Museu do Café premia xícara de cerâmica inspirada em nossos cafezais

Cristina Rocha com a premiada xícara “Horizonte”

“Meu avô Benedito Souza Pinto, plantava café no Serrote”, conta Cristina Rocha Souza Pinto, ganhadora do 1º lugar do Concurso comemorativo do Museu do Café em Santos. Lançado em Março, o concurso garantia ao grande vencedor uma viagem ao Japão, berço da cerâmica e país que tem incorporado o café como uma bebida brasileira que pode estar presente em momentos especiais dos japoneses. “Consideramos o concurso parte importante da nossa missão, que visa disseminar a história do grão no Brasil e no mundo. Com esse projeto, buscamos, entre outras coisas, propor a reflexão acerca do passado e da atualidade por meio da arte”, explica Alessandra Almeida, a diretora executiva do Museu. ´

A premiação aconteceu em 24/10, restrita apenas aos organizadores e premiados, devido à pandemia; porém o museu divulgou em seu site oficial e redes sociais um pouco da história das obras inscritas, das quais duas tiveram a inspiração nos cafezais socorrenses e se encontram em exposição por período indeterminado no histórico edifício da Bolsa do Café no Centro de Santos, sede do Museu que relata a relação daquela cidade com a nossa no que se refere aos famosos grãos exportados pelo porto santista.

A xícara “Horizonte”, de Cristina, deu a ela não só o prêmio, mas a oportunidade de cumprir com o desafio de criar uma “xicrinha” que pudesse representar o café, não apenas como bebida, mas como uma metáfora para prosa e reunião entre amigos. E é essa ideia que ela levará para o Japão, onde representará o Museu do Café e nosso país. O mais interessante é que tudo isso foi inspirado nos cafezais da família Souza Pinto no bairro do Serrote.

“Minha recordação de ver aquele terreiro cheio de café na fazenda do Serrote e as boas recordações da mesa lotada de gente e a conversa rolando enquanto o café estava quente… Então, a minha ideia foi fazer uma xícara que ficasse mais tempo com o café quente pra conversa também se prolongar por mais tempo. E surgiram daí as paredes duplas porque fica uma bolsa de ar no meio que permite que o café fique aquecido por mais tempo”, conta.

Cristina explica que, incentivada pelo avô, produz café em um sítio em Morungaba, o que lhe confere uma renda anual. “Eu adoro café, tomo café todo dia e isso me inspirou na xícara, que se chamou horizonte porque eu adoro  tomar café no meu sítio olhando o horizonte, o nascer do sol e também porque o café foi um grão que atravessou os horizontes… Ele cruza e cruzou os horizontes, indo de um lugar para outro, sendo cultivado e agora distribuído…  Então, por isso, se chamou assim.  E eu quis colocar na alça da xícara um grão de café posicionado como um brilhante no anel porque a grande riqueza brasileira é o café. Então, nada mais justo que ele ocupar o lugar como o brilhante num anel.”, explica sorrindo em entrevista para O Município.

Ela parece ter conseguido, a partir do que aprendeu nas fazendas do Serrote, ter incorporado o espírito do Concurso e levará para o país do sol nascente essa marca de nossas serras como já fez em sua viagem a China. “Acho que o ceramista brasileiro deveria ter por tradição fazer a xícara do café, assim como os japoneses fazem com o chá. Ano passado fui para a China e quando cheguei lá a primeira coisa que perguntaram foi como tomamos café. Então, eu sentei no torno e fiz a xícara e todos a disputaram.”, finaliza sorrindo.

Xícara “Lembrança” de Rosa Pereira

Além da Xícara “Horizinte”, o Museu ´do Café também expõe a “Lembrança”, da socorrense Rosa Pereira, aluna de Cristina, que também parece ter sido fisgada pela magia dos nossos grãos.

“O que me motivou a participar do concurso foi a paixão pelo café, pelo que este fato representa cada vez que paramos e apreciamos este momento. Esta conexão ancestral de cultivar a terra me trouxe a criação da minha xícara e pires, o pires sendo a terra onde há espaço para as raízes que se conectam com a xícara que tem tronco fruto e folhas. Trazendo assim aroma e lembranças. E o nome da xícara se fez Lembrança”, relata Rosa, ceramista que tem nos representado em diversas exposições e concursos.

 

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