E a história se repete?  

Leitura obrigatória

90 ANOS xxA edição nº 3.746, de 31 de dezembro de 1992, foi a última desse ano e destacam, na página de capa, a posse dos candidatos e eleitos para a gestão 1993/1996, marcada para 1º de janeiro. Foram eleitos para prefeito – José Valdir Bortolasso, vice-prefeito Nadir do Carmo Leme e 11 vereadores: Albertina A. Camargo Araújo Ribeiro, Antonio Donizete Belon Fernandes, Antonio de Pádua Lima, Dimas Silveira Costa, Dulcidio de Souza Pinto, Gentil José Tonelli, Gerson Ap. Barbosa, Gilberto Jesus Toledo, Gumercindo da Silva Pinto, José Carlos Mazzolini, José Eduardo Moreno Tarifa, José Walter Binotti, Nilton Tavares, Romeu Ap. Galina e Valdir Ap. de Toledo.

Outro destaque, foi o Torneio Incentivo de Natação, promovido pelo Clube XV de Agosto, com a participação dos alunos dos professores Adriana Accordi Tassára e Paulo Cesar Teixeira.

Completando as manchetes, a renúncia de Collor à presidência do Brasil, ocorrida no dia 29 de dezembro de 1992, após meses de estratégias para adiar o julgamento e votação do impeachment.

Abaixo, alguns trechos dessa matéria, que terminou na página 8 do jornal, contando toda a trajetória do presidente que chegou ao Palácio do Planalto no dia 15 de março de 1990, quando estava com 40 anos e era o mais jovem presidente brasileiro.

 Collor renunciou

(…) Ele assumiu com a promessa de modernizar o país, reduzir a burocracia e o tamanho do Estado, ajudar os descamisados e pés descalços, e o mais importante, matar com um tiro o “Tigre da Inflação”. Sua previsão de deixar a esquerda perplexa, e a direita indignada, foi cumprida. Collor reduziu de 23 para 12 o número de ministérios e extinguiu 24 órgãos públicos, incluindo 3 estatais e 8 fundações que só davam prejuízo. De um golpe confiscou 65% de todos os ativos financeiros do país e impôs uma recessão que provocou a queda de 4,6% no PIB (Produto Interno Bruto) em 1990, e tirou o emprego de 2,5 milhões de pessoas. A indignação dos que tiveram suas poupanças bloqueadas foi superada pelo alívio da maioria da população, com a queda da taxa inflacionária de 84% em março, para pouco mais de 3% em abril.

(…) Mas a “Lua-de-Mel” durou pouco. Oito meses depois da posse, a inflação subiu para quase 20% e os descamisados sentiram o peso de uma recessão profunda.

(…) Ineficiência e escândalos obrigaram Collor a trocar todo o Ministério, com exceção de 3 ministérios militares. Os casos mais rumorosos foram os do Ministério da Saúde e da Guerra, envolvidos em super faturamento de preços e licitações irregulares, e do trabalho, Antonio Rogério Magri, acusado de receber propina.

(…) As denúncias de corrupção começaram a paralisar o Governo e o presidente passou a exigir de sua equipe maior rigor na punição de irregularidades.

(…) A Câmara de Deputados criou uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as denúncias e concluiu que PC Farias pagava mesmo as contas da família Collor com dinheiro proveniente de uma intrigada rede de corrupção e tráfico de influência.

(…) A CPI descobriu que a maioria dos pagamentos era feita por pessoas com nomes e CPFs falsos, os chamados “Fantasmas do Esquema PC” e também que PC Farias e fantasmas tinham pago as reformas do apartamento do Presidente em Maceió e da Casa da Dinda em Brasília, além do Fiat Elba de Collor, e as obras da Casa da Dinda, residência de Fernando Collor, custaram cerca de 2 bilhões de dólares. Incapaz de rebater as denuncias com fatos, Collor passou a falar em “Sindicato do Golpe”, e tentou convencer o povo que estava sendo vítima de uma transa política.

Mas o povo nas ruas mostrou que a população já havia julgado o presidente. Collor ainda tentou resistir trocando votos na Câmara com liberação de verbas e promessas de negociação, mas foi abandonado pelos deputados governistas na votação do pedido de impeachment.

Estava aberto o caminho para afastar o “Caçador de Marajás” que terminou atingido pela mesma espada que ele brandiu ao assumir o cargo.

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