Hoje: Monte Roraima

Abismo

Localizado em uma região privilegiada, bem na fronteira entre Brasil, Guiana Inglesa e Venezuela, o Monte Roraima é famoso especialmente por conta de seu formato achatado no topo – uma formação rochosa chamada Tepui. Quem observa de longe tem a impressão de estar vendo uma enorme mesa ao horizonte.

Em seu ponto mais alto atinge 2.723 metros de altura. Com topo de 34 km quadrados, é considerada a maior montanha plana do mundo.

No mês passado, Denise Mantovani Lurago se desafiou a conhecê-lo e conta como foi a aventura. Ela conta que só é permitido subir o monte acompanhado por um guia. Algumas empresas organizam a viagem, oferecendo guias, alimentação e barracas. Ela subiu com uma turma de 16 aventureiros que conheceu quando chegou em Boa Vista e mais 12 pessoas no apoio.

Fale, Denise!       

No ano passado me desafiei a subir os pontos mais altos do país! Acho que, como a maioria dos brasileiros, conheci o Monte Roraima através da novela Império, mas era pouco o que sabia sobre ele. Como sigo muitas páginas de trekking comecei a ver imagens dele e fiquei apaixonada. Em novembro do ano passado, vi que era hora de seguir o desafio e conhecê-lo.

No dia 21 de fevereiro, embarquei para a minha aventura; primeiro, um voo até Manaus e, depois, outro até Boa Vista. Já no aeroporto a empresa nos buscou para seguirmos cerca de 5 horas de viagem até a Venezuela. Fomos até o parque onde se encontra o monte, que é cuidado pela tribo Perai Tepui e lá iniciamos a aventura.

Três dias até chegar ao topo!

No primeiro dia, caminhamos até o Rio Tek, onde montamos nossas barracas e passamos a noite. No dia seguinte, caminhamos até a base; nossas barracas ficaram ali, de frente para aquele monumento incrível da natureza. À noite, conversamos com os índios que nos acompanharam na expedição; eles nos contaram muitas histórias sobre o Monte Roraima, demonstrando o respeito que têm pelo monte, o que foi muito legal de ver.

Terceiro dia: acordamos prontos para conquistar o cume! Esse é o dia mais difícil e, para nós, seria ainda mais complicado por causa da chuva. Logo no começo, enfrentamos uma das subidas mais fortes e desafiadoras do caminho; foi preciso subir um paredão, sem apoio, usando apenas as mãos para ajudar. Seguimos subindo até o Passo das Lágrimas, um dos lugares mais lindos do trajeto! Porém, naquele dia tinha se formado uma cachoeira, por causa da forte chuva e a nossa única opção era subir contra a água. Confesso que ali fiquei com muito medo!

Depois daquele trecho, enfrentamos mais subida e, enfim, o topo! É uma sensação mágica… Um prêmio! Ver de perto os guardiões (pedras em diferentes formatos que os índios acreditam ser formato dos guardiões do monte), e uma beleza infinita, diferente de tudo que já tinha visto antes.

Lá em cima, o lugar onde seria montado o acampamento já tinha sido determinado pelos índios, antes de partirmos. O topo é dividido em vários “hotéis”, localizados nas cavernas, para proteção contra o vento e a chuva. Mas, esses hotéis não eram nada tranquilos; a noite as paredes ficavam cheias de aranhas e escorpiões. Precisávamos manter as barracas sempre fechadas para nos protegermos.

No Maverick, ponto mais alto do monte

Três noites no topo

Ficamos 3 noites ali. Durante os dias conhecemos os principais pontos: o abismo, La Ventana, a Catedral, Maverick (ponto mais alto), El Fosso e a tríplice fronteira, entre Brasil, Venezuela e Guiana.

É maravilhoso, estar ali, sobre as nuvens… sem explicação!

Para subir o Monte Roraima é preciso espírito aventureiro e braços e pernas fortes. Eu não imaginava que seria tão difícil caminhar ali no topo; lá, precisamos saltar entre as pedras o tempo todo e isso fez com que eu ficasse com os joelhos inchados e doendo muito. Muitas vezes precisava que algum amigo me desse a mão ajudando, pois não tinha força para saltar.

Descendo…

O dia da descida foi o mais longo e mais difícil. Depois do almoço eu não conseguia mais andar, mas não tinha outra opção que não fosse continuar. Junto com um casal que me acompanhou fiquei por último na trilha, e eu só pensava em chegar, arrumar minhas coisas e dar um jeito de ir embora! Eu tinha muita dor e não aguentava mais!

Quando cheguei no acampamento, todos que estavam lá, e tinham a dificuldade que eu estava, se levantaram e bateram palmas para mim. Os abraços que recebi ali recarregaram minhas forças para conseguir caminhar ainda por mais um dia!

Sobre a experiência

Em 2018 fiz o Caminho de Santiago e acho que são experiências muito diferentes. O Monte Roraima exige muito mais força física, mas a força mental também é essencial para realizar algo desse tipo.

Foi uma experiência única: 7 dias sem contato com o resto do mundo, sem telefone, sem energia elétrica! Para o mês de maio já tenho programado trekking na Serra da Itatiaia.

O que me faz gostar dessas aventuras eu não sei explicar, só sei que me faz crescer, amar a vida e me sentir muito perto de Deus. Queria terminar com uma frase que explica um pouco sobre isso: “as igrejas são templos de Deus construídos pelo homem, as montanhas são templos de Deus construídas pelo próprio Deus”.

 

 

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