Alienção parental: quando os pais utilizam o filho para se vingar da rejeição

Leitura obrigatória

Podemos compará-la ao chamado Coplexo de Édipo, quando ou pai ou a mãe se junta ao filho para tirar seu parceiro ou parceira de sua vida, por estar “atrapalhando” sua vida.

Para um filho, a separação dos pais nunca é boa e a situação se agrava quando, com a guarda compartilhada, o pai ou a mãe começam a fazer com que ele se volte contra o outro. Esta situação é mais comum do que parece, e para falar sobre o assunto, o Jornal O Município entrevistou o psicólogo Francisco Pinto, para orientar e tirar algumas dúvidas sobre o assunto.

OM – O que é a Síndrome de Alienação Parental (SAP)?
Francisco – É quando, em uma relação desvinculada, a criança fica com um dos genitores e este, que no caso seria o abandonado, começa a transferir para o filho todos os sentimentos de rejeição e raiva. Ele acaba utilizando a criança como ferramenta para chantagens e como uma forma de atingir o outro.

OM – Esta situação é comum entre os casais que se separam?
Francisco – É muito mais comum do que podemos imaginar. Podemos compará-la ao chamado Coplexo de Édipo, quando ou pai ou a mãe se junta ao filho para tirar seu parceiro ou parceira de sua vida, por estar “atrapalhando” sua vida. A situação volta para a sociedade contemporânea e pode acontecer mesmo sem a separação, quando o progenitor deseja alcançar seu objetivo e o outro estaria impedindo isso. Ele manipula e controla o filho para que este possa controlar o outro.

OM – A guarda compartilhada é melhor ou pior para os filhos de pais separados?
Francisco – Nunca é boa! Pois, de qualquer forma, o filho quer os pais juntos. A briga é ruim para a criança, mas ele prefere estar com os dois sempre juntos. Portanto, quando a relação começa a se desequilibrar, a separação tem que ser o último recurso do casal, e pode ser evitada ao voltar ao ponto de origem, para saber o que causou o desequilíbrio e tentar resolver, mesmo que seja com a ajuda de um profissional. Vivemos hoje em uma sociedade imediatista, que imagina que o mais prático é o melhor, porém, não mede as consequências em longo prazo, e são estas consequências que podem prejudicar no desenvolvimento de um filho.

OM – O que fazer quando um casal em conflito envolve os filhos na briga?
Francisco – O casal precisa separar o que é o casal e o que é do filho. As brigas, desentendimentos, os problemas entre o homem e a mulher não dizem respeito aos filhos, portanto, os pais não podem agregá-los aos problemas do casal.

Ao perceber o envolvimento da criança nos conflitos do casal, uma pessoa de fora ou até mesmo um profissional podem ajudar a afastá-la, evitando que ele se sinta responsável pela saída de um dos pais de casa.

OM – Que males essa situação causam às crianças? Quais os sintomas que aparecem?
Francisco – No primeiro momento, a criança fica apática, não se envolve, fica anestesiada, sem saber o que se passa a sua volta, em estado de choque, pois tudo o que ela acreditou fazer parte da sua vida, uma coisa real, que é o amor entre seus pais, acabou, então ela fica confusa e isto é perceptível em seu comportamento, tanto em casa, como na escola, pois ela se isola, não se interage mais com ninguém.

Há casos, também, em que acontece o contrário, e esta situação se reverte em ansiedade, deixando a criança agitada e até agressiva. Ela se volta contra o outro, no caso de quem saiu de casa, com medo de ficar sozinha, já que da mesma forma que a pessoa abandonou a casa, ela também pode ser abandonada. São os dois extremos.

Em outro momento, o filho começa a se sentir culpado pela separação e isso pode levá-lo a um estado depressivo, perdendo a vontade de fazer as coisas. Não é depressão, porém mais para frente pode vir a se tornar, caso não seja tratado.
Em longo prazo, toda a revolta gerada contra a mãe, no caso da novela, pode se voltar contra o pai. Pois, quando crescer, o filho descobrirá a verdade e perceberá que foi manipulado e controlado contra sua mãe. A pessoa pode ser o que for, mas para um filho ela sempre será seu pai e sua mãe.

OM – Como é que os pais pedem ajuda? Como é que esses pais se encaminham para resolver essa situação?
Francisco – A solução indicada é sempre a orientação de um profissional que não tenha vínculo com nenhum dos dois. Quando buscamos ajuda com familiares, sempre haverá alguma tendência para um dos lados, isto é natural, e não quer dizer que os conselhos sejam ruins. Porém, um profissional analisará a situação e ajudará o casal, sem pender para nenhum lado.

OM – Os adultos conseguem superar o trauma da infância?
Francisco – Os adultos passam a lidar com o trauma, mas não superam. Este trauma se torna uma marca, que para de doer, mas vai ficar. Não há como tirar o passado da vida das pessoas. Em muitos casos, a história tende a se repetir, de forma inconsciente, pois foi o que a pessoa viveu e para ela aquilo é uma forma de vida, ela cresceu tendo aquele conceito de amor. O mesmo acontece com aquela criança que convive, por exemplo, com o pai que agride a mãe, futuramente, ela tende a ser uma pessoa que fará o mesmo.

Portanto, quanto mais cedo houver o acompanhamento de um profissional, melhor. Ele ajudará a superar o trauma da separação e orientar o seu comportamento, evitando que o trauma passe a influenciar em sua estima, em sua vida pessoal e profissional.

Nota
A Lei da Alienação Parental prevê medidas que vão desde o acompanhamento psicológico até a aplicação de multa, ou mesmo a perda da guarda da criança a pais que estiverem alienando os filhos. A Lei da Alienação Parental, 12.318 foi sancionada no dia 26 de agosto de 2010.

- Anunciantes -
- Anunciantes -

Últimas notícias