Graças à ajuda da comunidade, hoje eles formam uma família, unida pelo amor à capoeira

Leitura obrigatória

capoeira 2 xx

Neste mês, o grupo de capoeira Raça e Movimento, do bairro Jardim Santa Cruz, completa um ano e, nesse período, seus idealizadores tiveram que correr atrás e batalhar para que o projeto não se perdesse.

Miguel Ângelo de Oliveira, de 21 anos, Ivan de Oliveira, 19 anos e Laércio Ap. Gomes Moreira Junior, de 19 anos, pertenciam ao único projeto de capoeira que existia na cidade, há cerca de 5 anos, o grupo Fortaleza. “Quando o projeto acabou muita gente ficou triste, pois a capoeira já era algo importante para quem a praticava. Decidimos, então, buscar outros projetos e, mesmo sem uma sede, não paramos, continuamos a nos reunir para praticar a capoeira”, conta Miguel.

Foi quando os rapazes conheceram o grupo Raça e Movimento, de Bragança Paulista, dos mestres Enir e Claudir, que estava instalado no bairro Oratório e, inspirados com o projeto, decidiram trazê-lo para o bairro Santa Cruz. “Com a vinda do projeto, seria possível fazer a graduação das crianças que jogavam capoeira, servindo como um incentivo para que elas levassem mais a sério”, afirma Laércio.

Como qualquer outro projeto, vieram as dificuldades. No começo, as aulas eram dadas na própria escola do bairro, porém, com o aumento dos alunos e da procura, foi preciso buscar outro local.

O lugar perfeito para a realização das aulas seria o salão comunitário do bairro, porém o grupo enfrentou alguns problemas para a liberação das chaves do salão. No entanto, os três idealizadores conseguiram o melhor aliado que um grupo pode ter: os próprios moradores daquele bairro. Foi feito um abaixo-assinado, que reuniu mais de 300 assinaturas para a liberação do salão comunitário e, assim, eles conquistaram o novo espaço para as aulas de capoeira que, hoje, contam com mais de 40 alunos, divididos em duas turmas.

“Foi uma conquista! Antigamente, não havia nenhuma opção de lazer para as crianças que não fosse a rua e, infelizmente, muitos jovens se desviaram, entrando para o mundo das drogas, o que também trouxe uma fama ruim ao nosso bairro. Mas graças ao incentivo que recebemos, pretendemos mudar isso, trazendo as crianças para o esporte, dando-lhes disciplina, evitando o mau caminho”, afirma Laércio.

“Nosso projeto é sem fins lucrativos. A única coisa que cobramos de nossos alunos é a disciplina, além de boas notas na escola. Já combinamos com as diretoras das escolas e, sempre que possível, pegamos cópias dos boletins, para acompanhar o desempenho dos alunos; caso ele não vá bem nos estudos, deixamos ele de fora dos treinos por algumas semanas, como forma de punição. E funciona! Ouço relato de pais, dizendo que seus filhos melhoraram, não apenas na escola, mas no comportamento dentro de casa. Tinha aluno aqui que dava muito trabalho e hoje me respeita, nunca pensei que teria uma turma que me respeitasse desta forma, e isso é muito gratificante”, declara Miguel.

capoeira 1E é assim, graças às dificuldades e conquistas que, hoje, o grupo de capoeira Raça e Movimento do Jardim Santa Cruz forma uma família, na qual um apoia o outro, tanto nos problemas dentro quanto fora dos treinos.

“A ajuda dos moradores foi essencial para chegarmos até aqui. Para arrecadar fundos para a capoeira, realizamos uma feijoada e um bingo, os quais contaram com a participação em massa da nossa comunidade. Agradecemos não só a eles, mas também à Rede Aprendiz, que forneceu os uniformes completos para os alunos; ao prefeito André Bozola que incentiva o grupo e já prometeu melhorias no salão comunitário, podendo trazer até aulas de ginástica e um espaço para cinema comunitário; à vereadora Bernadete e a Isabel da Socopisos, que doaram as bicicletas sorteadas no nosso bingo; às diretoras do projeto Vem Ser e da EM Eduardo Rodrigues de Carvalho, enfim, a todos que acreditam em nosso grupo e colaboram com o projeto. Graças a este incentivo, hoje conseguimos comprar instrumentos e alguns uniformes, além de fazer o sonho desses garotos acontecer, com a realização da graduação. A todos, o nosso muito obrigado”, finaliza Miguel.

Quem quiser conhecer um pouco mais sobre o projeto Raça e Movimento do Jardim Santa Cruz, é só comparecer ao salão comunitário do bairro (em cima da creche), às segundas, quartas e sextas, das 19h às 20h (crianças de até 10 anos) e das 20h às 21h (acima dos 10 anos) e conferir uma aula. “Qualquer pessoa que queira participar está convidada. A única exigência aqui é o compromisso e a força de vontade”, convida Miguel. Outras informações podem ser obtidas pelos fones 9 9810-3004, com Laércio, ou 9 9415-3587, com Lúcia.

- Anunciantes -
- Anunciantes -

Últimas notícias