Veterinária explica como a alimentação equilibrada aumenta a qualidade de vida dos pets

Nossos pets são parte da família. Garantir a saúde e o bem-estar do animal é essencial para que possamos viver muitos momentos felizes ao lado deles. Para sanar dúvidas a respeito da alimentação correta, entrevistamos a médica veterinária Letícia Martins de Pádua.

Qual seu conselho para os tutores com a alimentação de seus pets no dia a dia?

É de extrema importância uma ração completa, ou seja, uma ração que ofereça todos os nutrientes necessários e específicos para cada espécie, raça, porte e fase de vida do animal (filhotes, adultos e idosos). Isso contribui para um desenvolvimento saudável, além de garantir a saúde oral do animal por meio do atrito do grão com os dentes, auxiliando na limpeza e prevenção de tártaro.

A qualidade da ração influencia muito na saúde e bem estar dos animais. Uma ração de baixa qualidade (classificadas como econômicas), muitas vezes acarreta em anemias e fezes volumosas. Em felinos, por exemplo, o uso de rações de baixa qualidade facilita a ocorrência de problemas urinários.

Quais são os principais erros na alimentação dos pets?

Os principais: tigela de plástico; oferecer alimentos humanos; guloseimas e petiscos em excesso; não considerar estilo de vida, idade, raça do animal ao escolher uma ração; trocar a alimentação porque meu pet “enjoou” da antiga; oferecer ossos, carnes cruas e leite.

O que esses erros podem causar na saúde do animal?

Tigela de plásticos – Por conta do valor acessível, são as mais usadas. Por mais que sejam convenientes, o atrito na hora da limpeza resulta em pequenos sulcos facilitando a “entrada” e multiplicação de bactérias, o que pode causar acne em felinos e reações alérgicas em cães. O uso de recipientes de cerâmicas ou aço inoxidável é uma alternativa mais segura.

Oferecer alimentos humanos – Cães e gatos são diferentes dos humanos e, por isso, têm necessidades fisiológicas específicas. Para que a dieta caseira seja adotada de forma correta, o ideal é ir a um veterinário especialista que indique a forma adequada de preparar uma refeição com nutrientes equilibrados de acordo com as características do seu pet, além disso, alguns alimentos humanos são extremamente tóxicos aos pets, por exemplo: chocolate, uva, doces e alguns temperos.

Guloseimas e petiscos em excesso – Oferecer petiscos e guloseimas é, sem dúvida, uma forma de demonstrar todo o carinho e apego ao animal, mas é importante ressaltar que o consumo excessivo desses alimentos resulta em obesidade e, muitas vezes, em doenças endócrinas. Recomenda-se o máximo de 5% da ingestão diária em forma de petisco.

Não considerar estilo de vida, idade, raça do animal ao escolher uma ração – Assim como para os humanos, a alimentação dos animais é caracterizada pelo estado fisiológico em que o animal se encontra bem como estilo de vida. Animais mais caseiros e sedentários necessitam de uma menor quantidade de nutrientes e energia quando comparados a animais que possuem estilo de vida mais agitado (como cães atletas, por exemplo).

Trocar a alimentação porque meu pet “enjoou” da antiga – Toda vez que há a troca do alimento, o “efeito novidade” faz com que ele queira consumir mais do que de fato precisaria. Quanto maior a variedade oferecida aos cães e gatos, especialmente de petiscos e extras, mais o animal selecionará os alimentos. A troca de ração de forma abrupta pode causar problemas intestinais, por isso é necessário que seja realizada a “troca gradativa”, a nova ração é misturada aos poucos com a antiga, até que fique apenas uma na tigela, evitando que o organismo do animal “sinta” a mudança.

Oferecer ossos e carne crua – Os cães adoram roer ossos de aves e bovinos, porém não é recomendável, uma vez que podem perfurar o esôfago, estômago ou intestino. Então, os snacks funcionais, que são específicos para os cães, trazem inúmeros benefícios para sua saúde e não oferecem riscos de perfurar nenhum órgão digestivo do animal. Oferecer carne crua para os pets pode resultar em problemas gastrointestinais, uma vez que não se sabe a forma em que esses alimentos são armazenados. Caso o tutor queira oferecer esses tipos de alimentos, é recomendado procurar um médico veterinário especialista em nutrição, para que ensine as formas seguras de preparar e evitar infecções.

Oferecer leite – Diferente dos humanos, os animais só necessitam ingerir leite materno enquanto são filhotes. Em filhotes que perdem a mãe, recomenda-se o uso de leites substitutos comerciais próprios para a espécie, pois o uso de leite de vaca pode ocasionar problemas gastrointestinais graves. Em casos de envenenamento, o leite também não é indicado, pois não tem o “poder” de excretar as toxinas do veneno do corpo do animal, nesses casos procure ajuda médica imediata.

Como saber se meu pet está com problema na alimentação?

Se seu pet estiver com excesso de peso ou magro demais, procure um medico veterinário. Outros sinais importantes: diarreia constante com sangue e/ou odor fétido; diminuição ou cessação da alimentação e/ou procura por comida; vômitos e regurgitações (vômito com pedaços inteiros de alimentos).

Algo mais?

Primeiramente gostaria de agradecer ao jornal pela oportunidade de falar um pouquinho sobre meu trabalho. Os animais da última década vêm apresentando cada vez mais doenças metabólicas, crônicas e degenerativas, isso demonstra que a medicina preventiva vem sendo muito importante para essas espécies também. É importante ressaltar que a medicina preventiva veterinária está além da vacinação, vermifugação, castração e controle de parasitas; o manejo nutricional é parte importante nesse quesito, pois evita problemas de saúde futuros e contribui para uma verdadeira qualidade de vida do animal.

*Letícia Martins de Pádua tem 24 anos, formou-se em medicina veterinária na FESB em 2018 e em abril iniciará sua pós-graduação em nutrição animal. Telefone para contato: (19) 99735-4087.

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