
Denise Giacomo da Motta nasceu em São Paulo, em 1951. É nutricionista, mestre e doutora em Saúde Pública pela Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo e psicanalista pela Sociedade Psicanalítica Ortodoxa do Brasil (SPOB). Atuou como docente e pesquisadora científica em diversas instituições de Ensino Superior, dentre elas a Faculdade de Saúde Pública da USP (1972-1978), o Centro Universitário São Camilo (1978-1983), a Pontifícia Universidade Católica de Campinas (1988-1998) e a Universidade Metodista de Piracicaba (1991-2006).
Suas linhas de atuação, ensino e pesquisa incluem a clínica ambulatorial, o ensino de nutrição, a educação nutricional na promoção da saúde e na prevenção e controle de doenças crônicas (especialmente diabetes, obesidade, síndrome metabólica e transtornos alimentares). É membro da Sociedade Psicanalítica Ortodoxa do Brasil e do Grupo de Apoio, Aprimoramento e Atualização em Educação Nutricional (A3EN), tendo participado do programa de formação de educadores em diabetes (SBD/Joslin) e da elaboração dos Consensos Brasileiros de Diabetes mellitus de 1997 e 2002. Atualmente, dedica-se a palestras em cursos de pós-graduação e atua na área clínica como nutricionista, com abordagem psicanalítica.
Em Socorro, onde residiu e mantém fortes vínculos de amizade, introduziu o trabalho do nutricionista, na década de 80, e foi colunista do jornal O Município. Sua mais recente publicação é o livro “Educação nutricional & Diabetes tipo 2 : compartilhando saberes, sabores e sentimentos”, editado pela Jacintha Editores (2009). Sobre esse tema, conversamos com a drª Denise.
Por que o diabetes exige tanta atenção, hoje em dia?
A ocorrência do diabetes do tipo 2, na atualidade, atinge proporções epidêmicas e demanda alto custo, tanto econômico quanto social. No Brasil, dados do Censo Brasileiro de Diabetes, do final da década de 1980, demonstravam que, entre as pessoas na faixa dos 30 aos 69 anos de idade, 7 a 8% tinham diabetes e cerca de 50% destas ignoravam sua condição. Uma década depois, outro estudo, produzido em Ribeirão Preto/SP, mostrou a prevalência de 12,1% de diabetes e de 7,7% de tolerância diminuída à glicose (pré-diabetes), nessa mesma faixa etária. Estimativas recentes apontam para mais de 11 milhões de portadores de diabetes, no Brasil de hoje. Em Socorro, as estimativas sugerem a existência de cerca de 2000 diabéticos, dos quais talvez a metade não tenha sido ainda diagnosticada.
O diabetes pode afetar qualquer pessoa e, se não for tratado, pode trazer sérias complicações para a saúde e qualidade de vida. Quem tem mais de 45 anos, excesso de peso, gordura excessiva na região da cintura, diabetes na família e é sedentário, precisa verificar esse risco o quanto antes, para prevenir ou retardar a manifestação da doença!
Qual o peso dos hábitos modernos no desenvolvimento precoce do diabetes?
O diabetes ocorre cada vez mais precocemente e esse fato é condicionado pela obesidade, que vem aumentando na população, desde a infância; pelo sedentarismo e pela má alimentação, principalmente aquela com excesso de gorduras e de açúcares simples (doces, refrigerantes) e pobre em fibras (verduras, legumes e frutas). Sedentarismo e má-alimentação, levando à obesidade, é receita para desenvolver diabetes, principalmente em pessoas que já têm casos dessa doença na família.
Como se prevenir da doença?
Fazendo o contrário do que dissemos antes: praticar atividade física por pelo menos 30 minutos diários e controlar o peso corporal, com dieta equilibrada e saudável. Essa combinação da atividade física com a alimentação correta pode reduzir em até 58% o risco de diabetes.
Que tipo de complicações a doença pode causar?
As complicações e doenças associadas ao diabetes são as cardiovasculares (pressão alta, insuficiência cardíaca, infarto do miocárdio, derrame cerebral); a doença renal, que pode evoluir para perda completa da função renal; a perda da visão; doenças da circulação periférica, como o pé diabético - que pode chegar à gangrena e necessidade de amputação de membros inferiores; a disfunção erétil (impotência sexual) e muitos outros problemas que comprometem a qualidade de vida da pessoa com diabetes. O tratamento adequado, que envolve a alimentação orientada, a atividade física e o controle médico, evita essas complicações e oferece bem-estar ao portador do diabetes.
Como o diabético pode se adaptar às dietas e alcançar bem-estar na alimentação?
A alimentação que a pessoa com diabetes deve seguir é aquela que qualquer pessoa deveria seguir, para ter saúde e bem-estar. Não existe uma “dieta para diabetes”. As adaptações que a pessoa com diabetes deve fazer são as necessárias para tornar a sua alimentação saudável, equilibrada, adequada a seu peso, idade e atividade física. Os erros alimentares, a que muitas vezes a pessoa está habituada, é que devem ser evitados.
Quanto ao caráter restritivo dessas dietas, que tipos de mitos ainda existem?
Há várias crenças e mitos quanto à alimentação para quem tem diabetes, geralmente no sentido de excluir da dieta alimentos fontes de carboidratos, como as raízes - mandioca, batata, beterraba, por exemplo; algumas frutas, como a banana, o caqui, as uvas; o feijão, o pão branco. Esses alimentos têm carboidratos, é verdade, e os carboidratos se transformam em açúcar, mas a pessoa com diabetes pode aprender a usá-los de forma correta, na medida certa e combinados a fibras e proteínas.
Por outro lado, as pessoas acreditam que o pão torrado e as bolachas de água e sal podem ser usados em maior quantidade e que são melhores que o pão branco. Isso não é verdade, pão torrado e biscoitos, mesmo salgados, engordam e são fontes de açúcar, que passa mais rápido para o sangue do que o açúcar proveniente do pão comum. O melhor, mesmo, é utilizar o pão integral, rico em fibras, mas sem excesso.
Em seu livro, a drª Denise fala sobre o diabetes, as dificuldades que a pessoa com diabetes enfrenta, apresenta as recomendações nutricionais para a sua prevenção e controle e ainda oferece sugestões para que sejam incluídos os sabores da alimentação saudável no dia-a-dia. O livro traz 115 receitas testadas e calculadas, complementadas com tabelas de apoio ao planejamento alimentar e à contagem de carboidratos, instrumentos práticos e eficazes na busca de um melhor controle metabólico, com prazer e bem-estar. A publicação destina-se tanto aos profissionais de saúde que orientam seus pacientes, quanto ao público que quer aprender a prevenir ou controlar o diabetes. Brevemente, será realizado o seu lançamento, com palestra da autora, aqui em nosso município. Para outras informações sobre o tema, sugerimos o site www.denisegiacomo.com.br