Em 1989, a profissão de professor já era desvalorizada  

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Na edição número 3.568, de 20 de maio de 1989, um artigo em destaque na página de capa de O Munícipio mostra que, desde aquela época, os professores já eram desrespeitados e a profissão não era valorizada, como acontece até hoje, quando a Educação está sendo cada vez mais questionada e pedidos de mudança no segmento surgem nos quatro cantos do Brasil.

Mestre, perdoa que eu te ensine…”

Assim começa a “Oração da Mestra” de Gabriela Mistral.

E hoje, mais que nunca, o Mestre precisa pedir a ajuda de Deus, para poder continuar exercendo sua nobre missão.

O governo atual, como outros que o precederam, parece ignorar que um país só se eleva, quando dignifica a educação, na figura do educador.

Transcrevo aqui, um trecho da carta de Shirley M. Thomaz do Couto, de Itataré, S.P, publicado no “Painel do Leitor”, da Folha de São Paulo, dia 2 de maio p. p.

“Quércia e os professores.

Nos palanques ele era como o cordeiro, agora declara que quem quiser ganhar mais que não escolha a profissão de professor. Sr. Quércia, seus filhos serão autoditadas ou dependerão de algum humilhado professor, para que possam ser adultos dignos neste país?”.

Ah! Com que reverencia, relembro os primeiros professores: D. Carmélia e D. Romana, lá na escolinha do Prof. Agostinho: “Externato Independencia”. Foram elas que me alfabetizaram.

Com que saudade me reverencio a memoria de D. Josefina (1.° ano), D. Otília (2.° ano),D. Beatriz Lacorte Peretto (3.° e 4.° anos); lá no Coronel Olímpio.

Hoje, que diferença! … O professor não é respeitado, não é valorizado. Ninguém mais quer ser professor.

E quando entra em greve, reivindicando melhoria de ensino, salário condigno, num jogo sujo, os “donos da bola” colocam os pais de alunos contra os dedicados mestres, que dão o melhor tempo de suas vidas, para educar nossa infância e nossa juventude.

Ninguém acredita que haja professor ganhando: NCz$ 154,08 em Fevereiro – 169,55 em Março – 178,00 em abril de 1989 (quando o menor salário em uma malharia é 200,00), mas há.

Ninguém acredita que o professor PRECISA ter outras profissões simultâneas, para poder viver e manter a família, mas PRECISA.

Um pai de família, não pode ser apenas professor, deverá “tocar sete instrumentos”, ou então sucumbirá. Vejam que o magistério está ficando, quase exclusivamente, nas mãos de mulheres.

E, em última análise, os maiores prejudicados são os próprios alunos, que sobram da precária mesa da educação. Educação essa que não permite ao professor se atualizar, se reciclar, ter tempo disponível, para dedicar-se total e integralmente ao ensino.

Por isso eu digo como Gabriela Mistral: “Mestre, Perdoa que eu leve o nome de Mestre, que quiseste levar sobre a terra”, num país onde o Mestre é tão mesquinhamente tratado; sem consideração, sem respeito, sem justiça, sem humanidade.

N.C.C.F.

 

 

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