Lilian Monteiro fala sobre as principais tendências deste outono inverno 2017

Leitura obrigatória

 

No dia 20 de março, última segunda-feira, teve início, oficialmente, o outono 2017. Seis meses antes, a indústria da moda preparava a produção das novas coleções, que já estão presentes nas vitrines, revistas e nas ruas. Mas, afinal, o que vamos usar neste ano, durante o outono e inverno? Para ajudar na melhor escolha, Lilian Monteiro separou três principais tendências que deram origem às formas, cores e estampas que estarão em alta, nesta estação.

“É bom ressaltar  que essas tendências são globais e atingem tanto o setor feminino quanto o masculino”, enfatiza ela. Confira:

MILITAR: A tendência militar com estilo jovem ganha sua própria identidade, com peças funcionais e utilitárias, que se unem à rebeldia grunge dos anos 90 e às referências underground. Nessa tendência, os patches estarão por toda parte, em uma pegada divertida nas jaquetas, parcas, bolsas e acessório. Acabamentos desgastados, vestidos estampados, camisetas com frases impactantes, cores em tons terrosos e esverdeados, estampas camufladas estilizadas e xadrez traduzem todo o clima de uma tendência militar jovem e rebelde.

Para entendermos melhor essa tendência militar, o que seriam as referências Grunge e Underground?

O Grunge é um subgênero do rock alternativo que surgiu no final da década de 1980 e início dos anos 1990, em Seattle (EUA). Esse estilo de música derivou-se da mistura dos movimentos de punk e heavy metal, que impulsionou a popularidade do rock alternativo, bem como marcaram a moda com jeito desleixado rebelde de se vestir. Os músicos grunges vestiam-se com camisas xadrez de flanela, sobreposições de peças, calça jeans rasgada, bermudas largas e cabelos longos e despenteados. Underground, em inglês, significa subterrâneo e caracteriza uma cultura que foge dos padrões normais e conhecidos pela sociedade. Na moda, por exemplo, é tudo aquilo que não faz parte do cotidiano e veste somente uma pequena parte da população.

GIPSY/NOMADE: Na busca para descobrir a nossa essência, essa tendência descobre o mundo e faz uma forte mistura de referência multicultural nômade e folk, que ganha formas e cores para inspirar o desenvolvimento de coleções que nascem da conexão com um mundo repleto de estampas florais, étnicas, bordados artesanais, texturas naturais, efeitos de FEITO À MÃO, patch work e muito mix de estampas e formas, sem medo de ser livre e feliz, trazendo um inverno multicultural e colorido. Se na tendência militar a estampa “chave” é a camuflagem e o xadrez, o que aparece aqui, com força, é a estampa PAISLEY. Forte referência de estampa dos anos 70, sua origem é indiana e persa, surgindo no século 18 e integrando as estampas de xales com seu formato de folha distorcida. Apesar do nascimento oriental, a estampa Paisley, como ficou conhecida, ganhou esse nome por causa do centro têxtil da Escócia, por ter sido levada ao Reino Unido pela Companhia Britânica das Índias Orientais e ser produzida na cidade de Paisley. Depois disto, o Paisley virou um símbolo do movimento hippie e da contracultura nos anos 70.

Falando um pouco mais sobre as referências que serão muito usadas na tendência nômade/Gipsy, é bom entendermos o significado da expressão “folk”: Significa povo e tribo, o termo FOLK provém da palavra ‘folklore’ (folclore) e foi um estilo musical popular, que usa elementos da música folclórica com alma rural. O estilo musical Folk estourou nos anos 60, quando passou a ser misturado com o rock, que trouxe letras carregadas de discursos de protesto. E como todo bom gênero musical, o folk também influenciou o mundo da moda, e os elementos característicos da tendência são traduzidos em tons terrosos, materiais rústicos e artesanais e temática ligada à natureza e a tribos.

Mundo Oriental: O Japonismo, conceito de moda que foi criado na década de 80 pelos estilistas japoneses Rei Kawabuko e Issey Miyakere, aparece como tendência no outono e inverno 2017, trazendo o conceito urbano com uma releitura do clássico chique. Com cortes e silhuetas mais retas e uma estamparia elegante, as referências culturais japonesa vão ser a base da estamparia dessa tendência, como por exemplo o pássaro Tsuru, dragões, desenhos animados, flor de cerejeira e folhagens de bambuzal espaçados em aquarela, combinadas a uma cartela de cores mais minimalista, com bases em preto e branco. Você vai usar, nessa tendência, quimonos reinventados de várias formas, laços de queixas para adornar acessórios e roupas, jaqueta Bomber e, para fechar a coleção, não vão poder faltar tecidos nobres e looks repletos de amarrações e camadas, que são verdadeiras dobraduras de vestir.

No meio de tanta oferta, de tanta tendência, o mais importante de tudo, é deixar prevalecer o seu estilo. “É saber escolher o que tem mais a ver com você e saber dizer não ao que não a faz sentir-se bem e confortável… Não tem mais nada fora de moda do que ser vítima da moda”, finaliza Lilian.

Lilian Monteiro é socorrense, formada em Moda pela Faculdade Santa Marcelina, cursou Consultoria de Estilo e Imagem pelo Senac-SP, é colunista do Jornal O Municipio desde 2010 e atua como especialista de Visual Merchandising de Moda e Moda Casa, na Seller Magazine .

Artigo anteriorEdição de 24/03/2017
Próximo artigoEvento de 1959
- Anunciantes -
- Anunciantes -

Últimas notícias