
Se você nunca ouviu falar no golpe do falso sequestro, vale a pena ficar atento.
Apesar de frequentemente divulgado pelos meios de comunicação, continua fazendo vítimas, inclusive em Socorro.
O golpe funciona da seguinte forma. Utilizando-se, na maioria dos casos de um celular pré-pago, o criminoso liga a cobrar para a vítima e age como um verdadeiro ator. Coloca uma pessoa gritando, chorando, enfim, simulando o desespero do suposto sequestrado. Aterrorizada e sem tempo de checar se a informação é verdadeira, a vítima é pressionada a pagar um resgate, exigido em dinheiro ou em códigos de cartões de recarga de telefone celular.
Na maioria dos casos, o número de telefone das vítimas é escolhido aleatoriamente, o que indica que ninguém está livre de passar por tal situação.
Nos últimos dias, há notícias de vários casos em Socorro, dois deles confirmados por nossa reportagem. Duas famílias que passaram momentos de terror.
Um deles aconteceu no sábado, quando um comerciante recebeu uma ligação a cobrar do Rio de Janeiro, em que um homem identificado por Valter, de sotaque nordestino, dizia ter sequestrado sua filha que, coincidentemente, não estava na cidade. “Eles diziam que estavam com uma arma na cabeça dela e me perguntavam quanto valia a vida da minha filha. Ao fundo, alguém gritava: mãe, me roubaram tudo! Queria me controlar, mas depois que gritam mãe, a gente não escuta mais nada. Não enfartei porque meu coração é forte”, diz, emocionada, a esposa do comerciante.
Além do depósito de R$5.000,00, os bandidos exigiam R$ 600,00 em recarga para três telefones celulares.
Para ganharem tempo, enquanto o pai negociava com o bandido, outros familiares tentavam entrar em contato com a suposta vítima. Foram cerca de 40 minutos de angústia, até que ela finalmente foi localizada, e a negociação encerrada.
Outro caso aconteceu na segunda-feira. Com uma das filhas viajando, uma empresária recebeu uma ligação de um homem que se identificou como Oliveira e que exigia R$ 50.000,00 para libertar a moça. Neste caso, o golpe foi ainda mais realista, pois eles disseram o nome da jovem.
O número de uma conta foi passada para o depósito que deveria ser feito em uma lotérica. Nervosa e muito assustada, a vítima alegou que não tinha esse valor e tentou negociar com os bandidos que, para manter a veracidade do sequestro, mantinham uma pessoa gritando: “Mãe, me ajuda, faz alguma coisa”.
Alegando que não tinha dinheiro, a libertação chegou a ser negociada por R$ 880,00. Desconfiados, os criminosos exigiram detalhes, como o número de notas que seriam depositadas, quem faria o depósito e como essa pessoa estaria vestida.
Tentando manter a calma, a empresária “segurou” o golpista na linha, enquanto outras pessoas tentavam encontrar a filha.
Depois de várias tentativas, a moça foi localizada e a ligação encerrada. Segundo a vítima, em seguida, o telefone tocou várias vezes, porém não foi atendido. O depósito não chegou a ser realizado. “Trata-se de que o golpe muito bem articulado, que faz com que realmente acreditemos na existência de um crime”, diz a mãe da moça.
Para ela, o mais assustador foi saber que os bandidos detêm informações precisas da família.
Esta foi a segunda vez que a família foi vítima de um falso sequestro. O outro foi em 2009 e, por coincidência, ou não, a filha também não estava em casa, causando o mesmo pânico.
Até a delegacia!
Ontem, quinta-feira, uma ligação a cobrar foi feita ao Jornal O Município. “ - Mãe, mãe”, uma voz feminia gritava e chorava. Sabendo do golpe, a diretora do jornal respondeu: “ - Eu não tenho filho”, e desligou o telefone. Neste mesmo dia, o número 3895-1148 recebeu a mesma ligação. Só que o telefone era da delegacia de Socorro.
Delegado orienta
Segundo o delegado Felipe Pelatieri Gonçalves, grande parte destes golpes é realizada por presidiários, com a ajuda de comparsas do lado de fora. O número do telefone da vítima é escolhido aleatoriamente ou copiado de cheques soltos na praça. O depósito é realizado em contas de “laranjas”, que depois são fechadas, dificultando a investigação da polícia.
Para ele, o mais recomendado, nesses casos, é tentar manter a calma e fornecer informações erradas aos criminosos. “Entendo que é difícil, mas a primeira coisa é não entrar em desespero. Para confirmar se o que dizem é verdade, o melhor é passar uma informação contrária ao que dizem. Por exemplo, se eles estão dizendo que estão com uma menina, no meio da conversa diga se tratar de um menino; se o suposto sequestrado for um adulto, diga que é uma criança, desta forma eles acabaram confirmando a sua mentira e você terá certeza que eles não estão com o seu familiar. Além disso, é importante que as pessoas informem a ocorrência desse tipo de crime à delegacia, para que sejam orientadas de como devem proceder”, finaliza o delegado.
Como se prevenir
• Mesmo que desconfie que seja falso, jamais tente resolver um sequestro sozinho. Procure um familiar e a polícia.
• Verifique onde está a pessoa supostamente sequestrada. Utilize-se de qualquer recurso para conseguir falar com ela.
• Se necessário, desligue o telefone logo no início da conversa (para deixar a linha disponível para você tentar contatar a pessoa), depois diga que caiu a linha.
• Não se deixe amedrontar pelas ameaças e leve em conta que, quando os golpistas disserem que não pode desligar, é exatamente porque não querem que você tenha a chance de verificar o que eles afirmam.
• Não ajude o bandido, dando-lhe informações. – Sua filha foi sequestrada. – O que aconteceu com a Fernanda?
• Tire os adesivos do carro, como aqueles que reproduzem o nome do motorista (Leo, Bia), acabam funcionando como fontes de informação.
• Desconfie das ligações longas. Segundo estatísticas da polícia, 90% dos contatos telefônicos feitos por sequestradores duram menos de um minuto;
• Duvide do choro da vítima. Raramente os sequestradores telefonam do mesmo lugar em que a vítima está.
• Não coloque seu telefone no verso do cheque.
• Instrua seus familiares, especialmente as crianças e empregadas domésticas, a não passar informações da casa para estranhos.
• Atenção para ligações de supostos funcionários de operadoras telefônicas. Na dúvida, desligue e contate a operadora.
• Evite receber ligações a cobrar.
• Nunca saia de casa sem celular ou sem deixar telefone para contato e toda vez que desligá-lo, comunique previamente a seus familiares.
Se não possuir telefone celular ou não tiver como deixar um telefone para contato, andar sempre com cartões telefônicos (orelhão) no bolso e informar a família sobre possíveis locais onde possa ser encontrado, pelo menos enquanto essa onda não passar.