Hoje: Monte Roraima  

Leitura obrigatória

Um dos lugares mais antigos do planeta, com formações geológicas exóticas, o Monte Roraima marca a divisa dos três países da América do Sul: Brasil, Venezuela e República Guiana. Tem atraído a atenção de turistas, aventureiros, biólogos, antropólogos, místicos e todos aqueles que buscam, nesta fascinante aventura, o reencontro consigo mesmo e com a origem da vida no planeta. E isso leva todos a repensarem sobre o verdadeiro sentido da existência. O Monte Roraima é complexo, desafiador e misterioso. Sua idade geológica é estimada em mais de 2 bilhões de anos, com flora e fauna endêmicas.

No ano passado, contamos a aventura do dentista David Zuccato, que percorreu a Transamazônica e Rodovia Fantasma, totalizando 6 mil quilômetros sobre sua moto. Recentemente, ele passou por outra aventura, indo até o famoso Monte Roraima, cenário escolhido para a produção global Império, exibida entre julho de 2014 e março de 2015. E para deixar a aventura ainda mais emocionante, o dentista foi a pé, o que, segundo ele, deu um frio ainda maior na barriga. “Mas correu tudo bem. Eu já estava planejando a viagem há algum tempo, mas não tive a possibilidade de ir de moto. Compramos o pacote com a Pisa Tur de São Paulo e quem nos recebeu foi a Tribo Indígena Paraitepume, da Venezuela”, disse ele.

Fale, David!

Chegamos de avião em Boa Vista-RO e fomos recepcionados pela Roraima Adventure, que nos levou para cidade de Santa Helena, na Venezuela, onde dormimos. No outro dia, foram carregadas as três caminhonetes, com comida, banheiro portátil etc., e rodamos 100 km de terra até a aldeia e, de lá, seguimos a pé.

Foram três dias para chegar ao topo da montanha; dormimos três dias em cima dela e voltamos em dois dias, num total de 110 km.

No primeiro dia, subimos numa inclinação de 45º, no segundo 60º e no terceiro enfrentamos com uma inclinação de 75º, onde teve que ser tração 4×4… kkkk. Mas, o pior mesmo foi descer, pois o joelho é quem paga os pecados.

Nos três dias que ficamos em cima do Monte percorremos 24 km; no 1º dia, para ir até o marco onde fazem fronteira os países da Venezuela, Brasil e Guiana; o segundo dia foi mais leve, com cerca de 15 km…. E depois começou a volta.

A equipe que organiza tudo é de uma competência fantástica, comidas incríveis foram preparadas sem nenhuma infraestrutura; todo lixo é totalmente coletado, inclusive as fezes, que acondicionamos em sacos de lixo que nos é dado no início e colocamos cal, para a desidratação desse material. Foi um total de 10 dias, entre ida e volta.

Para isso, nos preparamos de acordo com o nosso tempo, fazendo caminhadas pela nossa zona rural. Aliás, aproveito para agradecer a Renata Lemos da Correria e a Kátia Pereira, por me ajudarem nesse preparo.

Não posso esquecer, também, do meu parceiro de viagem: Antonio Villibor, o Tonhão, da casa de parafuso TKM. Grande pessoa, parceiro para todas as horas boas e difíceis. Agradeço a Deus, pois ele tem colocado pessoas fantásticas para me acompanharem, nessas viagens.

Dificuldades

São várias dificuldades, pois saímos de nossa zona de conforto e, entre elas, estão:

– O banheiro era em uma barraca com uma cadeira e um tampo de privada, você adapta o saco que já mencionei;

– Dormir, dividindo a mesma barraca, ou seja: dois gigantes em uma barraca pequena;

– O tempo lá em cima é muito instável: hora muito frio, hora sai um sol, com o qual você tem que correr para tomar banho nas banheiras naturais que o lugar oferece, a uma temperatura de 2ºC;

– Andar todo dia não é fácil; praticamente andamos de 6 a 8 horas por dia, durante 8 dias consecutivos.

Apesar disso tudo, trazemos na bagagem a consciência de que é possível viver com muito pouco, inclusive sem gasolina (risos).

E a próxima aventura já está com destino certo: Três Chapadas – Diamantina -Veadeiros e Guimarães, mas de moto.

Considerações finais

Gostaria de comentar sobre a condição econômica da Venezuela, que está bem complicada; lá, você compra alimentos com racionamento, crianças trabalhando pesado mesmo, pode se dizer como escravas; vi uma menina de 11 anos, carregando uma bagagem de 20 quilos nas costas, chorando, e não poder intervir, é complicado!

O respeito com a Montanha é de se admirar, não entra álcool e nem droga. Você não pode gritar, e também não pode retirar nenhum cristal, pois quando chega na aldeia de volta passamos por uma revista completa; e se encontrar algum cristal tem que cumprir 6 meses de cadeia.

De positivo, destaco a natureza que é bela, e o fato de que com R$ 3,00 (três reais) você consegue comprar 50 litros de gasolina…e da boa, ainda!

Agradeço a minha família pela compreensão por este desejo de aventura e ao meu parceiro Tonhão! Valeu mesmo! Com certeza foi uma viagem que ficará marcada pela superação e persistência em cumpri-la.

- Anunciantes -
- Anunciantes -

Últimas notícias