Começa, hoje, a exposição “Despertar do Olhar: A Fotografia do Autor”

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Todos estão convidados para a abertura da exposição que acontece hoje, dia 10 de abril, às 20 horas, no Museu Municipal Dr. João Baptista Gomes Ferraz, à Rua Antônio Leopoldino, 185, Centro.

Esta é uma mostra do trabalho rea-lizado pelos alunos de Cuca Jorge, durante um curso de três meses, quando foram desenvolvidos trabalhos com temas variados, de natureza ao abstrato, empregando várias técnicas, mas tendo sempre em foco a criação e o olhar.

Cuca Jorge- Foto Gabriel Moretti XXCuca Jorge veio de São Paulo, com a esposa Eliana Moretti e o filho Gabriel, para desenvolver um projeto no Parque dos Sonhos, unindo fotojornalismo com ação, e captando a emoção dos esportes de aventura. Ele está com 56 anos, e há algum tempo já pensava em deixar a agitação de São Paulo e dar vida ao seu projeto, aqui em Socorro, cidade que já conhecia há bastante tempo, por causa da esposa, e para onde o casal e o filho vieram, em 2013.

Cuca é mergulhador recreacional, faz trilhas de bicicleta e, de acordo com ele, é a intimidade com os esportes de aventura que conduz a uma foto com expressão e, no Parque dos Sonhos, acompanhando os aventureiros, encontrou a matéria básica para suas fotos, quando os olhos, o corpo, os movimentos apontam a emoção de quem vive aqueles momentos especiais.

Apaixonado pela profissão, já tinha feito oficinas em São Paulo, sempre gostou de dar aulas e resolveu reformular o curso para “formar amadores”, para valorizar a autoria da foto, a linguagem da alma, e não a câmara usada. “É preciso valorizar a linguagem acima da técnica, que é importante, mas a linguagem é maior”, destaca ele.

Foi com essa ideia que, a pedidos, reuniu uma pequena turma de alunos, composta de forma heterogênea, com idades de 13 a 71 anos, com formações variando de estudante de colegial a profissionais de nível superior, e com vivências em fotografia de diversos níveis. “E, desse modo, estávamos nivelados para o que iríamos construir: o curso visava mais do que oferecer noções sobre como operar equipamentos, lentes, flashes. Nosso interesse, desde o início, era despertar o olhar de cada um para expressar, a partir daí, sua própria maneira de ver o mundo”, ressalta o professor.

Foto-Cacilda Tassara XXO curso trabalhou o princípio de que a técnica fotográfica básica é bastante simples e basta um pouco de treino e dedicação para incorporar e dominar suas variáveis. “Mas isso serve apenas para aprender a usar as ferramentas para registrar a fotografia que nasceu, antes, dentro de nós. O que queríamos mesmo estava além, não era uma cópia da realidade, mas o que queremos dizer sobre ela. E no decorrer do curso, as descobertas foram se revelando a cada semana, os caminhos de cada um e do conjunto foram sendo abertos, os estilos foram se definindo e o crescimento de cada um podia ser notado nas imagens que eram trazidas e na forma de interpretar a fotografia”, enfatiza Cuca.

Para o professor, “a tecnologia disponível, por um lado, proporcionou imensa liberdade para os fotógrafos, mas por outro acabou por incutir a idéia de que a mágica acontece dentro da câmera, já que o equipamento pode ler e se autoajustar para uma exposição perfeita. Mas, ainda assim, a tecnologia nada pode fazer para provocar uma leitura crítica, artística, dialética. Isso continua sendo atribuição dos talentos humanos”.

E é com uma mostra desse trabalho que foi idealizada a exposição “Despertar do Olhar: A Fotografia do Autor”, sob sua coordenação e promoção do Museu Municipal Dr. João Baptista Gomes Ferraz e Secretaria Municipal de Cultura, reunindo os trabalhos de 11 fotógrafos que participaram do Curso Básico de Fotografia, realizado no segundo semestre de 2014: Catarina Araújo (14), Lucas Singh (25),  Carminha Trainoti (41), Andrea Andreucci (46), Cacilda Tassara (47), Fernanda Vita de Araújo (51), Beatriz Oliveira Santos (54), Valéria  Tavares (55), Décio Emerique Lauretti (64), Ana Maria Pares Andreucci (71) e Vilma Simões (71).

.exposiçãoO resultado do curso foi a revelação do talento de cada aluno, com descobertas individuais de linguagem, estilos próprios, a partir de  suas experiências, e que se concretizaram em um conjunto de fotografias de autoria, das quais 33 estarão expostas.

“Nós pretendemos compartilhar uma pequena mostra dessa experiência com os amigos, com a comunidade de forma geral para, quem sabe, contagiar mais pessoas para o despertar do olhar… Mas o que queremos mesmo, ainda está além, porque esse despertar pode ser maior, pode ir mais longe e por mais tempo, por isso queremos aproveitar essa exposição para plantar a ideia da criação do Núcleo de Linguagem Fotográfica de Socorro, porque confiamos no talento, porque sabemos que Socorro guarda uma tradição com a fotografia, que fez crescer um vasto acervo que as pessoas colecionam, sobre a história desta sociedade.

Acreditamos que podemos fazer mais que um foto clube, um espaço onde a linguagem e a criação sejam tema constante de um processo dialético para produzir fotografia como arte, em que o talento esteja acima de qualquer tecnologia, porque nada substitui o talento, pois quem faz a fotografia é o fotógrafo”, conclui ele.

Venha visitar a exposição “Despertar do Olhar: A Fotografia do Autor”.

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