Cia Ciranda Mágica enfatiza a importância do ProAC para a Cultura em Socorro

Continuando nossa série de matérias sobre os projetos contemplados com o ProAC Municípios em 2019, entrevistamos a dramaturga Giuliana Macedo, da Cia Teatral Ciranda Mágica. Em 2019, ela e o ator Felipe de Souza Moreira, da mesma Cia, foram contemplados com prêmios do Governo Estadual, trazidos para Socorro pela Secretaria de Cultura com o apoio do COMUPC. Giuliana relata que os dois projetos – para a montagem de peças teatrais – foram concluídos com êxito, totalizando 6 apresentações teatrais no Centro Cultural e o convite para participarem do “Festival de Cenas Longas de Águas de Lindoia”, no qual as duas peças foram contempladas com prêmios. Além disso, como contrapartida para o ProAC Municípios, Giuliana, representando a Cia, realizou oficinas de teatro gratuitamente ao público. No Projeto ALADIM E A LÂMPADA MARAVILHOSA ela trabalhou com crianças. Já com o Projeto A MALDIÇÃO DE MEDEIA foi dada a Oficina “O EXPRESSIONISMO NO TEATRO” para adultos.

Apesar de encarados com a mesma seriedade pelos membros da Cia, os projetos tiveram enfoques bastante distintos, conforme explicou a dramaturga que foi a responsável pela direção de ambas as peças.  Focando no público infantil, Felipe foi o proponente para a montagem da adaptação teatral do conto “Aladim e a Lâmpada Mágica”, já Giuliana entrou com um projeto para a reescrita do clássico grego “Medeia”, de Eurípedes. “A maldição de Medeia” foi além da simples adaptação, criando um novo ato para a peça, de modo a trazer o espectador para a reflexão sobre as relações familiares de nossa época, demonstrando que a arte representa a essência humana e o mito nos ajuda a compreender tanto os conflitos psicológicos como os sociais.

 

Aladim e a Lâmpada Maravilhosa – o universo infantil

Peça com Duas apresentações no dia 09/10 e uma em 10/19 no Anfitreatro do Centro Cultural

O projeto foi inscrito pelo Felipe, mas você fez o roteiro.  Qual foi o viés para a adaptação?

Pesquisei diversas versões da obra, procurando conhecer seu original publicado nos contos “Mil e uma noites” de Antoine Galland e usei também a versão cinematográfica da Disney que é bem conhecida já do público. Preservei aspectos do conto, inclusive no que se refere ao nome da princesa que no original é “Badrul”. Procurei dar uma dose de humor à montagem, focando isso no gênio, personagem bem animada. Aproveitei também a questão da magia que é muito importante no universo infantil.

Quem participou da montagem?

Temos nossos próprios atores, todos de Socorro mesmo. O elenco contou com o próprio Felipe Moreira que fez o Jafaz, Camila Ferrers foi a princesa, João Gabriel Ribeiro o Aladin e eu o Gênio.  A sonoplastia e iluminação ficaram por conta de Ozzy Chaves.

Algo especial sobre a peça?

Foi tudo muito rápido e de certa forma fácil, por sermos poucos atores. Finalizamos o trabalho em quatro meses. O cenário, por exemplo, foi um elemento especial porque tralhamos dentro de uma visão de sustentabilidade. Usamos apenas material reciclável em especial papelão, garrafas plásticas e coisas retiradas da natureza. Até mesmo as cortinas foram reaproveitadas.

Toda a produção e criação no espaço cenográfico entram nessa “vibe” e a criança leva – às vezes de modo inconsciente – a noção de que é possível realizar. Não é preciso grandes valores para se fazer bom teatro.  Mas, algo que gostaria de destacar foi que o foco do trabalho não estava no cenário em si e sim nas personagens, isto faz parte da nossa concepção de teatro. O “puro” teatro, o teatro de essência, valoriza o trabalho de interpretação dos atores.

Você menciona que a criança acaba incorporando a “vibe” da peça, como você sentiu a reação do público?

Tivemos uma ótima recepção, tanto as crianças como os adultos saíram encantados com a montagem. Tivemos um fator importante também, realizamos as apresentações em outubro, mês das crianças. Todos os três espetáculos previstos pelo projeto ProAC lotaram o anfiteatro do Centro Cultural e tivemos inclusive turmas de escolas que vieram assistir. Além disso, fomos para o “Festival de teatro Cenas Longas de Águas de Lindoia”, no qual ganhamos o prêmio de melhor peça infantil e de direção.

 

Guiliana Macedo interpreta Medeia

A Maldição de Medeia – releitura da tragédia grega

Apresentações em 29/11 e 30/11 e uma final em 07/12. 

Você foi a proponente desse projeto e também a responsável pelo roteiro e direção. O que há de singular na montagem realizada por vocês?

Fiz uma releitura de Eurípedes com o foco na questão da maldição em si, imprimindo minha visão e reflexão sobre o psicológico na peça. Na original de Eurípedes, a tragédia ocorre porque Medeia mata os filhos para suplantar – ou se vingar – da perda que sofreu ao ser traída por seu amor, após ter abandonado seu povo e tradição por ele. Na versão de nossa Companhia, a peça ganha um segundo ato no qual os filhos mortos passam por experiências em outra dimensão e, por meio delas, trazemos o espectador para a reflexão sobre a família e a temática da violência. Os mitos nos ensinam que não cabe fazer julgamentos, mesmo no que se refere à questão da violência. Se alguém é um violentador, uma pessoa que comete atos de violência, em algum momento também os sofreu. Temos de analisar os contextos de vida dele e compreender a lição que há para cada um de nós no que se refere a nossa própria humanidade.

Então, esse projeto foi bem diferente do proposto pelo Felipe?  

Totalmente diferente. Muitas das cenas, mesmo no original grego, são bastante fortes. O tema é forte. Usamos da psicologia, trabalhamos o papel da mãe e fizemos o público se emocionar de outro modo, o choro e a reflexão sobre o ser humano e a violência presente na sociedade foram o que a maioria levou para casa. Em Aladim, ficou o sorriso e encantamento.

Sobre a montagem em si, algo a acrescentar?     

Nessa trabalharam os mesmos atores, mas todos nós nos desdobramos. Felipe fez Jasão, Creonte, Filho perdido e participou tanto do Coro como da Persona; Camila foi um dos filhos de Medeia e esteve tanto no Coro como foi Persona; o João Gabriel foi um dos filhos, fez o Coro e Persona; já eu fiz a Medeia, o filho suicida e também, como os demais Persona. Precisamos revezar entre os vários papéis porque havia a necessidade de trazer outras personagens para a cena e não tínhamos outra escolha senão cada ator fazer três ou quatro personagens. O cenário foi econômico, mínimo; assim como o figurino cuja base foram túnicas de diferentes cores. O foco esteve em nossas interpretações. A sonoplastia e iluminação ficaram novamente a cargo de Ozzy Chaves.

Como o público recebeu a proposta?

A aceitação para essa releitura foi boa, considerando o projeto em si; mas bem menor que a que tivemos em Aladim. A linguagem e os conceitos trabalhados na montagem são, de certa forma, novos para o público da região. O enredo faz com que a pessoa se transporte para um outro território, que retorne à infância, mas o faça não pelo encantamento e sim pela reflexão de problemas diversos ocorridos nessa fase. A noção de Persona, própria da tragédia grega,  tem a ver com isso, com rememorar os motivos para diversos comportamentos. Trata-se de buscar a verdade dos mitos e de trazê-los para a realidade. Nesse sentido, o financiamento proporcionado pelo ProAC é muito importante para que possamos ter a segurança de realizar a montagem e poder trazer novas opções para o público.

 

 

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