Pediatra Carolina Calafiori de Campos alerta aos pais sobre o risco de afogamentos

Com a chegada das férias de verão e pensando na segurança dos pequenos, entrevistamos a pediatra Carolina Calafiori de Campos que explicou sobre os cuidados e o que fazer no caso de afogamento.

No Brasil, os afogamentos são a segunda maior causa de morte e a sétima de hospitalização por motivos acidentais entre crianças com idade de zero a 14 anos, e é durante o verão que as mortes por esse tipo de acidente de crianças e adolescentes se tornam mais frequentes.

Existe uma faixa etária em que as crianças se afogam mais?

O número maior de afogamentos ocorre em crianças de zero até quatro anos de idade; sendo a causa número um de mortes acidentais nesta faixa etária. O motivo da prevalência nessa idade é devido a características próprias do desenvolvimento infantil: até os quatro anos de idade as crianças têm a coordenação motora limitada, pouca habilidade para reconhecer situações perigosas e reagir de maneira rápida e correta para se livrar delas. Além disso, possuem a cabeça proporcionalmente mais pesada do que o resto do corpo, o que prejudica ainda mais seu equilíbrio e também dificulta que consigam se levantar sozinhas em caso de um tombo. Sendo assim, se uma criança dessa faixa etária cai com seu rosto dentro de um recipiente qualquer com até 2,5 cm ou 3 dedos de água (balde, bacia, vaso sanitário etc.) provavelmente ela não conseguirá se levantar sozinha, nem mesmo ter força suficiente para erguer o tronco e tirar nariz e boca da água para que possa respirar. Os afogamentos acontecem na piscina, no mar, no rio e, principalmente, dentro de casa.

O que fazer em caso de afogamento? Quais os primeiros socorros?

Em primeiro lugar tenha sempre em mãos o telefone do SAMU (192) ou do corpo de bombeiros (193). Se presenciar um afogamento, retire a criança da água, mantenha-a aquecida e ligue imediatamente para o SAMU. Em seguida, verifique seu estado de consciência: se a vítima estiver consciente e respirando, retire as roupas molhadas, aqueça-a e aguarde o resgate. Se estiver inconsciente, comece as manobras de primeiros socorros: deite a criança de lado, mantenha-a aquecida e, em seguida, observe se ela está respirando; ligue e siga as instruções dadas pelo atendente do 193 ou 192. Se a criança estiver respirando, apenas aguarde o socorro; caso não esteja respirando, será necessário fazer a reanimação cardiopulmonar (RCP): posicione a criança deitada de barriga para cima sobre uma superfície plana e firme (a cabeça não deve estar mais alta do que os pés para não prejudicar o fluxo sanguíneo cerebral); ajoelhe-se ao lado da criança de maneira que os seus ombros fiquem diretamente sobre o meio do tórax dela; com os braços esticados, coloque as mãos bem no meio do tórax (entre os dois mamilos), apoiando uma mão sobre a outra; inicie as compressões torácicas, que devem ser fortes, ritmadas e não podem ser interrompidas; evite a respiração boca a boca se estiver sozinho, não interrompa as compressões cardíacas; o melhor é revezar nas compressões com outra pessoa, mas a troca não deve demorar mais de 1 segundo.

Quais os cuidados que os pais devem ter?

– Nunca deixe crianças sozinhas quando estiverem dentro ou próximas da água, nem por um segundo. Nessas situações, tenha certeza de que um adulto estará supervisionando as crianças de forma ativa e constante o tempo todo.

– Ensine as crianças que nadar sozinhas, sem ninguém por perto, é perigoso.

– Em relação aos dispositivos de segurança, o mais indicado é o colete salva-vidas; é o equipamento mais seguro para evitar afogamentos; as boias e outros equipamentos infláveis passam uma falsa sensação de segurança, pois podem estourar ou virar a qualquer momento.

– Crianças pequenas podem se afogar em qualquer recipiente com mais de 2,5 cm de água ou outros líquidos, por isso ao terminar de usar qualquer recipiente, esvazie-o e vire com a abertura para baixo; no caso dos vasos sanitários mantenha sempre com a tampa abaixada e, de preferência, com uma trava de segurança.

– Ensine as crianças a não correr, empurrar, pular em outras crianças ou simular que estão se afogando quando estiverem na piscina, lago, rio ou mar.

– Piscinas devem ser protegidas com cercas de no mínimo 1,5 m de altura e portões com cadeados ou trava de segurança. Os alarmes e capas de piscina garantem mais proteção, mas não eliminam o risco de acidentes; também evite deixar brinquedos e outros atrativos próximos à piscina e reservatórios de água.

– Em relação as águas naturais (mar, rios, lagos e represas) tenha certeza de que as crianças estão nadando em áreas seguras e ensine-as a respeitarem as placas de proibição nas praias, os guarda-vidas e a verificarem as condições das águas abertas.

– Mantenha cisternas, tonéis, poços e outros reservatórios domésticos sempre trancados.

A partir de qual idade você recomenda que as crianças comecem na natação?

Crianças devem aprender a nadar com instrutores qualificados ou em escolas de natação especializadas. Não há uma idade específica para iniciar e praticar a natação, porém, de acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria, o ideal é que as crianças comecem a nadar a partir dos 6 meses, pois nessa idade, o ouvido fica desenvolvido o suficiente para dificultar a entrada da água, reduzindo as chances de infecção e o bebê já está imunizado contra algumas doenças, pois já terá tomado parte das principais vacinas. É importante sempre se certificar das condições climáticas e de higiene adequadas da piscina que o seu pequeno vai frequentar.

Algo mais?

Crianças se afogam de maneira rápida e silenciosa. Elas podem perder a consciência em dois minutos submersas e após quatro minutos embaixo d’água podem ocorrer danos irreversíveis ao cérebro. Mesmo crianças que já sabem nadar ou que praticam natação podem sofrer algum tipo de acidente e acabar se afogando.

Dezembro é o nosso “Dezembro Vermelho”, um mês dedicado à prevenção de acidentes na infância e na adolescência; como embaixadora da ONG Criança Segura convido a todos para acessar o site e saber tudo sobre a prevenção do afogamento e outros acidentes: www.criancasegura.org.br

Conheça a profissional

Drª Carolina Calafiori de Campos CRM 146.649, possui registro de Qualificação em Especialista – RQE 73944, Pediatra e Intensivista Pediátrica no Hospital da PUC de Campinas, embaixadora da ONG Criança Segura, colunista pediatra do site Raquel Baracat e é participante do Programa Papo em Dia (Rede Brasil de Televisão).

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