Hoje: Marrocos

Leitura obrigatória

O Reino de Marrocos é um país localizado no extremo noroeste da África, cuja capital é a cidade de Rabat. Marrocos esteve sucessivamente sob o domínio dos fenícios, do Império Romano e do Império Bizantino, até a chegada dos árabes, que trouxeram o Islã, no século VIII.

Os bérberes, no entanto, assumiram o controle no século XI e governaram, não só Marrocos (agregando-lhe reinos vizinhos), mas também a parte sul da Península Ibérica, até ao fim do século XII. Nos séculos seguintes, Marrocos passou pelo controle de Portugal, da Espanha, Inglaterra e França. Em 1955, a França concordou com a independência da sua colônia, que foi celebrada dia 2 de março de 1956.

Marrocos caracteriza-se por ser um país montanhoso, destacando-se quatro grandes cadeias montanhosas: o Rife, Médio Atlas, o Alto Atlas e o Anti-Atlas. As três últimas integram a Cordilheira do Atlas, que se estende desde a costa atlântica até a Tunísia.

Os árabes representam cerca de 70% da população e os berberes, 30%; todas as outras etnias não chegam a corresponder a 1%. A religião dominante é a muçulmana sunita (99%). A língua predominante no país é a variante marroquina do árabe.

Quem nos conta um pouco desse país é Paula Carvalho Mourão que acompanhou seu marido, Alan Thayme Bebiano Vieira, ao Mundial Interclubes da FIFA, que acontecia em Marrocos.

Fale, Paula!

A inusitada viagem aconteceu no final de 2013. Meu esposo é torcedor do Atlético Mineiro, time que representava nosso continente naquela competição, por ter sido o campeão da Taça Libertadores da América, naquele ano. Fui com certa desconfiança, pois aquele país, para mim, era uma incógnita. Naquela ocasião não havia voos diretos, e viajamos via Europa, com conexão em Amsterdã. Hoje em dia já existem voos diretos semanais, partindo de Guarulhos, pela Air Royal Maroc, com duração média de 9 horas.

Após longas 17 horas de viagem (incluindo conexão), chegamos naquela que foi, sem dúvida, a mais surpreendente viagem de nossas vidas. Marrocos possui influências culturais de diversos povos, o que lhe confere uma diversidade ímpar. A primeira cidade pela qual passamos foi a multicultural Marrakesh, a terra das “Mil e Uma Noites”. A parte antiga, localizada dentro de muros fortificados (também chamado de Medina), é simplesmente sensacional! Mesquitas lindas, jardins suntuosos, como o Le Jardin du Marjorelle, que chegou a pertencer ao famoso costureiro francês, Yves Saint-Laurent, além dos palácios e construções típicas, todas do mesmo tom salmão, conferem uma beleza única à cidade. Ao anoitecer, ela se transforma. Na praça principal, Jhema Al Fna, acontece de tudo. Pudemos ver desde encantadores de serpentes a restaurantes a céu aberto com pratos exóticos, e barracas expondo todos os tipos de produtos, desde azeitonas e escargot, a joias de prata com enfeites exóticos e inusitados. Isso sem falar nos excelentes restaurantes, onde quase sempre somos brindados com dançarinas do ventre, em performances impressionantes. O grande barato de Marrakesh é deixar-se perder em meio às ruelas da Medina. Uma descoberta em cada esquina, como a Medersa Ben Youssef, a universidade mais antiga e conceituada do Marrocos. Simplesmente maravilhosa, com um pátio central com uma piscina que reflete suas formas, e paredes revestidas, ora de azulejos belíssimos, ora de madeira com entalhes minuciosos e de rara beleza. Fora da Medina, pudemos vislumbrar, ainda em Marrakesh, o Pavillon de La Menara, antigo palacete com um imenso lago artificial em meio às dezenas de colunas de Oliveiras, onde as pessoas se reú-nem ao final da tarde, para apreciarem o magnífico pôr do sol. É de perder o fôlego!

Saindo de Marrakesh, fomos em direção ao deserto marroquino, para conhecer a maior e mais fantástica cidade bérbere do país: Ouarzazate, apelidada de ”A porta do deserto”. No trajeto, passamos pela cordilheira do Atlas, onde fomos surpreendidos por uma nevasca. Ali, aconteceu algo engraçado. Como meu marido não estava paramentado adequadamente, para enfrentar o frio congelante e inesperado, foi obrigado a comprar, numa lojinha perdida em meio à cordilheira, uma vestimenta berbere típica, a djellaba, aquele vestidão típico, acrescido do turbante. Verdadeira cilada para os incautos. Transformou-se num típico marroquino! E assim ficou, durante todo o passeio, pois mesmo no deserto as temperaturas permaneceram baixas. Nas proximidades daquela cidade, visitamos as instalações da Atlas Corporation – a Hollywood africana -, com inúmeros cenários de locações de filmes e séries famosas, como da megaprodução dos anos 50, Cleópatra, e do atual Game of Thrones. Passamos, ainda, por inúmeras kasbahs. A kasbah é uma residência majestosa ou a habitação de uma família. As kasbahs (tighremt, em bérbere) desempenharam, por muito tempo, o papel dos castelos fortificados, sendo lugares de refúgio para pessoas e animais, e protegendo do frio e de outras ameaças. A mais impressionante foi a de Ait Bem Haddou, onde fomos surpreendidos por uma tempestade de areia e precisamos nos refugiar precocemente no interior da van que nos transportava. Em Ouarzazate, passamos um dia mágico, com inúmeras surpresas e aventuras.

Para finalizar, fomos de trem até Casablanca, a capital cultural de Marrocos e que ficou famosa pelo filme clássico homônimo, da década de 40. No trajeto, pudemos constatar um pouco mais da diversidade, passando por desertos e vales férteis. Apesar de não ter a mesma magia de Marrakesh, vale a visita para conhecer a mais imponente Mesquita da África e segunda maior do mundo, a Mesquita Rassam II. Um luxo só, com paredes revestidas de mármore Carrara e lustres gigantescos de cristais de Murano.

Assim foi a nossa estadia no país mágico, de povo alegre e amistoso, cujas recordações levaremos para sempre em nossas memórias. Ah, o Atlético Mineiro! Bem, este não passou de um “honroso” terceiro lugar, mas serei eternamente grata ao time de meu marido, por ter nos levado a conhecer o surpreendente Reino de Marrocos.

E tanto eu como Alan recomendamos essa viagem, mesmo que não seja para assistir a um jogo do Atlético Mineiro! Vale a pena!

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