Com seu carisma e bom atendimento, ele conquistou seu público e cresceu junto com o empreendimento, no qual trabalha há mais de 30 anos

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No mês de agosto é celebrado o dia daquela pessoa que está sempre ao seu lado, ouvindo suas angústias, dando conselhos e tentando agradá-lo. Não, não estamos falando do seu pai, e sim do seu garçom.

No dia 11, será comemorado o Dia do Garçom, uma das profissões que mais fazem parte da cultura popular. Ter técnica é importante, mas o que vale mesmo é o atendimento afetuoso. O atendimento, quase sempre personalizado, faz com que esse profissional se torne, em alguns casos, um personagem folclórico de bares e restaurantes. E em Socorro, o que não faltam são estes personagens… E para homenagear a profissão, vamos falar, hoje, de um em especial, que trabalha há mais de 50 anos nesse ramo.

TUCHÊ garçom 7 xxIvanildo Carvalho Pimentel: você conhece? Não? E se o chamarmos de Touché!? É o garçom do Restaurante e Pizzaria Marchetti, e atende o público socorrense desde 1983, sempre com carisma e humildade, marcas registradas deste pequeno grande homem.

Ele saiu de Garanhuns, no nordeste do país, no início da década de 60, com 19 anos, seguindo os passos de seus dois irmãos, com o objetivo de arrumar um bom emprego e garantir um futuro, em sua vida.

“No início, contei com a ajuda de meus irmãos. Primeiramente, consegui um emprego de lavador de pratos, em um restaurante francês, onde um deles trabalhava. Depois de algum tempo, o outro arrumou um emprego de serviços gerais, em uma lanchonete, no aeroporto de Congonhas. Em seguida, fui para uma churrascaria, onde entrei para a carreira que não larguei mais; lá, fui garçom por 18 anos. Passei, também, por um Cassino, durante sete anos e voltei para outra churrascaria, por mais cinco anos”, lembra ele.

Nesse tempo, Touché conheceu um pessoal de Socorro e, no meio dessa gente, ele encontrou a mulher com quem se casou em 1983 e veio para cá, onde conheceu a família Marchetti. “Desde que chegou para trabalhar conosco, ele já se mostrou um ótimo profissional. Sempre atencioso com os clientes, bom de papo, cativando todos com quem ele conversava. Houve momentos em que ele chegou a trabalhar sozinho, como único garçom de nosso restaurante, e dava conta do recado. Sempre nos apoiando, nos incentivando, posso dizer que o Touché não faz parte somente da vida do Restaurante Marchetti e, sim, da família, pois sempre esteve ao nosso lado, dando conselhos, participando de nossa criação, do crescimento e bom andamento do nosso empreendimento”, enfatiza Odair Marchetti, o Melancia, sócio proprietário do restaurante.

E a opinião do garçom, com relação à família que o acolheu desde que chegou, não é diferente. “Eles não são patrões, são amigos! Não digo só por mim, mas pelos outros colegas de trabalho, também. Aqui todos os funcionários são valorizados! Não tenho o que reclamar da família Marchetti”, ressalta ele.

Questionado sobre as dificuldades que enfrentou nestes quase 50 anos de profissão, Touché mostra que para ele, não existe tempo ruim. “Posso dizer que tive muita sorte na vida. Por todos os lugares onde passei sempre fui bem recebido e fiz amizades, muitas perduram até hoje!”, afirma.

Para o garçom, hoje, a profissão está mais fácil, graças às facilidades que o mercado vem oferecendo, como no caso do sef-service, que dispensa o serviço do funcionário na hora de escolher o que comer. “Antigamente, havia muita exigência, tínhamos que ter etiqueta e conhecimento sobre o nosso trabalho. Não podíamos errar! Os pratos eram finalizados na frente do cliente, precisávamos saber a forma de fazer e a quantidade de cada ingrediente”, lembra ele. “Infelizmente, hoje, vemos poucas pessoas interessadas na profissão. Está muito difícil encontrar profissionais competentes que queiram aprender e também gente para ensinar, para orientar. O pessoal precisa aprender que ele tem que trabalhar junto com o seu patrão, para crescer junto! Se ele for um bom funcionário, vai ser reconhecido, vai ter um bom patrão”, lamenta.

Hoje, já aposentado, Touché trabalha somente aos finais de semana no restaurante, porém, durante a semana, ele não esconde o desejo de estar lá, diariamente, para atender, segundo ele, os “seus” clientes.

“Moro em frente ao estacionamento do Marchetti e sempre dou uma espiada para ver quem chega. Sinto não poder estar lá, diariamente, para atender aquelas pessoas, que conheci quando eram crianças, e as colocava no cadeirão e, hoje, colocaria seus filhos. Só tenho gratidão por esta terra que me acolheu, onde fiz amigos e, até hoje, muitos passam por lá somente para me dar um “oi”. Não há dinheiro que pague o reconhecimento do nosso trabalho”, encerra ele.

 

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