Trio Macunaíma leva música brasileira para os jovens das Escolas Estaduais

Importante ação do governo estadual que promove o incentivo cultural, o ProaC Municípios foi trazido para Socorro em 2019 pela Secretaria Municipal de Cultura. Os prêmios que vão desde 10.000 reais permitem a pesquisadores e artistas desenvolverem projetos que tragam um retorno para a comunidade. Entre os projetos contemplados pelo primeiro edital do ano passado está um que envolve a performance musical e que, desde o ano passado, vem trazendo oficinas e apresentações de música de câmara para escolas e espaços públicos da cidade.

O Projeto inscrito pelo jovem professor e violonista Igor Montini na verdade contempla o Macunaíma, trio formado por ele e seus dois parceiros na música: Alessandro Lima e Maicon Braga. A amizade e afinidade musical entre os três foi construída durante o tempo em que tocavam juntos na camerata de violões do Conservatório Municipal e ministravam aulas de violão, estagiando sob a orientação do professor Gabriel Perre. Com eles, vários socorrenses – e pessoas da região – fizeram sua iniciação ou aprimoramento musical por meio deste instrumento tão nosso que é o violão.

Embora sejam bastante ecléticos, a base do trio é a música popular brasileira, daí a escolha do nome “Macunaíma”, sugestão de Alessandro, em homenagem a obra de Mário de Andrade que por muitos é considerada representante da criação artística genuinamente brasileira. No repertório do grupo está Sivuca, Hermeto Pascoal, Tom Jobim, Jacob do Bandolim, entre outros. Eles devem continuar com o cronograma do projeto se apresentando para o público durante o ano. O interessante de terem sido contemplados com ProAc é que os shows e as oficinas são gratuitas ao público, divulgando e ampliando o acesso à cultura, além de fomentar e profissionalizar a produção cultural na região. Além das apresentações, o grupo também fará um trabalho educativo por meio de Oficinas a serem realizadas na Biblioteca Municipal.

No último dia 20/02, estiveram na EE José Franco Craveiro onde tivemos a oportunidade de entrevistá-los. Na ocasião, Maicon Braga salientou a importância de termos projetos como esse em Socorro, permitindo o desenvolvimento de trabalhos significativos nas diversas áreas culturais; opinião compartilhada por Igor e Alessandro.    Confira a entrevista a seguir:

De onde surgiu a ideia do projeto?

A ideia surgiu da importância de levar um estilo de música pouco conhecido do grande público e não muito comum na cidade de Socorro diretamente para locais de concentração de jovens e idosos, que se não fosse pela iniciativa do projeto teriam maior dificuldade de acessar e\ou conhecer este tipo de arte.

Quantas apresentações já foram realizadas em escolas? Quantas ainda devem realizar?

Foram realizadas 3 apresentações em escolas estaduais de Socorro envolvendo todos os períodos letivos. A primeira escola a nos receber foi a E. E. Professora Helena José Bonfá, a segunda a E. E. Josephina Galvão de França Andreucci e a última a E. E. José Franco Craveiro. Ainda será realizada uma apresentação no Asilo José Franco Craveiro, no dia 29 de fevereiro e outra na rua 13 de maio no dia 21 de março.

Como é interagir com esse público – o do jovem – no espaço da escola?

É sempre uma surpresa, para nós e para eles, acredito. Nos dispomos a mostrar nosso trabalho e a despertar a curiosidade para um estilo pouco usual de música e ao mesmo tempo nos colocamos em contato com um público que também não estamos acostumados: é uma troca. Um dos objetivos do projeto é exatamente esse, o de possibilitar o encontro, o acesso a arte.

Estamos realizando as apresentações durante os intervalos entre as aulas, então não é obrigatório que as pessoas estejam ali interagindo com a gente, mas estamos abertos para que isso aconteça. Tivemos várias experiências durante as apresentações. Há vezes que viramos o centro das atenções, as crianças e adolescentes param, sentam perto de nós e ficam assistindo. Outras vezes uma parte segue seu fluxo costumeiro do intervalo, comem e ficam conversando com os amigos(as). Uma parte das pessoas já é mais curiosa, conversa conosco e pergunta como fomos parar ali, etc. Tem aqueles olhares de curiosidade que ficam passando de tempo em tempo. E outras vezes ficamos ali como música ambiente de um intervalo entre aulas. Enfim, acreditamos que todos esses acontecimentos são válidos e mexem com os alunos e com a gente também, construindo o que é nossa música.

Vocês já realizaram oficinas no ano passado. Como foi?

Não realizamos oficinas enquanto Trio Macunaíma, mas realizamos duas oficinas individualmente. Maicon ofereceu uma oficina de harmonia e Igor uma oficina de violão. Ambas através do COMUPC (Conselho Municipal de Políticas Culturais) que abre inscrições todo início de ano para projetos culturais na cidade de Socorro.

[Maicon] Foi uma experiência muito importante para mim, pois foi minha primeira oficina e nela pude compartilhar um pouco do que aprendi aqui em Socorro, no Conservatório, o que aprendi com Daniel Dias, e também o que fui buscar um tanto mais longe, em Barbacena, na Bituca – onde tive aulas com Ian Guest, uma das lendas vivas da música. Outro ponto importante é destacar que essas oficinas possibilitam aos jovens de Socorro compartilharem seus conhecimentos e mostrar que ainda que estejamos trilhando nossos caminhos (e sempre estaremos) já temos uma bagagem que pode ser passada adiante. Acredito que eu e Igor, além do Vitor Souza, que me vem na memória agora, sejamos exemplos dessa potência que as políticas culturais que veem sendo realizadas em Socorro têm.

[Igor] As oficinas são, sem dúvida, um momento de importante troca entre o grupo e o que está sendo trabalhado. O retorno foi bem satisfatório, superando minhas expectativas. Planejei abordar para os participantes exercícios e ritmos pouco praticados e de forma mais introdutória, mas que trouxesse ideias sobre o assunto e algumas dúvidas e observações quanto ao instrumento. Além de ter sido um espaço importante para minha formação, foi também a minha primeira oficina em que envolvi os assuntos ao longo dos estudos violonísticos e das observações de alunos nas aulas de violão.

Quando serão as próximas oficinas e o que está previsto para elas?

Realizaremos duas oficinas pelo ProAc Municípios com o Trio Macunaíma. A primeira será de rítmica, no dia 21 de março, as 14h, na Biblioteca Municipal. Nela abordaremos o pulso como unidade para se tocar em conjunto. Realizaremos diversas dinâmicas para trabalhar a pulsação interna e coletiva. Faremos exercícios com o corpo e com a mente. Terá até um pouco de dança. Será uma oficina aberta para todos que têm interesse em música: para quem já toca algum instrumento ou não.

A segunda oficina será de Música de câmara e contará um pouquinho do que é esse formato com o qual trabalhamos: como é tocar em três violões, como é tocar acústico, as técnicas que utilizamos, como é a seleção de repertório – sempre com exemplos musicais. E dentro disso daremos dicas para os violonistas de como essas práticas podem ser colocadas dentro da realidade deles. As pessoas serão convidadas a tocarem um pouco também, para que a interação não fique só na fala, mas inclusive na música. Esta segunda oficina acontece no dia 4 de abril, as 14h, támbém na Biblioteca. As inscrições podem ser feitas no (19) 99767-1833 ou pelo e-mail maiconrbraga@hotmail.com

O Trio tem planos para depois da conclusão desse projeto?

Neste ano retornaremos com a Camerata de Violões do Conservatório de Socorro, então teremos dois projetos em conjunto, um que agregará mais músicos, formando uma grande orquestra de violões e o trio, que seguirá com o propósito de levar música de câmara feita com violões para Socorro e região.

Algo mais?

Gostaríamos de agradecer pelo espaço e pela entrevista. Agradecer também a Prefeitura, a Secretaria de Cultura, ao COMUPC e ao Governo do Estado, sem os quais a realização desse projeto seria impossível. Também agradecer a todas as escolas pelas quais passamos e ao Asilo, que irá nos receber. E por último, mas não menos importante, a todos os parceiros deste projeto: Luis Fernando (Discolado) que fez todas as artes pra gente, a Júlia Bernardi e a Miyashiro, que fizeram nosso ensaio fotográfico, ao Michael Gollo (da MG Comunicação e Design), que fez a impressão do nosso banner.

Compartilhar/Favoritos

Nenhum comentário ainda.

Deixe um comentário

Você deve ser de logged em para postar um comentário.