Criança precisa de pouco para ser feliz? É o resumo de duas crônicas publicadas em 1979

Leitura obrigatória

Muito bonita a mensagem para o Dia das Crianças, publicada na edição nº 2802, de 6 de outubro de 1979. Na realidade, duas mensagens sobre o mesmo assunto, com conteúdos que se aplicam aos dias atuais – com novos brinquedos -, e que devem ser “ouvidos” pelos pais…

E mães!

 O melhor presente no “DIA DA CRIANÇA”

Dizem que as crianças de hoje são muito mais independentes que as de antigamente. Baboseiras.

Elas podem ter mais informações, mais entretenimentos, mas toda a emoção que o mundo de hoje pode oferecer não é, nem de perto, tão maravilhoso quanto sentir amor.

O maior divertimento ainda é o colo, não a bicicleta.

A maior delicia ainda é um beijo, não um sundae especial.

O maior heroi ainda é o papai, não o super-homem.

Os filhos da gente são exigentes. Eles querem muito mais do que brinquedos e televisão a cores. Eles querem um cafuné, um sorriso e todo o amor que pudermos dar. Será que há limite para esse amor?

12 de outubro é o dia da criança. E, para seu filho, muito mais importante que qualquer brinquedo do mundo, é passar o dia inteiro ao seu lado. Ou, se isso não for possível, pelo menos uma boa parte desse tempo.

Se você já esqueceu como se empina um papagaio, como se enrola uma fieira de pião ou como se chuta uma bola, ele ensina. E você nem imagina o orgulho que ele vai sentir ensinando-lhe essas coisas.

Se agora, ao ler este artigo, você estiver no seu serviço, pegue o telefone e ligue para ele, nem que não tenha assunto, nem que seja só pra ouvir: oi, papai!

Ou faça melhor do que isso. Na hora que você sair, vá correndo pra junto dele. Se puder, leve um presente, mas isso não é tão importante assim.

Na hora que você chegar em casa, chamando pelo nome dele, aquele coraçãozinho vai ficar tão apertadinho de felicidade que nem vai se lembrar dessas coisas.

 CRÔNICA SOCIAL

PAPAI

(No “Dia da Criança”)

Papai está lendo jornal.

– Que há meu filho?

– Eu tambem vou ler jornal quando for grande?

– Naturalmente!

– Por que, papai?

O pai já não escuta mais, está lendo outra vez.

– Por que, papai? Quero saber porque!

– Hum! O que quer saber?

– Por que devo ler jornal quando for grande?

– Gente grande lê jornal… para ficar a par das coisas.

– Que é isto, “ficar a par das coisas”?

– Santo Deus, isto é… para se orientar! Entende?

– Não!

– Vamos falar outra vez sobre isto, agora me deixe em paz!

– Papai, por que o senhor não pode ler quando conversa comigo?

– Isto me estorva. Aliás, a gente devia falar o menos possível, lembre-se disto!

– Mas nossa professora fala muito.

– Agora chega, meu filho, ela finalmente, é professora e professoras podem falar. Crianças, porém, têm que calar-se. Compreende?

– Mas, quando durante toda a aula não falo, a professora xinga.

– Todos os santos do céu, agora basta!

– Agora quero ler. Se você continuar a bombardear-me com suas perguntas, eu viro maluco, podem internar-me no hospício!

– Lá o senhor tambem deve ler jornal, papai?

– Não, não, não! Lá não existe jornal.

– Legal, papai, então vou visitá-lo. Lá teremos tempo á beça para conversar.

 

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