Estudantes socorrenses classificam-se para os Jogos Escolares Paralímpicos

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Três alunos da EE Narciso Pieroni representarão o estado de São Paulo na edição dos Jogos Escolares Paralímpicos 2015, que acontece em Natal, no Rio Grande do Norte, entre os dias 23 e 28 de novembro deste ano. As disputas, organizadas pelo Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), reunirão mais de 1,2 mil jovens de 27 Estados e do Distrito Federal, com idade entre 14 a 17 anos. A competição será o último grande evento antes da realização dos Jogos Paralímpicos, no Rio de Janeiro, em 2016.

A confirmação da classificação de Maria Elisa Miquelini, de 16 anos, pelo tênis de mesa, Vinícius Camargo Maciel, de 14 anos e seu guia, João Gabriel Cenciani, no atletismo, aconteceu na final estadual, realizada no mês passado, em Lindóia. “Na verdade, inscrevi os alunos, no final de março, apenas com o objetivo de registrar a participação e conhecer como funciona uma competição paralímpica. Afinal, nunca havia trabalhado com alunos especiais e muito menos em competir com eles”, afirma a professora Rosiane Marcolino Lemos.

Assim que a inscrição foi confirmada, foram três meses para se prepararem. E esse preparo envolveu, antes de tudo, um estudo de cada modalidade, das técnicas e do treinamento. “Dentro do programa de treinamento, pude contar com o apoio dos professores Davi Ribessi de Moraes, da Equipe Sette, e da Renata Marcolino Lemos, do Centro de Treinamento Correria. Ambos se prontificaram a preparem treinos específicos para que os atletas tivessem condições de competir, tanto na questão física, como nos fundamentos de cada modalidade. Além disso, nos dedicamos, dentro do tempo disponível de cada um, em treinar a modalidade em si”, diz a professora.

A primeira seletiva foi realizada no dia 30 de junho e, para Maria Elisa, que possui uma deficiência nos membros inferiores, e disputou também no arremesso de peso e arremesso de dardo, foi um grande desafio. “Nunca tinha jogado tênis de mesa e, muito menos qualquer um dos dois arremessos. Apenas o fato de ter passado para a seletiva final é uma vitória e, agora, vamos com tudo para o nacional”, diz ela que, na primeira seletiva, terminou em primeiro lugar no arremesso de dardos e segundo lugar no arremesso de pesos, porém, na final estadual, não obteve o índice classificatório para o Brasileiro.

Vinícius, que possui deficiência visual, conta que também nunca imaginou competir como atletas e muito menos estar em uma competição nacional. “Foi tudo uma novidade e todo o esforço valeu a pena. Em novembro estaremos lá e daremos o nosso melhor”, diz ele que, de última hora, na primeira seletiva, acabou participando do salto em distância. “A princípio, competiríamos apenas nos 100 e 400 metros. Porém, apareceu a oportunidade do salto à distância, treinamos um pouco na hora e arriscamos. Quando vimos, nossos nomes estavam entre os classificados”, lembra o guia João Gabriel.

Com a classificação garantida, a professora conseguiu firmar uma parceria com a prefeitura, que vai ceder a quadra e alguns materiais para que os atletas consigam treinar, ao menos, duas horas diárias. “É claro que queremos ir para ganhar, mas, se por ventura isso não acontecer, ficará a experiência. Entramos nessa apenas para participar,  e chegamos onde estamos, tivemos esta oportunidade que é única e é isto que temos que levar para nossa vida. Olhar a experiência de estar lá, ao lado de milhares de atletas, cada um com sua limitação e, ao mesmo tempo, sua superação. Não será apenas o lado competitivo e, sim, uma grande oportunidade de crescermos como seres humanos”, enfatiza Rosiane, que começa a busca por patrocínio para a aquisição de materiais, para que seus alunos possam competir.

“Na seletiva final convivemos com tantas pessoas, com tantas limitações, que nos fez pensar o quanto reclamamos de nossa vida, por pouca coisa. É uma forma de valorizar o que temos e parar de reclamar”, encerra João Gabriel.

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