Projeto Rondon revela facetas desconhecidas do Brasil a jovem socorrense

O socorrense Mateus William Zanesco, aluno do 8° período do curso de Odontologia da Universidade São Francisco, acaba de voltar de uma das experiências mais marcantes de sua vida. Filho de agricultores – Adilson Virgílio Zanesco e Silvana Aparecida de Lima Zanesco – a quem é muito grato pelo apoio e pela oportunidade de manter seus estudos; ele exerce a função de agente comunitário de saúde no bairro Salto, onde trabalha durante o período diurno e, no noturno, viaja para Bragança Paulista para assistir as aulas da faculdade.

No mês de julho, durante 18 dias, participou do projeto Rondon na operação Vale do Acre, desenvolvendo um trabalho voluntário em Acrelândia, cidade do interior do Acre, que fica a mais ou menos 110 km da capital Rio Branco.

O Projeto Rondon é coordenado pelo Ministério da Defesa e desenvolve ações locais que contribuem para o desenvolvimento sustentável e bem-estar de comunidades mais desfavorecidas. Isso se dá com a participação voluntária de estudantes universitários.

Mateus integrou uma equipe de 8 alunos da instituição e 2 professores. Para ser um dos 8 selecionados, passou por um processo seletivo muito rigoroso, pois todos os alunos da USF poderiam se inscrever. Abaixo, ele faz um relato de sua experiência, que teve início ainda na universidade, com planejamento e oficinas preparatórias, até a grande viagem.

Operação Vale do Acre 2019

Participar desse projeto, com todas as lições e situações vivenciadas, contribuiu muito para minha formação. Não só a acadêmica, que me fará um profissional com um olhar mais empático e humano, mas também como cidadão; pois conhecer uma região que é ao mesmo tempo tão próxima do ponto de vista geográfico e tão distante socialmente faz refletir e, em especial, lutar para amenizar essas diferenças diariamente e garantir um sorriso de cada vez.

Cada aluno ficou responsável por desenvolver duas oficinas, incorporando nelas conceitos de diversas áreas de pesquisa de modo a nos garantir uma formação ampla, o que permite atuar de forma mais eficaz na sociedade. Assim, as ações do Projeto fizeram jus ao lema que o identifica “Uma lição de vida e cidadania”.

Fiquei com uma oficina de Educação e outra de Cultura. Dos desafios que enfrentei, me aventurar por áreas com as quais eu não estava habituado foi o primeiro. De início, foi um pouco difícil, pois exigiu um estudo mais aprofundado do tema para que depois fosse possível planejar as oficinas.

 No dia 5 de julho, embarcamos para Rio Branco. O transporte aéreo foi por conta da FAB (Força Aérea Brasileira) e na capital acreana ficamos em um alojamento militar – o 4° Bis, junto com as outras 24 instituições de ensino, cada uma de um lugar do país. Ali vivenciamos um pouco da rotina dos militares e fizemos intercâmbio com estudantes de todo o Brasil, que tinham o mesmo objetivo. Logo no segundo dia, fizemos um curso de sobrevivência na selva, ministrado pelos militares e, no dia 07, embarcamos para Acrelândia. Lá chegando, divulgamos nosso trabalho diretamente para a população. Nossa rotina começava às 8 horas, com oficinas no período da manhã, tarde e noite. A comida era um pouco diferente, em especial os temperos, porém, muito saborosa. Eles gostam de usar muito coentro nas suas receitas.

Eles têm muita banana e a preparam frita, como chips, doce, e é da venda desses produtos que vem uma boa parte da renda deles. Já a batata, que para nós é comum nas refeições, não é usada por eles. O que a substituía, nas receitas, era a macaxeira (Mandioca). Tomei muito cupuaçu e açaí, em uma sorveteria maravilhosa, que, em nosso último dia na cidade, nos ofereceu um “Open sorvete”.

Fomos muito bem recebidos por toda a comunidade, mas o carinho e a atenção das crianças nos deixou encantados. Todas com um lindo sorriso estampado no rosto, cheias de amor pelo próximo e curiosidade em participar das nossas oficinas. Confesso que me deparei com uma realidade completamente diferente da minha. Não conhecia esse Brasil tão diferente do vivenciado por mim estando no Sudeste. Lá, a diferença entre as classes sociais é impressionante e muito evidente. Não existe um meio termo: ou se é cheio de posses ou muito carente!

A equipe foi composta pelos seguintes alunos: Mateus William Zanesco (Odontologia), Renato Chiarini Dondi (Fisioterapia), Marina Nobre (Medicina), Gustavo Gimenes (Enfermagem), Danielli Marília Moscão (Fisioterapia), Ieda Caroline Castilho Costa (Medicina), Jaqueline Thais de Lima Franco (Fisioterapia), Victoria Valério Silva Fonseca (Enfermagem).

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