Dia Mundial do Diabetes – 14 de novembro

Leitura obrigatória

Em 1991 foi decidido que o dia 14 de novembro seria o Dia Mundial do Diabetes e, a partir de então, campanhas ao combate e controle da doença passaram a ser divulgadas no mundo inteiro.

Caracterizada por um aumento da glicose no sangue, o Diabetes é uma das principais doenças que atinge a população e pode trazer sérias complicações à saúde, como infarto, insuficiência renal, derrame cerebral, lesões de difícil cicatrização e problemas visuais.

Alguns sintomas podem indicar a elevada taxa de glicose no sangue, como vontade de urinar, fome e sede excessiva, formigamento nos pés. Porém, os sintomas nem sempre aparecem e a doença pode se manifestar silenciosamente.

Para falar sobre esse assunto que preocupa milhões de pessoas, convidamos o dr. Eduardo E. Lauretti, endocrinologista pela USP, membro da Sociedade Brasileira de Diabetes, para escrever um artigo ao “O Município”, por ocasião das atividades relacionadas ao Dia Mundial do Diabético, 14 de novembro.

Confira, abaixo, o que o dr. Eduardo expõe sobre o assunto e os cuidados que devemos ter com nossa saúde.

Diabetes: passado, presente e futuro
Em 1500 a.C. (antes de Cristo), os egípcios eram capazes de descrever uma doença em que os afetados emagreciam e urinavam em grande quantidade. O médico grego Areteus (viveu de 80 – 138 depois de Cristo), observando que a urina era doce, chamou- a de Diabetes Mellitus, ou “sifão” (urinar muito) e doce (mellitus).

Nada se podia fazer para evitar a morte, breve e com sofrimento desses pacientes, até que dois médicos canadenses (Banting e Best) extraíram e purificaram a insulina do pâncreas do boi e administraram aos pacientes, salvando suas vidas, e com melhoras impressionantes (em 1922, Banting ganhou o Prêmio Nobel).

Com o passar do tempo, ficou claro que havia tipos diferentes de Diabetes. O Diabetes tipo1 (10 % dos casos) afeta crianças até adultos jovens que, sendo vítimas de uma destruição imunológica das células do pâncreas que produzem insulina, são obrigadas a tratamento com a própria insulina; por outro lado, a maioria dos diabéticos (90 %), de aparecimento mais tardio, são obesos e sedentários, o que, de início, impede o bom trabalho da nossa própria insulina: esse é o Diabetes tipo 2. Mecanismos diferentes, mas os dois resultam no que chamamos hiperglicemia (glicemia ou “açúcar” altos no sangue), o que nos faz urinar e beber água em excesso, apresentar cansaço fácil e turvação da visão.

Nos últimos anos, o número de casos de Diabetes tipo 2 aumentou dramaticamente, acompanhando o aumento da obesidade e do sedentarismo, e hoje atinge em média 10 % da população mundial (12 milhões no Brasil, segundo análise recente).

O Diabetes tipo 2, importa dizer, frequentemente associa-se a outros fatores de risco cardíaco, como a hipertensão, alterações no colesterol e triglicérides. Como o ganho de peso está ocorrendo cada vez mais cedo, o tipo 2 também vem aparecendo mais cedo.
Os fatores genéticos são mais importantes para o tipo 2; mais de 40 genes já foram relacionados com a doença, e nós sabemos que casos na família próxima aumentam a possibilidade de desenvolvermos Diabetes tipo 2.

Prevenir o Diabetes tipo 1 ainda não está ao nosso alcance; o tratamento evoluiu, no entanto, de várias maneiras, começando pela fabricação, por engenharia genética, das insulinas humanas, que não causam alergias (animais não são mais usados). Seringas descartáveis e canetas com agulhas ultrafinas diminuem o desconforto do paciente, na aplicação. Hoje, é possível utilizar as “bombas” de infusão contínua, que aplicam na gordura do abdome, por meio de um cateter, sem necessidade das injeções (infelizmente, ainda são caras e pouco disponíveis).

São promissores os tratamentos com células tronco, levando pacientes a ficar até sem insulina (a USP – Ribeirão Preto é nosso principal centro de pesquisa).

Prevenir o Diabetes tipo 2 é possível, com mudanças no estilo de vida: foi determinado que, em pessoas com pré- diabetes (glicemia de jejum entre 100 e 125), perder 7 % do peso e exercitar-se 30 minutos por dia reduz em 58 % a chance de desenvolver a doença, ao longo de 3 anos.

Prevenir a obesidade e estimular a atividade física desde a infância são os desafios da saúde pública que, se enfrentados, vão ter o maior impacto no futuro, pois produzem efeitos antes que apareça qualquer alteração da glicemia.

Quando o Diabetes tipo 2 já se desenvolveu (glicemia de jejum 126, confirmada em dias diferentes), dispomos hoje de uma série de medicamentos orais que permitem bom controle da glicemia, especialmente quando no início; com o passar do tempo, a perda da função do pâncreas pode nos obrigar a tomar insulina. Embora ninguém queira (ou goste), a insulina, ao controlar bem a glicose, evita que apareçam as complicações crônicas do mau controle (doença dos rins, perda visual, amputações).

O Diabetes é enfrentado essencialmente pela informação: precisamos entender para poder controlar. Equipes multidisciplinares, compostas de médicos, enfermeiras educadoras, nutricionistas, podólogos, psicólogos, assistentes sociais, trabalham em conjunto para superar obstáculos com o paciente.

Pessoas sob risco, como obesos, antecedentes familiares importantes e hipertensos, devem fazer exames periódicos, mesmo sem sintomas, para diagnóstico e tratamento precoces do Diabetes ou, em caso negativo, trabalhar no controle desses fatores de risco.

- Anunciantes -
- Anunciantes -

Últimas notícias