Hoje: Portugal

Portugal, na Península Ibérica, ao sul da Europa, fronteira com a Espanha e banhado pelo Oceano Atlântico. O país que nos colonizou, hoje se reestrutura após o longo período da ditadura Salazariana e se transforma em uma porta de entrada para a Comunidade Europeia, recebendo estrangeiros de diversos continentes, mas em especial de suas ex-colonias. Este foi o destino de quatro amigos socorrenses ao final do ano passado: Cleonice Pires de Sousa, Maria Isabel Lopes, Hélcio Moura Cardoso e Rosa Maria Pereira. Confira a entrevista a quatro vozes a seguir:

De onde surgiu a ideia da viagem?

Tínhamos saído de uma exposição no Museu Municipal no mês de março e fomos jantar no Quintal do Italiano e surgiu uma conversa sobre Portugal, por conta da amiga Rosangela que mora lá. Então, decidimos ali na hora fazer a viagem para visitá-la e nos programamos por meses. A Rosa e o Hélcio, que são ceramistas, pensaram em fazer um curso porque Portugal tem grande tradição em azulejos, Cleonice e Isabel foram para conhecer o país. Fomos em novembro, no dia 17/11 e ficamos dez intensos dias.

Vocês disseram ter programado a viagem desde março, fizeram algum roteiro turístico específico?

Na verdade, a base do nosso planejamento foi de nos estruturarmos para viajar com liberdade, passeando como se fossemos portugueses. A cada dia íamos traçando um roteiro de passeio dentro da cidade escolhida para visitar. Achamos as coisas, de um modo geral, baratas e a rede de transportes muito boa, fizemos um “cartão” semelhante aos que se usam em São Paulo, que permite o uso do transporte coletivo. Nossos passeios incluíram cultura (música de rua, casa de fado), natureza, gastronomia, sítios históricos e museus…

Onde ficaram?

Nossa base foi em Lisboa e ficamos em um Hostel (em Portugal conhecido por Residencial) chamado Maria Banana. Esse tipo de estabelecimento é bastante em conta, oferece apenas o pequeno almoço (café da manhã) e é adequado para quem quer aproveitar ao máximo o dia passeando. Desde ali, partimos para passeios por cidades consideradas importantes tanto do ponto de vista histórico como turístico: Cascais, Belém, Fátima, Óbidos, Porto, Caldas da Rainha e Almada. Aproveitamos muito: saíamos bem cedo e voltávamos bem tarde, de noite. Nem a chuva nos parava. Fizemos tudo usando a rede de transportes públicos: metrô, bonde e autocarro.

Considerando que ficaram hospedados em Lisboa, o que lhes chamou atenção na cidade? 

Chamou-nos a atenção ser uma cidade em restauração com o investimento de estrangeiros, em especial os chineses, que estão reconstruindo a cidade histórica. Há um movimento de valorização dos pontos restaurados, com o aumento dos custos de vida, tornando inviável para muitos dos antigos moradores da cidade permanecer nela. Está ocorrendo um êxodo. Tanto em Lisboa como no Porto, no comércio o que predomina – no atendimento – são os estrangeiros, há muitos vindos de ex-colônias: Índia, países Africanos e também da China.

E em outras cidades, o que chamou atenção?

Os passeios foram incríveis, com muitas paradas em padarias maravilhosas e restaurantes. Ir descobrindo as cidades sem necessariamente seguir uma rota é bastante interessante. Mas em cada cidade algum lugar despertou nossa atenção e recomendamos a quem queira fazer uma viagem para Portugal: O Palácio da Pena em Sintra, o Vilarejo dos Pastorinhos em Fátima, a Muralha em Óbitos, a Cerâmica Bordalo Pinheiro em Caldas da Rainha onde chegamos ir até a fábrica original de 1884, a Boca do inferno com um pôr do sol incrível em Cascais.

As pessoas comentam sobre a comida portuguesa, vocês têm alguma sugestão?

Comemos e bebemos muito e de tudo. O vinho é maravilhoso e muito barato comparado com os preços brasileiros. As padarias estão por todo canto, todas fabulosas, mas não há o hábito de se fazer – e comer – o pão francês. O pão diário do português é um pão mais duro ou um como o nosso de forma. É comum nas padarias ou pastelarias (confeitarias) os pães doces e doces tradicionais. Entre os que provamos e gostamos estão o toucinho do céu, barriga da freira, coroa de abadessa, pastel de Belém (no bairro do Belém) e de Santa Clara. Em Óbidos fomos a uma padaria artesanal muito famosa, pão feito com o fermento natural, saindo várias fornadas ao dia… mas também era o pão tradicional deles. No Porto deve-se comer uma francesinha…comida típica só encontrada lá. Um lanche pra quem tem muita fome!

Algo mais?

A música de rua é uma opção de lazer cultural presente em todas as cidades visitadas. Outra opção cultural interessante são as casas de fado. Mesmo para quem não gosta desse tipo de música, tudo é muito bem feito.

Ao planejar a viagem, tenha em mente de que em Portugal não é preciso comprar pacotes de viagem fechados pelas agências de viagem. Mesmo que hajam diferenças, falamos uma mesma língua, é possível pesquisar roteiros na internet e existem  pontos de informação turística. Um grande diferencial de nossa viagem foi justamente fazer os passeios como se fossemos portugueses, inclusive interagindo com as pessoas por onde passávamos. Algo importante é o seu seguro, pois garante atendimento hospitalar. Em Portugal não há um sistema como o do SUS e o acesso aos atendimentos hospitalares é muito caro. Encerramos ressaltando que foi uma viagem muito agradável de encontro com os costumes e hábitos de nossos ancestrais.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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