Museu Municipal investe no inventariamento e catalogação do Acervo

Mayara Nardes e Fabiana preparadas para o inventariamento de um objeto

“De acordo com o SISEM, estamos em processo de Estruturação museológica”, explica Mayara Nardes, a coordenadora do Museu Municipal Dr João Baptista Gomes Ferraz durante a visita que nossa redação fez à instituição. O SISEM – Sistema Estadual de Museus de São Paulo – é um órgão vinculado ao governo estadual que possui o cadastro das instituições oficialmente consideradas como museus em nosso estado. As instituições nele cadastradas recebem diversos tipos de incentivo, participam de cursos e se ajudam mutuamente. “O cadastro estadual de museus é um instrumento de políticas públicas, é através dele que o SISEM pode fazer a avaliação situacional de cada museu do estado, visando estabelecer padrões para o setor e também a sistematização das informações das instituições museológicas de São Paulo. Permanecer no sistema está em nosso foco de ações e temos metas a atingir para adequar-nos aos parâmetros estabelecidos”, completa.

Em nossa conversa, Nardes enfatizou a importância dos encontros de Museus promovidos pelo SISEM, com atividades de formação e vivências com outros profissionais que passam ou já passaram por experiências e situações semelhantes. “Para mim, que tenho formação principal em filosofia, foi extremamente importante participar dessas atividades para traçar as estratégias de desenvolvimento da instituição”, comenta.

Entre as primeiras ações da coordenação do museu para a conquista pretendida, ainda em 2019, esteve o debate para a criação de um regimento para o museu que respeitasse sua missão de fazer o registro e divulgação da memória histórica de nossa cidade. Além disso, conforme nossa edição 5128, foi aberta a discussão para o público durante a última reunião extraordinária do Conselho Municipal de Políticas Públicas (COMUPC) estabelecendo critérios oficiais tanto para a doação como para o descarte de objetos relacionados ao acervo do museu.

Documento pesquisado para recompor a história da Wallita

Agora em 2020, deu-se início ao processo de inventariamento e catalogação do acervo, ação importantíssima para a salvaguarda e preservação, cuidando em especial da documentação que faz parte da história da instituição e do acervo em si. Quando fazemos uma visita ao Museu, normalmente não paramos para pensar que o local busca traçar uma narrativa e que o material ali exposto faz parte de uma exposição de longa duração, que não possui um caráter permanente. O trabalho que está sendo realizado compreende os principais procedimentos museológicos, que tratam de nosso acervo que é tridimensional (objetos), fotográfico e documental/bibliográfico. Ele permitirá entender as narrativas que se mesclam, a da história precedente, da história institucional e o acompanhamento do entrecruzamento delas. Será possível então realizar um trabalho de pesquisa mais eficaz de modo a atender cada vez melhor os visitantes de acordo com a missão da instituição.

O inventariamento está sendo realizado por Nardes com o auxílio de Fabiana Nunes que faz seu estágio como “guardinha” no museu . “Fico feliz em poder ajudar a executar essa ação, que considero importante não só para o museu, mas também para o meu aprendizado. O processo de inventariamento e catalogação de todos os itens que temos aqui é um trabalho cauteloso do qual me orgulho de fazer parte”, conta Fabiana. Trata-se de um trabalho criterioso, que segue moldes empíricos e verifica elementos concretos sobre cada objeto ou documento. De acordo com o planejamento realizado, esta parte do trabalho deve levar cerca de 25 semanas. Dentro do processo é preciso analisar cada objeto e/ou documento e registrar informações que depois são incluídas em uma planilha institucional e, por fim, devem entrar para a TAINACAN – plataforma de trabalho e documentação que possibilita catalogar o acervo em uma base digital. Nessas primeiras semanas do ano, elas se concentraram nos objetos que estão no primeiro andar do edifício.

Wallita do acervo do museu

Nardes relata que se faz necessário analisar cautelosa e criteriosamente peça por peça, buscando fazer uma “leitura” delas de modo a contextualizá-las dentro da narrativa em que estão inseridas. Muitas vezes é preciso fazer uma busca pela internet para complementar as informações sobre o objeto, como exemplo mostrou-nos uma antiga “wallita” que não possui muitas referências e parecia ter partes faltando. A pesquisa permitiu verificar tratar-se de uma inovação para a época em que foi criada, por possuir mais de uma função. O Município estará em contato com a equipe do Museu de modo a acompanhar os bastidores do processo de inventariamento e catalogação, contribuindo para a construção desse importante registro da história de nossa cidade. Traremos também, para o leitor, as informações que surgirem durante as diversas fases do trabalho.

Compartilhar/Favoritos

Nenhum comentário ainda.

Deixe um comentário

Você deve ser de logged em para postar um comentário.