Socorrenses lutaram no front de batalha da Revolução de 32

São Paulo, 9 de julho de 1932. Membros da Assembleia Militar decidiram apoiar uma revolta em que São Paulo terminou lutando sozinho contra o resto do País: a Revolução Constitucionalista de 32. Durante quase três meses, tropas de militares paulistas e voluntários pegaram em armas e combateram bravamente, na tentativa de depor da presidência o ditador Getúlio Vargas e implantar uma nova constituição. Mesmo tendo sido derrotados, os paulistas se orgulham de sua participação no levante e a data de 9 de julho é a comemoração cívica mais importante do Estado.

Memória viva da Revolução de 32, a historiadora Elza Martha Fontana falou esta semana ao O Município para relembrar a participação de Socorro na revolução de 32. Durante a entrevista, ela até recitou alguns versinhos e cantou músicas que circularam entre a população e os combatentes.

O jornal O Município foi quem deu a notícia aos socorrenses. Na edição de 17 de julho de 1932, a matéria de capa, “São Paulo em armas! ”, anunciava que Revolução Constitucionalista de 32 havia estourado. Abaixo, um resumo da matéria:

A 13 de julho, desembarcou em Socorro, pela Mogyana, um destacamento da Força Pública de São Paulo, composto por alunos do Centro de Instrução Militar, chefiado pelo Capitão da Força Pública, sr. Benedito de Castro Oliveira e outras autoridades, que pediram o prédio do Grupo Escolar “Cel. Olímpio Gonçalves dos Reis” para servir de Quartel General. Tropas de Amparo também vieram à cidade, acompanhadas pelo padre Luiz de Abreu.

Era o início da participação socorrense na Revolução. Comícios foram feitos para conseguir voluntários e uma das frases mais marcantes foi a declaração do padre Luiz de Abreu: “Por dentro sou soldado de Cristo, por fora sou soldado da Lei”, o que motivou muitos jovens socorrenses a se alistarem para defender seu estado, dada a empolgação e convicção de suas palavras.

Ao todo, 122 socorrenses se alistaram e várias mulheres – cerca de trinta e cinco, trabalharam na Casa do Soldado, nas equipes da Cruz Vermelha e Enfermagem. Dentre alguns nomes: Albertina Paschoal, Jacy Gonçalves, Aurora Barghini e Mena Báfero. O Batalhão 23 de Maio marchou rumo a Monte Sião, Ouro Fino e Pouso Alegre. Felizmente, nenhum socorrense morreu em combate.

26 horas de fogo cruzado

Socorro também foi sede de violentos combates, como a Batalha dos Francos, onde morreram quatro jovens, Matéria publicada na época pelo O Município destacava: “No dia 18 de agosto de 1932, a 1ª Companhia com 105 homens, de vigilância nas trincheiras do Bairro dos Francos, depois de vários dias e noites, de repente, 6h30 da manhã, o alarme: os mineiros – que eram tropas da ditadura (…) aproximaram-se. A uma distância de aproximadamente 700 metros, começou o tiroteio que durou o dia e a noite toda (26 horas de luta).

Dona Elza se lembra também que a revolução era assunto preocupante do povo. Até nas igrejas, a mando do Clero, os padres, ao mesmo tempo que oficiavam, pediam aos fiéis orações pela paz, recomendavam também que as comunidades rurais plantassem alimentos, já que havia o temor de que poderia ocorrer uma grande escassez de comida, caso a revolta se prolongasse por muito tempo.

Entenda a Revolução

Defendendo a ideia de que o Brasil tinha que elaborar uma nova constituição, os estados de São Paulo, Mato Grosso e Rio Grande do Sul se uniram em um movimento armado para derrubar o governo provisório de Getúlio Vargas.

Um dos fatos que antecedeu a revolta e que também foi determinante para seu início, foi a morte de quatro jovens por tropas getulistas: Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo, ocorridas no dia 23 de maio de 1932; em meio à grande comoção provocada pela tragédia, foi criado, então, o movimento chamado MMDC, sigla que representava as iniciais dos nomes dos quatro mortos.

Mais tarde, os apoios do Mato Grosso e Rio Grande do Sul foram perdidos. Todas as fronteiras de São Paulo foram ocupadas por tropas inimigas e todo o estado foi palco de confrontos. No front de batalha, vários socorrenses se juntavam ao conglomerado paulista. Mas São Paulo estava em desvantagem com seu exército de dez mil combatentes e quarenta mil voluntários, sendo que o exército de Getúlio contava com aproximadamente cem mil homens no final da batalha.

Embora derrotado no campo de batalha São Paulo saiu vitorioso em seus ideais, como destaca o sociólogo José de Souza Martins: “Derrotado nas armas, São Paulo venceu nas iniciativas decorrentes que consolidaram o nosso caminho de modernização econômica e social”.

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