Trio Nascente apresenta ritmos brasileiros aos socorrenses

Baião, frevo, maracatu, xote, choro, sinfônicas… Não só de samba e MPB se faz a nossa música. Entre o folclórico e o erudito, a música brasileira se reconstrói o tempo todo, trazendo a marca da mistura de etnias e encantando pessoas pelo mundo afora. Aqui, no entanto, é pouco ouvida, conhecida, respeitada.  O Projeto “Revelando o Som do Brasil a Socorro”, de Fernando Cesar Perre, tem por objetivo lançar sementes para reverter esse quadro em nossa cidade. Fernando foi contemplado com um dos prêmios do ProAC Municípios e o projeto será desenvolvido pelo Trio Nascente, formado por ele (contrabaixo), seu irmão Gabriel Perre (violão) e o amigo Ângelo Bonetti (violinista). Apesar de formarem um trio, contarão com um parceiro percussionista, o André Faraco. Um apaixonado pela música instrumental, Fernando esteve em nossa redação, com seu contrabaixo, para contar sobre os objetivos do projeto que começam a desenvolver nesse semestre.

De onde surgiu a ideia para o projeto?

Estudo música desde os 13 anos e pude descobrir toda uma variedade de ritmos, trazendo emoções diversas para mim quando ouvidos ou tocados.  Por experiência própria posso dizer que a música, em especial a instrumental, aguça a sensibilidade, faz a gente pensar e se reconhecer como ser humano. Compreendo a importância da música na vida como uma oportunidade de elevar o espírito… Então, é importante que todos tenham mais acesso a ela. O projeto tem a ver com isso: mostrar que existe uma infinidade de ritmos a se descobrir… e temos hoje possibilidades de ouvir fazendo uso de diversos recursos tecnológicos. Há um tempo atrás era mais complicado.

Você fala do papel da música em si, mas o projeto tem a ver com música brasileira… Por quê?

A música internacional, em especial a veiculada pela indústria cultural, é mais difundida, está nos diversos tipos de mídias. Já no caso da música brasileira, poucos ritmos são divulgados e geralmente o samba ou sertanejo. Mesmo esses ritmos poderiam ser melhor conhecidos e entendidos. Há uma necessidade de valorização da cultura brasileira, de torná-la conhecida… No que se refere à música, além do samba, temos ritmos próprios de cada região e, inclusive, música erudita que carrega em si marcas da nossa cultura popular.

Falar sobre música brasileira é de certa forma complexo, mas, em linhas gerais, como você definiria a diversidade de ritmos?

No choro isso é facilmente percebido, mas creio que em toda nossa música há uma mistura de uma essência tribal de “África” e/ou Indígena com a música “cerebral” europeia.  Compositores eruditos como Vila Lobos e Radames Gnattali souberam explorar essa essência e traçaram o diálogo com a música popular, incorporando-a na erudita… Já a MPB com compositores como Jobim, por exemplo, também fez diversos passeios, dialogando com o jazz que traz em si uma essência afro … Também percebemos isso nos ritmos considerados regionais, folclóricos e de raiz. Um bom exemplo é o baião. Todos os nossos ritmos trazem marcas da mistura étnica e quando contextualizados podem ser relacionados com diversos elementos culturais, inclusive a gastronomia.

Quais serão as estratégias para colocar a sua ideia em prática?

Vamos trabalhar a linguagem da música instrumental brasileira, estabelecendo as associações culturais e contextualizações. Pretendemos fazer uso de imagens de modo a poder demonstrar a relação entre os ritmos e as etnias.  Pensamos em levar para as escolas da zona rural por meio de apresentações – concertos didáticos -, tocar e falar sobre o Ritmo com as explicações comparativas entre os ritmos e instrumentos. Vamos demonstrar o que o instrumento busca: o instrumento é a voz sem letra – transmitir algo verdadeiro.

Vocês já definiram onde serão os concertos e oficinas?

A ideia é estabelecer parceria com a Secretaria de Cultura e a relacionada à cidadania, de modo a definir de acordo com as demandas sociais que a Prefeitura nos ajudar a verificar. Não queremos fazer escolhas aleatórias. Assim que definido, faremos a divulgação em parceria com a Secretaria da Cultura e o Conservatório Musical de modo a fazer com que a ideia do Projeto chegue a um maior número de pessoas.

O Governo Estadual sempre solicita, no ProAc, a especificação de uma contrapartida. Qual será a de vocês?

De certo modo, todas as ações do projeto são contrapartidas. Faremos 4 Concertos didáticos para Comunidades da Zona Rural e duas oficinas sobre ritmos brasileiros em Escolas da Cidade. As oficinas serão temáticas. Levar as apresentações para a Zona Rural é importante para que se descentralize a cultura. Todas as apresentações serão sonorizadas e faremos a distribuição de panfletos educativos e da agenda anual de aulas e oficinas gratuitas de Socorro.  Além disso, faremos o sorteio de instrumentos, Cds e livros. Todas as atividades serão gratuitas.

Qual o principal retorno para vocês?

Cumprir com o objetivo central do projeto será nosso maior retorno. Espero que a música toque as pessoas como toca a nós, as transforme e traga a elas os mais diversos benefícios. Também acreditamos que seja possível a descoberta de novos talentos que podem ser expandidos, sendo direcionados à cursos específicos.

Algo mais?

Gostaria de agradecer ao espaço para essa entrevista, ao apoio da Secretaria de Cultura e ao nosso Conservatório Municipal pelo apoio de sempre e a parceria nesse projeto.

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