Ele dormiu de cansaço, enquanto o baile que idealizou acontecia no Clube Recreativo

Leitura obrigatória

Na edição de 4 de abril de 1965, Benedito Peretto fala sobre o esforço e dedicação do senhor Antonio Feres para realizar um grande baile e, na noite tão esperada, acabou adormecendo quando se preparava para ir ao clube, chegando só no final do baile. Meus pais contavam essa história e foi muito bom saber, agora, a data desse baile, e outros detalhes sobre o grande evento. Confira!

O FAMOSO BAILE DO JAZZ LONDRES

A Antonio Feres e Alcindo de O. Santos
Benedito Peretto

Houve bailes que se celebrizaram em nossa terra. O branco, oferecido ao Dr. Antonio Moreira Vita, quando se despediu da cidade. O de bolas, pela variedade de cores e de modelos de vestidos num só padrão e, assim, muitos outros. Todavia, o mais famoso, que ficou mesmo na história, foi o de Antonio Feres, realizado a 7 de novembro de 1931. Antonio resolveu, com seu espírito prático e bem organizado, atribuir funções de colaboradores a dois esforçados – Alcindo e este escrevente. Tivemos que trabalhar muito. Dia e noite, pra baixo e pra cima, no “Chevrolet –Ramona”, emprestado pelo “dono do baile”. Não se dormia mais sossegado. A festa tinha que sair e saiu, melhor do que se esperava.

Scylas Libera foi a São Paulo incumbido de trazer o Jazz Londres, dirigido por Beppe Bellintani. O jazz era para vir apenas a troco de viagem e hospedagem. Mas Scylas começou a telefonar de São Paulo, pedindo autorização para contratar músicos para reforço da orquestra. Com viagem, estadia, telefonemas, músicos complementares, etc., lá se foi a verba com que se contava. Mas Antonio Feres não se intimidou e dizia, batendo com o metro no balcão da loja: “baile tem que sair”. Muitos gastos imprevistos foram necessários: a abertura, pintura, limpeza e enceramento do Recreativo, que estava fechado desde 1930: pagamento de alugueis e de luz, que estavam em atraso. Aluguel e transporte do piano do “Eden Teatro”. Na véspera do baile, afundou a calçada defronte à porta, por ter sido retirada uma bomba de gasolina. Foi preciso um urgente conserto.

Finalmente, na noite de 7 de novembro, o clube estava que era uma beleza. O jazz nem se fala. Antenor Vaz de Lima prometeu que viria com uma grande turma e veio mesmo. O engraçado é que o dono do baile no dia dormiu, de tanto cansaço e o secretario Sebastião esqueceu-se de chamá-lo. Mesmo assim deu para chegar ao clube ás 2 horas, envergando impecável “smoking”. E os esforçados ajudantes, embora também exaustos, conseguiram dançar com lindas senhoritas, porque a vibrante orquestra e moças tão cativantes a isso convidavam.

No próximo ano de 1966, a 7 de novembro, será a passagem do 35º aniversario desse famoso baile. Permitimo-nos sugerir ao amigo Alcindo a realização de outro-com um bolo, 35 velinhas e canto “parabéns a você” – este oferecido a Antonio Feres, em recompensa pelo esforço e boa vontade com que levou a peito aquele sarau de inesquecível memória.

 

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