Escrito há 57 anos, este artigo continua atual

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Na edição 1873, de 1 de dezembro de 1957, a crônica de J. Zia bem poderia ser escrita hoje, sem perder a sua essência, mesmo com mais de meio século passado.

VENHA A NÓS

Reuníssimos tudo que se escreveu sobre ideologias políticas, desde os albores da filosofia, desse calhamaço de idéias esparsas, de opiniões contrárias, e extraíssemos a essência pura das puríssimas idéias, talvez tivéssemos o ensejo de gritar bem alto: EUREKA! Mas o homem continuará ainda por largo tempo, sendo o maior inimigo do homem.

As idéias que se chocam, as rivalidades políticas, o regionalismo, o próprio patriotismo, convém reconhecer, são produtos naturais das aberrações psicológicas da humanidade; resíduos hereditários da alma, cuja origem se perde no advento do mundo, quando os nossos ancestrais, embrutecidos pela própria ignorância, lutavam até morrer por um pedaço gordo de um horrendo Dinossauro, por uma pedra lascada, ou quem sabe, por uma troglodita à Marilyn Monroe.

Somos escravos de profundas taras, enraizadas no nosso psiquismo, só o tempo, talvez, consiga libertar o gênero humano dessas grilhetas da alma.

Idéias novas, regimes novos, políticas novas, nada servirá para modificar o antagonismo das classes, dos povos, das raças. Cada um obedecerá, ainda, por tempos infindáveis, os impulsos do ativismo originário do seu meio ambiente.

Em cada século que passa, podemos dizer, sem receio de errar, a humanidade aprende uma letra do alfabeto, que, num futuro longínquo, ensinará aos homens as lições da Vida. Não obstante, nas primícias da nossa éra, um Homem, nunca igualado e nunca desmentido, sintetizou essas lições numa frase; foi Jesus Cristo, dizendo: “Amai-vos uns aos outros”. Quão difícil porém é seguir este ensinamento. O egoísmo doentio da humanidade faz com que cada homem pense para si somente e todos professam o mesmo catecismo de seus interêsses particulares: Venha a nós… ao vosso reino, nada!

J. ZIA

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