idioma. Porém, nos esforçamos ao máximo para aprender”, contam.

Logo começaram a chegar os primeiros refugiados que iriam morar com eles. ‘Foi fácil perceber tamanho sofrimento que eles passavam em seus países. E não foi difícil conquistar a confiança e a amizade deles, visto que nossa rotina é acompanhar seus estados de saúde, servir todas as refeições diárias, itens básicos de higiene e colher suas necessidades específicas e encaminhar para o nosso chefe. Desde o princípio fomos muito bem recebidos, tanto pela equipe que trabalha conosco, quanto pelos refugiados! Nos sentimos muito privilegiados em fazer parte de uma ação social tão grande como essa. É um privilégio para nós conhecermos culturas diferentes e é muito bom estar presente na vida dessas pessoas nem que seja com tão pouco”, agradecem eles.

Para o casal socorrense, o maior desafio foi o idioma, visando que, como é um centro onde há várias nacionalidades, não são todos que falam o inglês, nem ao menos o italiano. Todos os dias aprendem algo novo, melhoram o idioma e o mais importante é que podem enxergar com outros olhos as necessidades de cada um.

“Esse ano de 2020 não só para nós; mas para o mundo todo, foi um ano bem atípico, de muito medo e insegurança. Mas podemos dizer que, com muita fé em Deus e oração fomos abençoados e conseguimos vencer esse ano de tantas mudanças. Só temos a agradecer a Deus, a nossa família e aos amigos que fizemos na Itália, sem eles não teríamos conseguido superar todos os obstáculos que surgiram no decorrer desse ano”, encerram eles.

 

 

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