Universidade de Buenos Aires – uma opção de estudo para pessoas de qualquer idade

Sarah Beatriz durante entrevista na redação de nosso jornal

Nos últimos dias saíram os resultados do Enem e do SISU e ao longo do mês as diversas universidades brasileiras iniciam suas matrículas para o ano de 2020. Estudar no país, entretanto, não é a única alternativa para os que buscam o ensino superior e, cada vez mais, os jovens socorrenses têm buscado outras opções.  Sarah Beatriz de Moraes, 21, fez o ensino básico aqui em Socorro, parte no Instituto e parte no  Objetivo. Seu sonho: estudar medicina e se especializar na área de psiquiatria. Destino: UBA – Universidade de Buenos Aires, que segue um modelo institucional semelhante ao de Havard e é bem conceituada internacionalmente, possuindo 5 prêmios Nobel, sendo 3 na área de medicina. Confira a entrevista na qual ela nos conta sobre sua escolha e o processo para ingressar nessa Universidade.

O que a levou a pensar na possibilidade de estudar na Argentina?

O método de ingresso é o que mais atrai as pessoas. Cansei de ficar na lista de espera – fala sorrindo -, estudei no Objetivo e fiz três anos de cursinho. Fiquei na lista da UNIFESP, FAMERP e FAMEMA nesses três anos. O estudo para o vestibular satura e, então, “caiu do céu” uma alternativa. Eu não busquei. A Mariane, uma amiga que estudou comigo no Cursinho Integral em Bragança, me falou sobre a universidade e, em um primeiro momento, a facilidade de ingresso me pareceu interessante. Depois, fiquei atraída pela possibilidade de intercâmbio cultural, de poder me tornar fluente em uma nova língua e vivenciar outra cultura em todos os seus aspectos. Nessa fase da vida, a cabeça da gente muda muito… há algum tempo atrás, eu não iria. O tempo de cursinho foi bom, adquiri maturidade para ter uma melhor certeza de minhas escolhas e poder tomar esta decisão.

Você mencionou o método de ingresso, o que há de diferente nele?

Na Universidade de Buenos Aires, para onde vou, qualquer um pode se inscrever sem passar por um vestibular. Não importa a idade e não é preciso ser argentino; recebem gente de vários países, seguindo as mesmas regras, sem diferenciação. É preciso ter um certificado que comprove um nível intermediário muito bom de espanhol. Não é necessário fazer um curso da língua em si, só se inscrever para uma das provas aceitas: SIELI, CELU que podem ser feitos em qualquer lugar do mundo, inclusive no Brasil, ou o CEI que é feito lá mesmo. No meu caso, eu estudei no Centro de Línguas do Narciso e depois fiz o CELU. Tendo um desses certificados é só validar o diploma de ensino médio na Argentina – isso pode ser feito por uma assessoria – e se inscrever para fazer o CBC (Ciclo Básico Comum). A universidade é dividida em três ciclos, o primeiro é a base para os demais e tem aulas (virtuais e presenciais); é preciso cursá-lo e ser aprovado em 6 disciplinas – 4 específicas relacionadas com o curso escolhido e duas genéricas para todos os cursos – com nota mínima 4, que equivale a 60%. Concluída essa etapa, possível se matricular para o segundo ciclo e prosseguir com os estudos na Universidade. Ah, é preciso também tirar um certificado de antecedentes criminais e depois fazer a identidade de estrangeiro, que será o seu RG para poder morar na Argentina como estudante e, se for necessário, trabalhar lá.

O CBC é composto por seis disciplinas, no caso da medicina, quais seriam? 

Matemática, Química, Biofísica, Biologia Celular, Introdução ao Pensamento Científico e Introdução ao Conhecimento de Sociedade e Estado. Elas podem ser feitas num prazo que vai de 6 meses a 3 anos, mas minha meta é fazer em um e cursar uma disciplina nas férias. Depois, na medicina há o ciclo biomédico e o clínico, além do internato.

Vista do prédio de Medicina do Campus Universitário da UBA

A UBA é pública e gratuita. Aqui em São Paulo, as universidades públicas também são gratuitas; mas, além disso, oferecem vários programas de bolsa e incentivo. Isso ocorre lá também?

Não tenho muitas informações sobre isso ainda, mas o governo oferece bolsas semelhantes as das universidades públicas daqui: moradia, alimentação, transporte. É necessário se inscrever, normalmente no início do ano e, como aqui, há uma seleção, com critérios. Existe também o sistema de “ayudantia”, uma espécie de monitoria, similar as das universidades públicas brasileiras. Lá é preciso fazer um curso especial e prestar uma espécie de concurso para entrar no programa. Depois disso, o aluno se torna um ”ajudante”, que auxilia os professores em determinadas disciplinas. O aluno não necessariamente recebe bolsa; o objetivo, no caso é pedagógico, relacionado à experiência e formação do “ajudante”.

Em relação aos demais gastos, quais as possiblidades para um brasileiro que se matricule na UBA?

Terá de contar com o apoio da família para os custos do cotidiano como moradia, alimentação, saúde… Mas também existe a possibilidade de trabalhar, inclusive no caso da medicina, porque o curso não é integral como no Brasil. Depois do CBC, ele se dividirá em  TP (Trabalhos Práticos) que são obrigatórios e os Seminários, com os professores mais renomados , para os quais não é feita a cobrança da assiduidade e podem ser “administrados” de acordo com a necessidade e o interesse do aluno.

Quando você vai?

Eu embarco no dia 11 de fevereiro. Meu pai vem junto para me ajudar com os detalhes que se referem à moradia e minha estadia lá. Vou ficar em uma residência temporária e em março mudo para um apartamento que dividirei com uma amiga que fez cursinho comigo e está lá faz um ano. Foi ela quem me mostrou essa possibilidade de estudo. Sei que vou ter saudades, em especial da família, dos cachorros e dos amigos, mas valerá a pena!

Algo mais?

O sistema de ingresso é democrático, mas o CBC é bastante importante para que o aluno perceba se fez a escolha certa. Nesse sentido, ele é como uma “peneira”, pois muitos acabam desistindo. A informação que tenho é de que no último ano, de 20000 matriculados para o CBC, apenas 6000 ingressaram no primeiro ano.  Você tem de pensar se vai dar conta, se é o que quer realmente. Tenho informação de que aqui no Brasil também existe um problema similar. As pessoas creem que o mais difícil seja ingressar na universidade pública e depois descobrem que o difícil mesmo é concluir o curso, não desistir ou querer trocar de curso… Algo interessante sobre a UBA é que a maioria das provas são orais – em especial as finais – e são raras as provas com alternativas.

Para qualquer área, não só medicina, ao terminar o curso é preciso fazer o “Revalida” na volta ao país, para que o diploma tenha validade e seja permitido trabalhar aqui no Brasil; porém pode ser apenas homologado para Portugal e Espanha, países considerados porta de entrada para a Europa. É um diploma que abre possibilidades, assim é uma alternativa positiva não apenas para o jovem em fase vestibular, mas para qualquer um que queira ampliar seus horizontes culturais. O leitor do jornal que tiver interesse em saber mais sobre o estudo do espanhol ou a Universidade de Buenos Aires em si pode entrar em contato comigo pelo instagram @sabtz

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