A surdez pode ter causa congênita, adquirida, ser súbita ou gradual, afirmam as fonoaudiólogas

Para conhecermos um pouco mais sobre a deficiência auditiva, suas causas e tratamentos, entrevistamos duas fonoaudiólogas socorrenses: Ana Célia Araujo Martinez, 52 anos, fonoaudióloga há 32 anos, formada pela PUC – Campinas, especialista em Voz – CEV e Pós-graduada em Fonoaudiologia Empresarial– FEAD. E Mônica de Lima Araujo, 43 anos, fonoaudióloga há 23 anos, formada pela PUC – Campinas, especialista em Motricidade Orofacial e Pós-graduada em Linguagem – CEFAC.

O que é deficiência auditiva? Quais são as causas?
Deficiência auditiva – conhecida também por perda auditiva ou surdez, é uma condição em que a habilidade auditiva é reduzida, impactando o dia a dia das pessoas, dificultando o convívio social, o trabalho e a qualidade de vida daqueles que possuem essa condição.
A surdez pode ter causa congênita, adquirida, ser súbita ou gradual.
Perder a audição com o passar dos anos é uma consequência natural. Nossa capacidade auditiva geralmente começa a piorar após os 40 ou 50 anos de idade, dependendo de cada indivíduo, e tende a piorar com o passar dos anos. 40% das pessoas com idade entre 60 e 70 anos têm perda auditiva e esse número sobe para quase 90%, na população com idade superior a 80 anos.
A surdez por exposição a ruídos pode ser uma consequência de se viver em um mundo muito ruidoso, tanto no ambiente de trabalho como em casa. Barulho de motocicleta e exposição contínua a ambientes como construção civil, indústrias, fábricas e máquinas agrícolas podem reduzir a audição pouco a pouco, e quando a pessoa se dá conta já está instalada uma perda auditiva significativa.  Já barulhos explosivos e muito altos, como aqueles gerados por bombas, fogos de artifício, armas de fogo e buzinas, podem reduzir imediatamente a nossa capacidade auditiva.
A deficiência auditiva também pode ter muitas outras causas: meningite, sarampo, caxumba, herpes, gripe, toxoplasmose, rubéola, infecções de ouvido, pressão alta, diabetes. Um paciente diabético, por exemplo, tem o dobro de chance de ter surdez.
Às vezes o problema auditivo pode ser curado com tratamento clínico ou cirurgia, como em alguns casos de surdez causada por otosclerose ou otite crônica. Já a surdez oriunda de dano às células nervosas (células ciliadas) da cóclea ou ao nervo auditivo, só pode ser curada num pequeno número de casos. Mas esse tipo de perda deve ser tratada com aparelhos auditivos, implantes cocleares ou terapia fonoaudiológica de reabilitação.

Quais são as deficiências auditivas mais comuns?
São aquelas causadas por exposição a sons intensos ou por envelhecimento.

Quais os diferentes tipos de perda auditiva?
A perda auditiva pode ser classificada como condutiva, neurossensorial ou mista. Pode ocorrer perda total ou parcial da audição e acometer apenas um ouvido ou os dois, simultaneamente.
Ela pode ocorrer em diferentes graus: leve, moderado, severo ou profundo.
Na perda auditiva leve, sons fracos ou distantes são difíceis de escutar. Há incapacidade de ouvir sons abaixo de 30 decibéis. Também fica difícil de entender uma conversa e a pessoa deve pedir para que a frase seja repetida frequentemente, parecendo estar sempre distraída.
A perda auditiva moderada ocorre entre 40 e 70 decibéis e só são compreendidos sons de média e alta intensidade, causando dificuldade na comunicação e necessidade de fazer leitura labial para melhor compreensão. Entender a fala é muito difícil na presença de ruído de fundo, e o uso de aparelhos auditivos pode ser necessário.
A perda auditiva severa ocorre entre 70 e 90 decibéis e observa-se que as conversas têm que ser conduzidas em voz alta. Alguns indivíduos com perda auditiva severa se comunicam principalmente pela linguagem gestual; outros contam com uso das técnicas de leitura labial. O uso de aparelhos auditivos é indicado para a maioria desses casos, para resgatar a comunicação.
Na perda auditiva profunda, a capacidade de escutar ultrapassa 90 decibéis e, por isso, é possível escutar apenas alguns sons muito fortes. Sem aparelhos auditivos, a comunicação não é mais possível, mesmo com muito esforço. Observa-se que a pessoa portadora de deficiência auditiva profunda tende a se isolar socialmente. O déficit na capacidade de ouvir pode acelerar o declínio cognitivo, desencadear depressão e até aumentar o risco de quedas. É possível, também, diminuir as habilidades de memória e raciocínio.

Como é feito o diagnóstico? É hereditário?
Alguns tipos de surdez podem ser hereditários. Para fazer o diagnóstico é importante procurar um otorrinolaringologista e, também, realizar um exame de audiometria, com um fonoaudiólogo.
Na Clínica Center foi construída uma sala acústica para a realização de exames auditivos, que segue o padrão internacional encontrado nos melhores centros auditivos do mundo, com equipamentos de ponta. Assim, os exames, atualmente, não são mais realizados em cabina acústica, mas numa sala acusticamente tratada, climatizada e com acessibilidade, o que permite a realização dos exames por pessoas com dificuldade de locomoção e, também, por aquelas pessoas que não conseguem permanecer em uma cabina acústica fechada, convencional.

Quais são os tratamentos disponíveis?
Dependendo do tipo e do grau de perda auditiva, as opções de tratamento podem incluir medicamentos, cirurgia, aparelhos auditivos ou implantes auditivos.

Como saber se posso ter deficiência auditiva no futuro? Corro o risco de surdez?
Mesmo que a pessoa seja ainda jovem, é preciso ficar atento a alguns comportamentos. Os primeiros sinais indicativos de perda auditiva são: necessidade de ouvir TV e rádio em alta intensidade, virar a cabeça em direção ao som para compreender melhor, falar muito alto ou muito baixo, ter dificuldade em comunicar-se em ambientes ruidosos (carro, ônibus, festas), não escutar o tique-taque do relógio, o som das águas, nem o canto dos pássaros, ouvir com dificuldade o toque de campainha e de telefone, fazer uso de leitura labial durante uma conversa, pedir para repetir o que foi dito, ter zumbido (92% dos casos de zumbido estão associados à perda auditiva!).
A maioria das perdas auditivas não tratadas pode levar à instalação de uma surdez mais profunda, perda de equilíbrio e falhas de memória. Não ouvir bem pode ser um fator de risco para o declínio cognitivo/demência, como o Alzheimer. Por outro lado, há o benefício potencial no uso contínuo de aparelhos auditivos na preservação ou mesmo na melhoria das habilidades cognitivas, com melhora na velocidade de resposta (processamento da informação) e no equilíbrio corporal. Sendo assim, usar aparelhos auditivos não é apenas uma opção, mas uma arma na prevenção de doenças cerebrais cognitivas, que são permanentes.

Usar aparelhos no volume máximo pode prejudicar?
A exposição a ruídos intensos – por exemplo, o uso de fones de ouvidos com música em volume alto – atinge diretamente os ouvidos, e a exposição contínua a níveis de ruído pode causar perda progressiva da audição.

Algo mais?
Muitas pessoas se queixam de zumbido. Alguns são agudos e outros graves. Os tipos de zumbido mais comuns são: apito, chiado, cigarra, grilo, cachoeira, panela de pressão, motor, escape de ar. Algumas vezes o zumbido pode lembrar a batida do coração ou ser um pouco mais rápido, como a batida de asa de um inseto.
Hoje em dia, trabalhamos com uma linha mais moderna de aparelhos auditivos “invisíveis”, com som de ouvido humano e que possuem recursos para tratamento do zumbido.

Serviço
Center – Centro de Terapias
Marechal Deodoro 99 – Centro
Fone: (19) 3895-1020
Facebook: Ana Célia Araujo Martinez/Mônica Araujo

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