Assistência médica já era crítica em 1983

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O artigo publicado em O Estado de São Paulo e transcrito em nosso jornal O Município, a pedido do dr. João Edevaris de Souza, mostra que os erros médicos e toda estrutura de Saúde Pública sempre foram motivos de reclamação, em todo território nacional.

O Erro Médico

Neste último mês a Associação Paulista de Medicina, na pessoa de seus diretores, foi frequentemente solicitada e emitir opiniões e conceitos sobre o problema do “Erro Médico”, tão em evidência na atualidade.

Há aspectos que não foram suficientemente abordados e que são, contudo, essenciais para a discussão.

O de maior relevo diz respeito à crítica situação a que se encontra reduzida a assistência médica, em nosso País. A ninguém é dado o direito de ignorar que 92% da população brasileira não é cliente de nenhum médico, em particular. Tal população pertence, como clientela, a algum tipo de instituição, seja ela o INAMPS, uma medicina de grupo ou qualquer outra. A atual estrutura vem tentando fazer do médico uma pequena peça da engrenagem, a seguir normas que não elaborou e a aceitar condições de trabalho, com as quais não concorda.

É preciso que todos tomem a consciência de que não estamos vivendo em um País com assistência médica perfeitamente estruturada, oferecendo condições de trabalho adequadas para o médico, bem como segurança e bom atendimento para a população.

Os médicos em geral, em particular suas associações de classe, vêm há anos denunciando e alertando para a crise que existe na área de Saúde no Brasil. A qual acabaria de conduzir, como de fato nos conduziu, ao estado de completa insatisfação por parte do povo, justamente inconformado com a insuficiência daquilo que lhe é oferecido.

Em que pese a constatação de tais fatos, o povo assiste hoje, perplexo, à sistemática demolição do prestígio de uma profissão e dos profissionais que a ele se dedica. População, temos certeza, não deseja seus médicos espezinhados, enxovalhados, humilhados ou tratados como delinquentes.

Deseja, isto sim, poder confiar naqueles que escolheram, por missão e profissão, assistir aos enfermos, na medida de suas possibilidades e também de suas limitações, com dedicação e dignidade.

No momento em que todos – população, médicos e governo – precisamos buscar, juntos, a restruturação da assistência médica no Brasil, desvia-se a atenção das causas para os efeitos.

Já não se discute mais a formação excessiva de novos profissionais: sua inadequada distribuição pelo território nacional; a falência da medicina previdenciária; a carência de recursos nos programas de saúde; as inaceitáveis limitações do trabalho profissional ditadas pelos interesses da medicina mercantilista. Todas estas questões, vitais para quem realmente pretenda encontrar novos rumos para a medicina brasileira, são postas de lado. Distanciando cada vez mais o horizonte que marcaria o início de novos tempos.

O erro médico existiu no passado, existe hoje e existirá no futuro. Ele é contingência e parte integrante da própria profissão médica. Não se trata de eliminá-lo, que isto nunca irá ocorrer. Trata-se, isto sim, de procurar reduzi-lo a um mínimo e, para tanto, de estruturar o melhor sistema de saúde que o País possa manter. (Transcrito do Estado de São Paulo, a pedido do Dr. João Edevaris de Souza)

E a premonição do que foi escrito em 1983 confirma-se nos dias atuais, final de 2013, com a Saúde Pública tornando-se cada vez mais, manchetes de desrespeito para com a população em geral.

 

 

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