E as trutas vieram para o Rio do Peixe

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Na edição nº 2911, de 5 de dezembro de 1981, a pescaria no Rio do Peixe já era pequena. Ainda não existia o Projeto Piracema, mas um grupo formado por Antonio Fontana Filho, diretor do Jornal O Município; Alfredo, funcionário da Prefeitura; João Rodrigues de Moraes; Rodolfo Fruchi, vice-prefeito; Enio e Paulo, funcionários da Prefeitura e os guardas florestais: Venceslau e Antonio Faria, do 3º G. P. – P. M. de Amparo, que se encontram na foto publicada, resolveram povoar o rio com trutas, numa tentativa de ver a multiplicação dessa espécie em nosso rio. Acredito que não deu certo, porque nunca ouvi falar estórias de pescador que tenham as trutas como motivo de júbilo, em suas pescarias no rio.

Trutas no Rio do Peixe

Os socorrenses mais antigos recordam com saudade os tempos em que o Rio do Peixe era digno desse nome. Os pescadores veteranos ainda relatam memoráveis pescarias, em que bagres e piratingas de quilo eram capturadas em abundância nas pontes da cidade.

Hoje, graças ao desmatamento, ao uso indiscriminado de venenos agrícolas e à poluição urbana e industrial, mesmo os lambaris miúdos, antes corriqueiros em qualquer ribeirão, vão se tornando raros em nosso munícipio, como aliás em todo o estado.

Diante desse problema, não só os amantes da pesca, mas todas as pessoas preocupadas com o meio ambiente e com o desenvolvimento do turismo em Socorro, de há muito vem propugnando medidas tendentes a despoluição e repovoamento do Rio do Peixe com espécies próprias a pesca esportiva. Nesse sentido, dentre tantos outros, tem trabalhado o engenheiro Armando Wilson Tafner e o sr. João Rodrigues de Moraes, preconizando, por exemplo, a construção de uma escada de peixes no Salto Grande para possibilitar a subida das piracemas de dourados e curimbatás ao curso superior do rio.

A essas iniciativas de interesse da comunidade não esteve alheia a Prefeitura Municipal, e agora, graças a gestão do sr. prefeito Wandir de Faria e do vice-prefeito Rodolfo Fruchi junto a Secretaria da Agricultura, a Estação Experimental de salmonicultura de Campos do Jordão forneceu cinco mil alevinos de truta a Socorro, visando a aclimatação dessa espécie no Rio do Peixe.

No último dia 24 de novembro uma viatura da Prefeitura trouxe de Campos do Jordão à nossa cidade aqueles peixes, em três grandes sacos plásticos com a presença de integrantes da Polícia Florestal (3º G. P. P. M. de Amparo), funcionários municipais e de representantes deste jornal, efetuou-se a liberação dos peixinhos em três pontos do rio: Rancho Alegre, Monjolinho e ponte do Rio do Peixe. A truta é um peixe das águas frias do hemisfério norte, muito apreciado para a pescaria esportiva pela excelente qualidade de sua carne, por sua índole a isca e combativa. A espécie introduzida em nossas águas, denominada “arco-íris” por causa do brilho irrisdescente de suas escamas, foi primitivamente importada da Noruega, Canadá e Chile, e já se acha aclimatada em diversos rios de montanha na região de Campos do Jordão. Será sem dúvida mais um atrativo turístico para a nossa cidade.

No entanto, até que se reproduza e atinja o tamanho próprio para ser capturada, cerca de 20 quilos, sua pesca estará proibida. A Polícia Florestal adverte que agirá com toda a severidade contra os infratores, especialmente os que utilizam de redes, tarrafas, covos e outros equipamentos proibidos, que estarão sujeitos a apreensão do material e multa de Cr. R$ 6.000,00.

 

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