Hoje: Indochina – Tailândia, Laos, Vietnam e Camboja

Leitura obrigatória

A Indochina propriamente dita, compreende os atuais países do Laos, Camboja e Vietnam, que compuseram a antiga colônia francesa denominada Indochine. A origem do nome é evidente: localizada no Sudoeste Asiático, a região está localizada entre a Índia e a China, sofrendo grande influência destas duas grandes nações.

Exatamente por se encontrarem na mesma região, também são frequentemente incluídos na denominação de Indochina a Tailândia, Myiamar (antiga Birmânia) e parte da Malásia. Convidamos Márcio e Rosinha Massei para falar dessa região em que estiveram numa de suas viagens de turismo.

Falem, Marcio e Rosinha!

Bangkok, a capital da Tailândia, foi nossa porta de entrada para este mundo encantador e misterioso. Não há voos diretos a partir do Brasil e, então, fizemos uma conexão em Amsterdã, na Holanda, partindo dali para esta aventura. Voo cansativo, que foi logo esquecido com a massagem tailandesa que nosso guia nos recomendou e que nos deixou novos em folha. Bangkok é uma cidade cosmopolita, com cerca de 10 milhões de habitantes e mistura edifícios modernos com templos muito antigos.

O maior templo de Bangkok é conhecido pelo nome de Templo do Buda Deitado (Wat Pho). Construído no século XVI, este templo aloja a estátua de um Buda colossal folheado a ouro, com 46 metros de comprimento e 15 de altura. Imperdíveis, também, o Palácio Real, com o Templo do Buda Esmeralda. Fizemos uma pequena excursão ao curioso mercado flutuante Damnoen Saduak, a 110 km de Bangkok, durante a qual pudemos encontrar, expostos à venda em barcos, frutas, verduras, roupas e artesanato local, além de passear de barco pelo labirinto de canais, observando casas tailandesas tradicionais e o modo de vida dos habitantes. Vale a pena conferir! A comida tailandesa é famosa internacionalmente, muito saborosa.

De Bangkok seguimos para o Laos, mais precisamente para seu maior atrativo turístico, a pequena cidade de Luang Prabang, às margens do Rio Mekong. Com 20 mil habitantes, Luang Prabang é uma cidade encantadora, reconhecida pela UNESCO como Patrimônio Cultural da humanidade. Além de diversos templos budistas, a cidade tem belas paisagens, com parques e cachoeiras deliciosos para um piquenique. Em um passeio pelo Rio Mekong, atinge-se a Gruta dos 3000 Budas, local belíssimo em que – dizem, não contei – há 3000 estátuas de Buda. A culinária, aqui, é bastante exótica: tomamos uma sopa de citronela (aquela que a gente usa para espantar insetos na praia) e não é que estava gostosa?

De Laos partimos para o Vietnam, começando pelo norte, em Hanoi, a capital do país, com seus 3,5 milhões de habitantes. Hanói era, inicialmente, a capital do Vietnam do Norte, e passou a ser a capital do país reunificado após a guerra do Vietnam (1955-1975), período que marcou o país e que nos faz, injustamente, associar o nome a uma região em conflito. Não é nada disto. O país se encontra em grande desenvolvimento, com cidades modernas e muito bem cuidadas. O povo é de uma simpatia contagiante.

Nossa guia local foi uma vietnamita que estudou em Cuba, na época da guerra, e falava um espanhol perfeito. Esta é, aliás, uma informação interessante: Na época da guerra do Vietnam, com o evidente risco a que estava submetida toda a população, Fidel Castro – dirigente máximo de Cuba e aliado da União Sovié-tica, que apoiava o Vietnam do Norte – convidou os jovens mais brilhantes daquela geração para estudar em Cuba, de forma a estarem preparados para a reconstrução do país, após o conflito. Nossa guia era engenheira agrônoma, formada em Cuba. Em Hanói visitamos o Mausoléu de Ho Chi Minh – presidente do Vietnam do Norte na época da guerra, com sua antiga residência, além do Templo da Literatura e a Pagoda Pillar.

Passeamos por uma hora em um triciclo pelo bairro antigo, delicioso e engraçado. Ainda no norte do Vietnam, visitamos a antiga Hoi An, outro Patrimônio Cultural da Humanidade listado pela UNESCO e um dos maiores centros comerciais do Sudeste Asiático do século XVI ao século XVIII e, ainda, Danang, Hoi An e Hue, a antiga capital imperial. O ponto alto do norte do Vietnam, no entanto, foi a Baia de Halong, paisagem lindíssima, de que desfrutamos em um passeio de barco, com direito a conhecer uma fazenda de pérolas. No caminho de volta da Baia de Halong paramos para observar a colheita de arroz e até brincamos de camponeses.

Seguindo para o sul, chegamos a Saigon, antiga capital do Vietnam do Sul, em que nos sentimos entrando nas telas de um cinema. Impossível não sentir o clima local, que evoca um oriente místico e encantador. Saigon tem, hoje, cerca de seis milhões de habitantes e é uma metrópole fervilhante, com um número incrível de bicicletas e um trânsito de deixar paulistano assombrado. O ponto alto de nossa visita a Saigon – aliás, hoje chamada Ho Chi Min, em homenagem ao comandante que unificou o país – foi a visita à área denominada Cu Chi. Esta é a região em que se escondiam os guerrilheiros do Vietnam do Norte, durante a guerra. O incrível é que eles se escondiam debaixo da terra, em uma rede de túneis e salas – até cozinhas – que era virtualmente impossível de detectar. Para cozinhar embaixo da terra faziam chaminés disfarçadas entre as folhagens e somente cozinhavam bem cedo, pela manhã, quando a névoa natural se confundia com a fumaça. Incrível! Andamos um pequeno trecho embaixo da terra, e pudemos constatar que não era nada fácil.

Nossa última parada na viagem foi a cidade de Siem Rep, no Camboja. Aí enlouquecemos: nunca havíamos visto um conjunto de Templos tão extraordinário, pela beleza, conservação, porte de cada um deles e, especialmente, o tamanho da área em que estes estão instalados. São 400 km² de área, com dezenas de templos, construídos entre os séculos IX e XV, e praticamente abandonados por vários séculos, sendo tomados pela selva. Foram templos, originalmente hinduístas e, posteriormente, budistas, refletindo a religião oficial em cada época. O conhecimento mais amplo deste complexo, no ocidente, ocorreu no final do Sec. XIX, mas sua exploração turística tem menos de 50 anos.

Siem Reap, hoje, vive momento de grande expansão turística, com muitos hotéis de ótima qualidade. A colonização francesa produziu uma culinária refinada, com pratos orientais preparados de modo refinado. Estivemos em um restaurante chamado Madame Butterfly, que ficou para sempre em nossa memória. Os principais templos do complexo são o Angkor Wat, o Bayon e o Ta Prohm, ou templo da selva. O Angkor Wat é o maior, logo na entrada do parque, e foi, além de templo, Palácio Imperial. Fizemos um passeio de madrugada, para ver o nascer do sol atrás do Angkor Wat: vale a pena! O Bayon é o Templo mais fotografado: quando se olha um folheto turístico do Camboja, quase sempre vemos a imagem de um imenso Buda sorridente. É a entrada do Bayon. O Ta Prohm, ou Templo da selva, é um capítulo à parte: durante séculos árvores imensas cresceram entre as pedras do templo, e lá permanecem, oferecendo uma visão deslumbrante. Quem assistiu ao filme Lara Croft: Tomb Rider pode observar algumas imagens, pois boa parte do filme se passa ali.

Despedimo-nos da Indochina, depois de 21 dias, com um gostinho de quero mais e, sem dúvida, imensamente enriquecidos em nossa visão do mundo e dos povos que o habitam. Contar estas histórias nos deixa loucos para viajar novamente!

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