De diferentes gerações, engenheiros agrônomos acreditam que Socorro tem um grande potencial no campo, mas que ainda precisa ser melhor explorado

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AGRONOMIA salete XX
“Vim para Socorro com 27 anos e escolhi a cidade para morar, pois acredito nesta terra; temos um campo enorme para o desenvolvimento sustentável na produção e comercialização de produtos da agricultura familiar. Precisamos de investimentos para desenvolver a agricultura, a pecuária e a infraestrutura, com linhas de crédito, também para a fruticultura , a agroindústria e outros”, Salete.

 

Em meio às celebrações do dia 12 de outubro, como o Dia de Nossa Senhora Aparecida e o Dia das Crianças, a comemoração do dia de um profissional que faz a diferença no dia a dia: o Engenheiro Agrônomo. O dia do agrônomo é comemorado em 12 de outubro por causa da primeira regulamentação da profissão, em 1933.

A escolha pela profissão pode se dar tanto pela vocação e inclinação da pessoa para com o contato com animais e plantas, como foi o caso do engenheiro agrônomo Marcelo Faria, quanto por simplesmente viver e crescer no meio de agricultores e ter a vontade de lutar pelo setor. “Venho de uma geração de agricultores, convivendo sempre no meio rural. Desisti de tudo para ser engenheira agrônoma, porque sempre acreditei no produtor rural e queria fazer mais pela agricultura, pois via a luta que meus pais viviam com as atividades no campo. Sempre fui amante da horticultura e plantas medicinais, isto desde pequena. Tornei-me agrônoma para isso, cuidar das plantas e produzir alimentos para matar a fome”, conta Salete Torres Ishikawa.

Marcelo conta que dentre as responsabilidades de um engenheiro, está a aplicação de conhecimentos científicos e técnicas agronômicas integradas a manejo adequado para se obter máxima produtividade na área vegetal e animal. “Isso tudo, sempre respeitando e conservando o solo e desenvolvendo uma consciência social, ambiental, econômica e cultural contribuindo para a melhoria da qualidade de vida do homem”, diz Marcelo, que já trabalhou por um tempo na área de pesquisa e marketing de tratamento de sementes e, atualmente, é produtor de hortaliças.

Já Salete, atuou em cargos administrativos, como diretora dos Departamentos de Agricultura, Meio Ambiente e como técnica da CATI,  por 8 anos, desenvolvendo trabalhos de extensão rural, especialmente com o Programa Estadual de Microbacias e as políticas públicas da agricultura familiar. Atualmente, trabalha em projetos da Secretaria de Meio Ambiente.

Mercado de Trabalho

O agrônomo tem um mercado bem amplo, podendo atuar nas áreas de maquinários agrícolas, irrigação, consultoria e assessoria, produção, construções agrícolas, agroquímicos, área ambiental, entre outras e também pode desempenhar papéis na área de pesquisa, vendas, marketing e produção.

Marcelo, que se formou em 2011, pela Unipinhal, afirma que dentre as mudanças que se deram no mercado, uma delas são as novas tecnologias e maquinários, que surgem diariamente, para agregar valor às práticas agronômicas.

Formada em 1981, pela Escola Superior de Agricultura de Lavras, Salete acompanhou muitas mudanças, em relação a políticas públicas, econômicas e sociais.

“Do ponto de vista de políticas públicas, na década de 90, o governo lançou políticas envolvendo a agricultura e o meio ambiente, o que possibilitou maior abertura para investir no homem do campo. Com a Eco 92, deu-se início uma busca de projetos ecológicos, que pude acompanhar, em Socorro, com as primeiras propostas do governo, com o Programa Terra Amiga, o Programa  de Microbacias que buscava a sustentabilidade da agricultura. Nesses 8 anos recebi treinamentos e me tornei profissionalmente mais capacitada e preparada para desenvolver atividades com a agricultura familiar. Nessa oportunidade, iniciou-se o projeto Pecuária Leiteira, atualmente o CATI- Leite, o turismo rural, os primeiros cursos de agricultura orgânica e o Programa de Aquisição de Alimentos, pela Prefeitura de Santo André, com recursos federais,  visando atender à produção e comercialização de  produtos da agricultura familiar, que até então era um sonho para o pequeno agricultor; enfim,  muita coisa  mudou. Antes, o crédito rural era escasso; hoje, há recursos para quem quer produzir. Mas ainda falta extensionista no campo. Precisa melhorar  a remuneração do profissional que trabalha direto com o agricultor e mais concursos para atender esta demanda”, enfatiza Salete.

Com relação à mecanização e aparição das novas tecnologias, os agrônomos têm pontos de vista diferentes. “Esta mecanização deixa o mercado mais disputado, pois, nas regiões onde é permitida, é onde corre mais dinheiro, já que  as empresas de máquinas  e equipamentos  investem mais. Do meu ponto de vista, as novas tecnologias precisam ser disponibilizadas para todos, com as transferências de tecnologia para regiões de montanha, onde ainda é pouco divulgada. E deve ocorrer com o apoio das universidades. A transferência de tecnologia dos institutos de pesquisa e a Embrapa devem estar mais próximas do produtor. Nas universidades, o agrônomo é preparado  para a venda de produtos com adubos defensivos e, atualmente, as empresas também contratam e remuneram  melhor o agrônomo, especialmente os melhoristas de milho, soja e de hortaliças. Falando de tecnologia, vale lembrar que  existem muitas novidades, inclusive no setor de  flores, com a cobrança de royalties na produção de rosas”, argumenta Salete.

Marcelo enxerga as novas tecnologias de forma interessante e não vê o mercado como mais disputado. “São mais ferramentas para se usar no campo e novas áreas de atuação para trabalhar. Com o constante crescimento do agronegócio na economia brasileira, o trabalho do engenheiro agrônomo tem sido muito valorizado”, resume ele.

Sobre o mercado em Socorro, ambos possuem a mesma opinião: pouco vago e sem desenvolvimento. “Na região de Campinas temos muitas cidades importantes para o agronegócio, como Holambra, Limeira, Paulínia. Socorro tem potencial e é formada por muitos pequenos produtores que, com incentivo, poderiam gerar uma agricultura sustentável, abastecendo o município e gerando mais empregos, tanto para agrônomos como para o restante da população”, ressalta Marcelo, e Salete completa. “Há muito o que fazer, pois estamos numa região de grande demanda de alimentos. A procura por assistência técnica pública é muito grande, especialmente na busca de crédito rural, tendo Socorro a maior demanda da região em associativismo e cooperativismo”, conclui ela.

AGRONOMIA marcelo XX

“Gostaria de parabenizar todos os engenheiros agrônomos pelo seu dia, dia abençoado por ser o mesmo dia de Nossa Senhora Aparecida. Gostaria de aproveitar e parabenizar especialmente a engenheira agrônoma socorrense, Maria Helena Calafiori, por ser uma grande professora e ter passado seus ensinamentos a muitos engenheiros agrônomos socorrenses”, Marcelo.

 

 

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