De bike, Rodrigo Cisman já percorreu 5 mil km e está no Rio Grande do Norte

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Em setembro de 2014, Rodrigo Arbex Cisman, um redator publicitário, de 30 anos, saiu de Socorro para percorrer parte da América, de bicicleta. Seu destino é o México e a expectativa é de que o percurso de 45 mil quilômetros entre São Paulo e o México seja concluído em três anos.

2 - Rodrigo, Clélia, Leoni, Donizetti e Teia XXEntramos em contato com ele que, atualmente, está no Rio Grande do Norte e, onde acabou encontrando-se com alguns socorrenses que estavam na cidade de Natal, a passeio. Rodrigo nos enviou um relato, contando sobre sua aventura.

“Comecei a viagem em Socorro, no dia 24 de setembro de 2014. Hoje, estou em uma cidadezinha no norte do Rio Grande do Norte, onde o mapa do Brasil faz a curva, chamada São Miguel do Gostoso, a 100 km de Natal.

Percorri 5.000 km até agora, totalizando nove estados e 89 cidades e vilarejos onde dormi. Na verdade, os números dizem pouco sobre a viagem. São tantos acontecimentos e histórias, que fica difícil conseguir mensurar tudo só por meio da quilometragem ou do tempo viajado.

3 - Doidão XXAté julho, ficarei em São Miguel do Gostoso. Estou procurando um trabalho, por aqui, para juntar um pouco de dinheiro e continuar a viagem. Tentei parceria com várias empresas, mas não deu certo com nenhuma. Poucas têm visão a longo prazo, para se unirem a um empreendimento desses, mas ainda tenho esperanças de que alguma se destaque dos concorrentes. Tenho muito conteúdo em textos, fotos e vídeos, além de seguidores fiéis, nas redes sociais.

Depois de São Miguel, sigo pelo litoral até a região norte, de onde quero cruzar ao Peru de barco, pela Amazônia. Calculo mais uns 20 mil quilômetros até o final da viagem, mas ter um planejamento muito engessado é algo difícil, em uma expedição dessas. São muitas variáveis ao longo do caminho, por isso tento pensar e viver um dia de cada vez.

Optei pela viagem de bike porque proporciona um contato muito mais próximo e legítimo com as pessoas, pelo caminho. Quando estava na Bahia, aconteceram duas situações que ilustram bem isso. A primeira, positiva, foi quando fui “adotado” por um nativo da Península de Maraú. Fiquei acampado em seu quintal, por dois dias, sendo tratado como um filho. A segunda, alguns quilômetros para o norte, foi negativa. Tinha acabado de chegar à Ilha de Boipeba, ao lado de Morro de São Paulo. Estava acompanhado de um casal que estava pedalando em uma viagem de férias e conheci na estrada. Acampamos na praia, com permissão dos nativos. Depois de comer, sentamos ao redor da fogueira. Foi quando chegou um cara doidão, sentou ao nosso lado e disse que não gostava de turistas, estava armado, ia tacar fogo nas barracas. Demorou até que passasse o efeito das drogas, se acalmasse e fosse embora.

Apesar disso, a parte mais difícil foi tomar a decisão de fazer a viagem e sair de casa. É como a lei da inércia: depois de iniciado o movimento, o corpo tende a se manter em movimento.

Passar tanto tempo na estrada, longe da família e dos amigos, estar mais vulnerável a tudo o que acontece em volta e ter sempre que procurar um lugar para dormir, é um tanto difícil. Naturalmente, em alguns momentos, a energia parece esgotar, o ânimo diminui e os pensamentos negativos começam a dominar a cabeça. Mas, em pouco tempo, eles se esvaem, e a curiosidade e a vontade de chegar pedalando até depois do horizonte, fazem a bicicleta avançar como nunca”, conclui o viajante.

A aventura de Rodrigo Cisman pode ser acompanhada pelo blog bikeamericaprojeto.wordpress.com, pelo portfólio de fotos: fotografia.rcisman.com, ou pela página do Facebook: Projeto Bike América

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