Estudantes buscam apoio para reverter reorganização escolar, proposta pelo governo do Estado  

No dia 23 de setembro passado, a Secretaria Estadual de Educação anunciou seu programa de reorganização da rede, para o ano de 2016. A medida tem o objetivo de reorganizar as escolas divididas em três ciclos de educação: o primeiro reúne os alunos do 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental; o segundo, os alunos do 6º ao 9º ano do Fundamental e, o terceiro, reúne os três anos do Ensino Médio.

De acordo com o site oficial do órgão, a nova proposta vai separar os alunos adolescentes do Ensino Médio dos alunos mais novos dos ensinos Infantil e Fundamental, que passarão a estudar apenas com estudantes de um único ciclo. Segundo a Secretaria da Educação, as escolas com ciclo único abrigam alunos com rendimento 10% superior às unidades com três ciclos de ensino.

Por outro lado, a notícia causou preocupação aos alunos que representam o Grêmio Estudantil da EE Narciso Pieroni e José Franco Craveiro, Vaner Muniz Ferreira, de 17 anos e Cesar Valentim Silva, de 15 anos. Ambos participaram de uma reunião da Diretoria Regional de Ensino de Bragança Paulista, na sexta-feira passada, para Grêmios Estudantis, na qual a nova medida do governo foi anunciada. “Para começar, a Rede Estadual de Ensino ficou sabendo das mudanças depois da imprensa, o que, em nossa opinião, já não é certo, pois esse assunto deveria ser discutido, anteriormente, pelos que serão afetados. Depois de analisarmos as consequências da nova medida, observamos diversos fatores que só prejudicariam os alunos, professores, funcionários e até mesmo os pais dos estudantes, sem nenhum benefício”. Eles disseram que têm o apoio dos educadores.

Pela proposta, em um primeiro momento, as mudanças afetariam apenas as duas escolas da zona urbana. A partir de 2016, a EE José Franco Craveiro receberia apenas os alunos do Ensino Fundamental II (6º ao 9º ano) e a EE Narciso Pieroni, somente os alunos do Ensino Médio.

“Dentre as consequências da medida, está o espaço físico. Ambas as escolas têm capacidade para 24 salas de aula. Ficamos sabendo de um estudo de movimentação de alunos, na Prefeitura, feito pelas escolas estaduais, que repassaram ao Departamento de Educação Municipal, por solicitação do prefeito. Nesse caso, a Escola Craveiro teria uma demanda de 27 salas. Somente do Ensino Fundamental, teríamos 105 estudantes sem classe!”, comenta Cesar, que prevê, também, um problema de superlotação das turmas, trazendo prejuízo de aprendizagem aos alunos.

“No caso da Escola Narciso, não há estrutura para colocar todas as turmas do Ensino Médio no período da manhã. Uma das soluções pensadas seria passar os estudantes do 1º colégio para o período da tarde, porém, estes seriam prejudicados, já que, nesta fase, muitos começam a buscar a carreira profissional, com cursos da Guarda Mirim ou Rede Aprendiz, por exemplo”, completa Vaner.

Outro fator apontado pelos alunos é a questão geográfica. Alunos que frequentam o Ensino Fundamental no Narciso Pieroni teriam que se deslocar para a Escola Craveiro e alunos do Ensino Médio que moram perto do Craveiro teriam que caminhar até a Escola Narciso. As distâncias que teriam que caminhar para chegar à nova escola seriam grandes, como o caso dos alunos do Ensino Fundamental que moram, por exemplo, no Jardim Araújo, Bela Vista, Vila Nova.

“Também nos reunimos com o prefeito André Bozola esta semana para entregar abaixo assinado pedindo o seu apoio à nossa causa. Foi quando ficamos sabendo que, para a movimentação dos alunos para as duas escolas, seria necessária a contratação de transporte escolar para atender toda esta demanda, que resultaria em gastos de R$ 50 mil por mês a mais, para a prefeitura ter que pagar, sem falar na aquisição de novos veículos, motoristas, merenda etc.” explicam os alunos. Outra preocupação é que a medida pode ser uma sinalização de ampliação da municipalização das unidades escolares, ou seja, a transferência da responsabilidade de todo o Ensino Fundamental às prefeituras.” Essa reorganização dos ciclos escolares seria a primeira etapa para a concretização desse processo”, afirmam.

Os alunos também relatam as consequências aos professores, que estão preocupados com todas essas mudanças, ou seja, eles não terão certeza de permanecer na escola em que se encontram hoje. “Vai ser muito complicado, pois cada professor tem o seu método de ensino, muitos estão há anos na mesma instituição, já conhecem seus alunos e até mesmo seus familiares. Conhecem sua história. Tudo vai mudar de uma hora para outra”, dizem eles.

Diante de tantas constatações, Vaner e Cesar, juntamente com os Grêmios que representam, decidiram se mobilizar e promoveram um abaixo assinado entre os colegas, tanto do período da manhã como o da tarde, e já conseguiram mais de 450 assinaturas. “O prefeito André Bozola também sinalizou apoio à nossa causa, dizendo que era solidário”, comunicaram eles, que buscarão, ainda, a ajuda de vereadores e outras autoridades. “Ficamos sabendo que uma mobilização promovida pela APEOESP já conseguiu impedir a implantação dessa medida na cidade de Martinópolis, onde já foi confirmado que não haverá a reorganização. Estamos vendo resultados positivos onde as autoridades demonstram apoiar a reversão dessa medida. Portanto, temos esperança que aconteça o mesmo, não somente em nossa cidade, mas também em outras, nas quais há escolas que correm o risco de serem fechadas”, enfatizam os estudantes.

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