Como identificar e ajudar seu filho a não se envolver com o jogo “Baleia Azul”

Tudo na internet espalha-se muito rápido, mesmo as coisas mais inacreditáveis. No caso do jogo da Baleia Azul não é diferente. O fenômeno ganhou visibilidade e vem se alastrando pelo mundo.

Disputado pelas redes sociais, o jogo que propõe desafios macabros aos adolescentes, como bater fotos assistindo a filmes de terror, automutilar-se, ficar doente, arriscar-se em locais altos e, na etapa final, acabar com a própria vida. São 50 missões acompanhadas por um “curador”.

Aparentemente, o fenômeno começou na Rússia, mas está se espalhando – inclusive no Brasil, onde os casos começam a aparecer.

Para falar sobre o assunto, o Jornal O Município entrevistou a psicóloga Larissa Bueno Boarretto. Confira!

Por que um adolescente teria interesse em participar de um jogo como esse?
O Desafio da Baleia Azul é um caminho encontrado pelos adolescentes para ganhar coragem de chegar ao suicídio. São adolescentes que estão com dificuldade em lidar com as frustrações, e dificuldades encontradas nesta fase do desenvolvimento, bem como os que se encontram desamparados, em constante incerteza sobre a vida e pensando em acabar com a própria vida.

A adolescência é um período em que os jovens são tratados como crianças em algumas situações, porém, em outras, são cobrados como adultos. Além disso, nessa fase do desenvolvimento, o corpo muda, as emoções são afloradas, as exigências aumentam e as decisões e escolhas precisam ser tomadas. Assim, os mesmos se deparam com exigências sociais e, muitas vezes, não conseguem lidar bem com esse turbilhão de cobranças, mudanças e emoções que estão vivenciando.

Para Durkheim, o suicídio pode ser atribuído a níveis excessivamente baixos ou altos de integração social. Integração baixa demais significa ter a impressão de não pertencer a nada, e integração alta demais significa descobrir que o custo da integração é excessivo. Cerca de 800 mil pessoas morrem por suicídio a cada ano, sendo a segunda principal causa de morte entre pessoas com idade entre 15 e 29 anos.

Quando nos referimos ao suicídio, faz-se extremamente necessário falar sobre a depressão, um transtorno mental frequente e que precisa ser encarada, de fato, como algo sério e que requer muita atenção e cuidado. Globalmente, estima-se que 350 milhões de pessoas de todas as idades sofrem com esse transtorno, que é a principal causa de incapacidade em todo o mundo e pode se tornar uma séria condição de saúde. A depressão pode causar à pessoa afetada um grande sofrimento e disfunção no trabalho, na escola ou no meio familiar, podendo levar ao suicídio. Neste ano, a OMS (Organização Mundial da Saúde) trouxe esse tema como Campanha para o Dia Mundial da Saúde, como forma de difundir informações corretas sobre a doença e alertar a população para a importância de atentar-se para os sinais e sintomas desse transtorno, que possui tratamento e deve ser discutido nos mais diferentes espaços e contextos.

Quais os sinais emitidos pelos jovens que estão com depressão?
Durante esse período, a pessoa experimenta um humor deprimido, perda de interesse e prazer e energia reduzida, levando a uma diminuição das atividades, em geral. Muitas pessoas com depressão também sofrem com sintomas como ansiedade, distúrbios do sono e de apetite e podem ter sentimentos de culpa ou baixa autoestima, bem como falta de concentração. Existem diferentes níveis dos episódios depressivos, dependendo da intensidade dos sintomas, mas todos eles devem ser considerados e cuidados. É muito importante que os pais e responsáveis estejam atentos aos comportamentos dos filhos e, caso notem mudanças de comportamento, devem investigar os motivos e as consequências geradas. É muito importante que a depressão seja diagnosticada e tratada, e o acompanhamento deve ser feito por psicólogo e psiquiatra.

Esses sinais também podem ser observados pela escola: professores e a coordenação podem observar as mudanças de comportamento dos alunos e avisar os pais, além de criar um canal de ajuda a esse adolescente. Além disso, a escola pode propor discussões sobre temas presentes na adolescência e no mundo e ouvir a opinião dos mesmos, bem como dar uma atenção especial ao aluno que apresentou sinais de que está com dificuldade em lidar com certos aspectos de sua vida.

Como os pais podem lidar com esse tema?
Os pais e responsáveis devem estar muito atentos aos comportamentos dos filhos e precisam criar um canal aberto de diálogo e carinho para com eles, deixando de lado os tabus presentes na sociedade. Estabelecer uma relação de confiança requer estar aberto a atender às demandas dos filhos e poder conversar, em casa, sobre temas que os adolescentes necessitam saber para enfrentar melhor os desafios da vida e as mudanças que acontecem com o tempo.  Os adolescentes precisam entender que são parte importante da família, que são percebidos e cuidados e que estão amparados e seguros. Além disso, é fundamental destacar que regras e limites também são importantes para o desenvolvimento saudável dos filhos.

É importante que os pais busquem saber o que os filhos fazem, o que pensam, com quem conversam e quais locais frequentam. Tudo isso é possível por meio de diálogo e confiança, e essas informações podem ser adquiridas com os próprios filhos, por meio da conversa aberta e sincera. Caso os pais tenham dificuldade em estabelecer essa relação de confiança, eles devem procurar ajuda de profissionais que poderão ajudá-los a encarar com maior tranquilidade essa tarefa. Ser pai e mãe não é nada fácil, não existe uma fórmula para criar os filhos, mas existem estratégias que podem deixar essa função mais amena para os pais, ajudando na construção de laços seguros e afetivos nas famílias. .

Serviço – A psicóloga Larissa Bueno Boarretto, formada pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho – Unesp Bauru (CRP 06/131956), atende no Estúdio Corporales, Clínica Bem-Estar, e Consultório à Rua Treze de Maio, nº 200. Contatos: (19) 3895-3846 e 3895-2511, email lari_boarretto@hotmail.com.

O Desafio da Baleia Azul é um jogo que contém 50 tarefas, dentre elas: arriscar-se do alto de um prédio, desenhar uma baleia no braço com faca ou gilete, ouvir por horas músicas depressivas e, por fim, cometer o suicídio. Esse jogo existe em grupos fechados e os administradores passam as tarefas às 4h20 da manhã. Além disso, os participantes devem mandar fotos e vídeos para provar que realizaram as tarefas.

 

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