Hoje: Rússia

Leitura obrigatória

pelo mundo russia 2

Selma Ap. de Oliveira Santos, que fez uma viagem à Rússia, com um grupo de oito amigas que curtem os mesmos interesses, nesta semana continua o relato desse passeio inesquecível.

Na segunda etapa da viagem, em uma van com guia, fomos fazer o “Anel de Ouro”, um roteiro circular que começa e acaba em Moscou. Em todas as catedrais que visitamos há apresentação de jovens cantando à capela e vendendo seu CD. Segundo a guia, depois de 70 anos de proibições, a Rússia está fervorosa.

Visitamos primeiro Sergiev Posad, “a Sagrada”. Nesta cidade, a 70 km de Moscou, há o imenso Mosteiro da Santíssima Trindade de São Sergio, do século XIV, com imensa fila de fiéis para beijar o sarcófago do santo e tomar água de uma fonte milagrosa. É um dos maiores conjuntos arquitetônicos da Rússia, cujas igrejas têm cúpulas azuis com estrelas douradas. É um grande centro de artesanato, especialmente das matryoskas, bonecas russas típicas.

Fomos, em seguida, para Suzdal, pequena cidade rural que vive do cultivo de pepino. Foi um importante principado na Idade Média, considerada Patrimônio Histórico da Humanidade. Tem um interessante parque, Museu de Arquitetura, repleto de casas típicas de madeira bem trabalhada. Uma delas montada como modelo de casa russa de moradores com parcos recursos e outro modelo de casa de gente abastada. Nelas há modelos vivos vestidos a caráter, executando bordados, carpintaria, tocando música típica, tecendo sapato de palha de milho. Entre os séculos XIV e XVI, ricos mercadores construíam igrejas para comprar seu lugar no céu, o que explica o grande número de igrejas de Suzdal.

Seguimos para Vladímir, a “Real”, que foi capital da Rússia. No século XII, o príncipe Vladímir resolve construir uma fortaleza para seu filho e a capital, que era Kiev, passa a ser Vladímir. Esta cidade hoje não tão pequena, tem as mais antigas igrejas da Rússia, a Catedral da Assunção e a Catedral de São Demétrius.
Na terceira etapa da viagem, voltamos para Moscou e fomos para a curiosa Estação Fluvial Setentrional, que tem o aspecto de um grande barco, em mármore, granito, arcadas e galerias. Embarcamos no Cruzeiro Ross, um pequeno navio fluvial (200 passageiros) e nele viajamos por 11 dias. Partimos pelo canal Moscou-Volga, descemos em cinco cidades bastante diferentes entre si e, por último, em São Petersburgo. Quando o passeio não retornava a tempo das refeições, a tripulação nos levava lanche ou preparava churrasco. À noite no navio tinha show, com danças, pianista, brincadeiras, curso de russo e coral.

O navio fez a primeira parada em Uglicht, onde visitamos o Kremlin, a Catedral da Transfiguração e a feira de artesanato; na cidade de Yaroslav, do século XI, fizemos o passeio pelo centro histórico e visitamos o antigo palácio do governador, hoje museu e galeria de arte, onde curtimos os jardins e o Mosteiro da Transfiguração do Salvador, do século XII; em Goristsy, vilarejo tipicamente russo, fomos ao Convento da Ressurreição, famoso por ter tido quarenta nobres que se recolheram à vida monástica; na Ilha de Kizhi, o passeio a pé foi até o lago Onega, o segundo maior lago da Europa, hoje sede de um museu etnográfico com o maior conjunto arquitetônico do mundo; a quinta parada foi em Mândrogui, localidade turística que foi destruída em 1942 e reconstruída na década de 1960. Ali vimos hotéis, restaurantes, ateliê de artistas e um belo parque com esculturas em madeira, reproduzindo personagens do poeta russo Pushkin; e navegando até o lago Ládoga, o maior da Europa, seguindo pelo Rio Neva, chegamos à sexta e última parada: São Petersburgo. Vimos a famosa “Noite Branca”, que é um céu cor de rosa, onde o sol não se põe, só abaixa, e o céu fica lindo. Em São Petersburgo, um “quê” de Veneza na Rússia, fizemos city tour pelas principais atrações da antiga capital imperial, com muitos prédios majestosos: o da Bolsa, da Academia de Belas Artes, as grades das pontes, cúpulas dos templos, Praça do Palácio com sua coluna de Alexandre, Prédio do Almirantado, Praça do Senado, o Rio Neva, monumentos, que fazem de S. Petersburgo, uma cidade única.

A fortaleza de São Pedro, que deu o nome à cidade, tem campanários altíssimos, cuja silhueta se vê de toda a cidade. A Catedral de S. Pedro e São Paulo, dentro da fortaleza, tem ícones entalhados em ouro, tão brilhantes que ofuscam.

Fomos assistir “O Lago dos Cisnes” no Teatro Alexandrovsky, majestoso, com veludos e dourados; a apresentação perfeita e o estar na terra do autor da música, causou-nos profunda emoção. Visitamos o Museu Hermitage, que tem mais de 400 salas abertas, mais de 3 milhões de objetos, uma das melhores coleções de arte do mundo. A Catedral de S. Isaac é a maior da Rússia, com mais de 100m de altura. Seu interior de malaquita e lápis-lazúli, com colunas imensas de 30m, vitrais e mosaicos é tão luxuoso que, generosamente, não a destruíram. A Catedral do Salvador do Sangue Derramado tem um altar no lugar onde o czar Alexandre caiu morto, num atentado. Por fora, a igreja é toda colorida, por dentro seus mosaicos a tornam uma das igrejas mais bonitas da Rússia. Foi depósito de batatas na época soviética.

A visita ao grande Palácio de Catarina (ficou 34 anos no trono) é um ponto alto. Fachada solene e pomposa com 300 m de comprimento. Joia do barroco russo, sala em âmbar, sala de quadros e outras obras de Rastrelli ganharam fama mundial. Os jardins são artísticos e bem cuidados (sempre por jardineiras mulheres – foi o que vimos por toda a Rússia).

Peterhof, conhecido como a “Versalhes Russa”, pela magnificência de seus jardins, é um conjunto de palácios, parques, jardins, fontes, esculturas, e funciona de maio a meados de setembro. Fica no Golfo da Finlândia e foi planejado para residência de verão de Pedro I. As fontes são ligadas ao mesmo tempo, ao som de música vibrante. Tem até “pegadinha”: dois bancos que, quando a pessoa se aproxima, aciona um chafariz que lhe dá um banho.

Em S. Petersburgo, nos despedimos do Navio Ross, da Rússia e retornamos cheias de encantamento, já pensando num próximo roteiro. Diz Saramago: “A felicidade tem muitas faces. Viajar é uma delas.”

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