E o apito anuncia o primeiro jogo oficial em Socorro

Leitura obrigatória

A edição número 2219, de 5 de dezembro de 1964, registra, na crônica de Benedito Peretto, o primeiro jogo de futebol, oficial, realizado em Socorro.

A primeira partida de Futebol

A Antonio Gonçalves Dantas (Nicote)

Benedito Peretto

O juiz trilou o apito e estava iniciado o primeiro jogo oficialmente realizado em Socorro, no domingo 29 de maio de 1905. Correndo de cá para lá, o juiz trazia na mão um livro intitulado “Manual de como arbitrar nobre esporte bretão”. Seguia o jogo regularmente, quando a uma falta qualquer o juiz consultava o tal livro e resolvia de acordo com os diretores qual a punição a adotar. Resolvida a dificuldade, reiniciava-se a partida, a qual transcorria sob os rígidos princípios da boa educação e cavalheirismo, pois ao mínimo encontrão os craques se voltavam e mutualmente se desculpavam, desfazendo-se em mesuras em lugar da troca de bofetões e palavrões. A um dado momento, um acontecimento provocou emoção, chilique e enxaquecas na assistência, principalmente no meio feminino. Um dos jogadores, ao invés de acertar o pé na bola, acertou-o em cheio no adversário que estava de costas, caindo este de bruços no gramado. Correram médicos e farmacêuticos (pois tinham sido todos requisitados para o embate), juiz, musicos, politicos, sendo que os primeiros logo notaram nada ter havido de grave, mas somente o abalo provocado pelo violento chute. O ferido foi cuidadosamente carregado do campo e, ao ser examinado, os médicos receitaram umas aplicações de arnica, recomendando ao jogador que evitasse sentar-se por alguns dias.

Voltou a calma à assistência e o juiz já se dispunha a apitar o reinicio, quando o capitão do time contrario, chegou-se a ele e disse que não jogaria estando o seu quadro com 11 elementos contra um time com 10 apenas, o que considerava deslealdade. Nova reunião dos paredros, diretoria, politicos, colonia italiana, intelectuais e, finalmente, resolveram atender aos escrúpulos do capitão do time, tirando um jogador deste, ficando 10 contra 10, o que foi por todos aceito. A banda tocou outro dobrado e logo mais o juiz apitava o fim da memorável pugna, com o “placar” marcando 0 X 0 e contentando a gregos e troianos.

A mocidade ansiando pelo baile que se realizaria à noite, na residência de Dona Daria de Camargo Pulino – Nhan Doria – à rua Visconde do Rio Branco, no local onde foi construído o Grupo Escolar Coronel Olympio.

 

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