Governo permite que lojista dê desconto em pagamento em dinheiro  

Leitura obrigatória

Uma medida provisória, publicada em no dia 27 de dezembro, permitirá aos comerciantes cobrar preços diferentes para quem paga com cartão de crédito ou com dinheiro.

A prática, até então, estava proibida, mas já existia no comércio. A diferença é que, a partir de agora, o comerciante passa a ter segurança jurídica. Na Vitrine Cosméticos, a medida começou junto com 2017. Desde o dia 2 de janeiro, está em vigor a promoção de 10% de desconto no dinheiro à vista e toda a loja, em 10 X no cartão.

“Não era justo pagar em dinheiro e não ter desconto. Antes, o Procon não deixava. Agora é lei!”, lembra Heitor Cardoso.

Outros comerciantes também comemoraram. “Achei ótima a iniciativa, pois favorece o cliente e a loja. No fim do ano, os adesivos de promoções já tinham sido mandados para a impressão, mas no momento em que vi a notícia, suspendi tudo e mandei fazer um novo material, adequado à nova lei”, afirma o proprietário da DuWell, que iniciou com a promoção dando 10% de desconto para as compras pagas no cartão, a prazo; 20% no cartão de débito ou no crédito  e 30% de desconto no pagamento em dinheiro. “Para o empresário, é mais uma forma de facilitar a compra para o cliente, dando-lhe mais opções e a nós, comerciantes, maiores chances da venda se concretizar, além do fato, de dispor de liquidez imediata, pois, tendo o capital, as negociações com fornecedores ficam favorecidas”, completa ele.

“Trabalho, sim, com o desconto no pagamento em dinheiro, mesmo porque, grande parte da minha clientela é da cidade e geralmente paga com dinheiro. As vendas no cartão são, em grande parte, com os turistas”, diz a proprietária da Tico Loco. “O desconto é válido e eu tenho divulgado, pois gosto de negociar com o meu cliente e, assim, tenho como retorno sua satisfação em receber o desconto”, completa ela.

A Aquarela Fotográfica já está se planejando uma promoção para incentivar mais as compras em dinheiro.  “Embora as compras com cartão sejam ótimas, já que os clientes acabam comprando muito mais e com uma facilidade que não nos prejudica, é bem complicado controlar o fluxo financeiro, pois acabamos tendo peso diferente com os descontos e o recebimento a prazo; neste caso, precisamos agregar um valor a mais na venda, para não nos prejudicarmos, mas que fica difícil para o consumidor entender. Creio que, agora, tudo será mais fácil. Nada como dinheiro! Acho muito bom poder trabalhar com desconto à vista. Todos ganham!”, afirma ela.

O empresário Heitor Cardoso conta que, para não perder, também as operadoras de cartão entraram em contato, oferecendo redução das taxas de operação, para a empresa continuar usando a “maquininha”.

Para a DuWell, ainda não foi oferecida nenhuma oferta. “Ainda não senti nenhuma reação por parte das empresas de cartão de crédito, mas, com certeza virá, pois as vendas com cartão, com certeza cairão. As empresas de cartão terão que flexibilizar e reavaliar seus custos e preços, pois os valores que hoje são praticados eu considero um abuso, já que, em muitos casos, a taxa passa de 5%, além do aluguel da maquineta”, acrescenta ele.

Em nota, a Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços – Abecs entende que a tal medida provisória oferece mais uma opção de pagamento ao consumidor, que definirá a melhor escolha de acordo com suas necessidades. A Abecs acredita que o meio eletrônico de pagamento continua sendo a melhor opção, pois gera mais conveniência, praticidade e segurança para o consumidor e também para o comerciante, que elimina os custos com inadimplência e manuseio de dinheiro e cheque.

 

- Anunciantes -
- Anunciantes -

Últimas notícias