“Fotografia é uma forma de arte. É a arte de capturar um momento, um fato, uma emoção e dividi-la com outras pessoas, para criar um sorriso ou uma conexão emocional”, destaca o fotógrafo

Shane Glen, de 37 anos, é australiano e responsável pela bela imagem que retratamos na capa desta semana. Fotógrafo desde 2012, ele está em Socorro desde setembro de 2014, portanto, há 15 meses, e concedeu uma entrevista ao Jornal O Município, falando um pouco de seu trabalho.

Como conheceu Socorro?

A família do pai da minha esposa é de Socorro. Nós nos conhecemos na Austrália e após alguns anos juntos, decidimos morar no Brasil, por um tempo, para ficar próximos da família dela. Como eu não queria de jeito nenhum morar em cidade grande, nós decidimos que Socorro seria o lugar ideal.

Como e quando você se descobriu fotógrafo?

Desde pequeno eu sempre gostei de tirar fotos, mas eu nunca havia pensado em me tornar um profissional da fotografia, até que um dia eu resolvi capturar a beleza das tempestades, coisa que me fascina. Quando eu finalmente consegui fazer uma linda foto de um raio, eu decidi que queria me tornar um mestre em fotografia. Comecei, então, a estudar com um profissional (personal coach em fotografia) muito bem conceituado na Austrália, buscar conhecimento em livros e vídeos e me desafiar a tirar fotos melhores, a cada dia.

O que mais o motiva a fotografar?

Fotografia é uma profissão muito individual e nós, fotógrafos, entendemos que nem todas as pessoas irão gostar do estilo ou visão que temos. Mas, a minha motivação e recompensa pelo meu trabalho como fotógrafo vem da reação da minha audiência ou dos clientes, quando imergem numa foto. De alguma maneira, consciente ou subconsciente, emocionalmente eles entram, naquele momento. Quando isto acontece, é um sentimento fantástico! 

Como e onde você divulga o seu trabalho?

Na Austrália eu lidava com uma clientela bem diversa que, basicamente se formou por meio do boca-a-boca, da recomendação de clientes satisfeitos. No Brasil, eu tenho o meu site e uma página no Facebook e estou começando a desenvolver a minha rede de contatos, para captar novos clientes e divulgar o meu trabalho.

Em sua opinião, quando o amadorismo dá lugar ao profissionalismo?

Pergunta interessante! Eu acredito que a busca de cada um para melhorar sua habilidade é um ponto importante. Seja por meio de um curso ou na prática, cada um tem maneiras diferentes de aprender e aprimorar àquilo que se dedica a fazer. No meu caso, eu imergi totalmente no mundo dos fotógrafos, buscando estilos que eu gostava, estudei com um professor particular que é um renomado fotógrafo na Austrália e busquei conhecimento e qualidade. Com três meses de aprendizado intenso das mais novas técnicas de fotografia, eu fui convidado a trabalhar com o meu professor. Seis meses após, quando eu já estava viajando para outros estados para atender clientes corporativos, eu vi que poderia fazer a minha paixão por fotografia se transformar em profissão, em período integral.

Quais as maiores dificuldades para um fotógrafo em início de carreira?

Reconhecimento! Nos dias de hoje, todo mundo tem câmeras, elas estão por todos os lados, com apps para fazer efeitos, filtros, etc. Portanto, para se diferenciar, um fotógrafo profissional precisa, constantemente, se desafiar a ser melhor e inovativo. Eu gosto de qualidade, independentemente do que eu esteja fazendo, e foi por isto que consegui fechar grandes contratos, com grandes empresas, em muito pouco tempo de carreira.

Eu também sempre volto a olhar os trabalhos já feitos, para ver onde posso aprimorar a qualidade da foto e do processo de edição, fazendo com que o meu trabalho flua melhor.

Quem são suas maiores influências no universo da fotografia?

Eu tenho várias influências, em razão à diversidade de trabalhos fotográficos que eu já fiz, mas o principal é o meu personal coach Mark Peterson: um mestre em todos os tipos de fotografia e agora, também um amigo que me desafiou e puxou meus limites, em situações extremas, das quais eu nunca imaginei que poderia atingir.

Dos fotógrafos mundialmente reconhecidos, eu admiro a qualidade e o entendimento de iluminação de Joey Lawrence. No quesito fotografia da natureza, os fotógrafos da National Geographic, com certeza, capturam as fotos mais inspiradoras.

Qual foto, clicada por você, tem um significado especial? E por quê?

Quando vi o resultado da minha primeira foto de raio (relâmpago) na Austrália, fiquei muito feliz! Mas não posso dizer que tenho uma em especial, pois cada foto traz uma emoção especial do local e momento em que foi fotografado. Tenho lembranças especiais das fotos tiradas durante as minhas viagens pelo mundo, recentemente da minha viagem à Jujuy (Argentina) e as fotos daqui de Socorro. Todas elas me ajudam a aprimorar minha técnica, além de me divertir, fazendo-as.  

Qual o perfil necessário de um fotógrafo? O perfil muda conforme a área da fotografia?

Eu acredito que para ser um fotógrafo profissional é preciso ter um olhar criativo. Você pode aprender e estudar como dominar a câmera e todas as técnicas, mas não se aprende a como se tornar criativo. Alguns profissionais conseguem tirar fotos de vários segmentos (ex: casamento, paisagem, produto, moda etc.), mas acabam se especializando em uma ou duas áreas, nas quais se identifica mais ou por uma questão de demanda de mercado.

As aptidões técnicas também variam de acordo com a área de atua-ção escolhida e, assim como em qualquer profissão, esta também requer ferramentas e equipamentos específicos, que vão muito além de somente ter programas de edição e computadores. Num estúdio fotográfico, se fazem necessários, luzes, cenários de background etc. Na fotografia de paisagem (landscape), tripés, filtros externos, tempo, paciência e até mesmo um pouco de sorte são necessários.

Portanto, sim, são necessários ferramentas, equipamentos, técnicas e aptidões  distintas para cada área de atuação, dentro da fotografia.

Com sua experiência, que conselho daria pra quem pensa entrar nesta carreira?

Primeiramente, acredite naquilo que você acredita estar certo. Não mude seu estilo de fotografia por conta da percepção de outras pessoas. Eu acredito em crítica construtiva e na opinião das pessoas, mas, no fim das contas, siga seu instinto, seu caminho e curta a sua experiência.

Em segundo lugar, mergulhe na área (no estilo) de fotografia que você quer, seja numa escola ou praticando, ou os dois, aprenda tudo que puder. Domine esta área. Depois disso, as outras áreas da fotografia farão mais sentido, serão mais fáceis de serem compreendidas e você não correrá o risco de desistir, por achar que é muita coisa para aprender e lidar ao mesmo tempo.

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