Microcefalia: pediatra e ginecologista alertam sobre causas e prevenção  

Leitura obrigatória

Dra ELAINE 1Diante do aumento de casos de microcefalia no País, particularmente na região Nordeste, e possível associação com o Zika Vírus, devemos estar alertas e entender essa situação.

O Ministério da Saúde informou que já foram notificados 739 casos suspeitos de microcefalia, em 160 cidades de nove estados do país. A principal hipótese para o surto continua sendo o contágio por zika vírus – identificado no Brasil, pela primeira vez, em abril. Pode haver uma possível relação do aumento do número de casos de microcefalia com a ocorrência da doença pelo Zika Vírus, porém, o Ministério da Saúde ainda não tem nada comprovado. O zika é transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, assim como a dengue e o chikungunya.

A microcefalia é um sinal de alarme de que algo precisa de melhor investigação e, em  conjunto com outros sinais e sintomas, pode caracterizar uma síndrome ou doença congênita, malformação genética ou é um efeito secundário a infecções, agentes químicos ou biológicos, vírus, ou mesmo radiação.

O que mais tem preocupado as autoridades de saúde no país é o grande aumento de crianças nessa situação, numa determinada região e ainda sem uma causa definitiva, que explique o motivo.

Vamos entender melhor sobre a doença, como evitá-la e o que fazer, neste momento, por meio da entrevista que fizemos a dra. Elaine Bueno de Souza – Pediatra que dá esclarecimentos sobre o assunto, e já avisa: “A única prevenção possível é a mãe cuidar de sua saúde durante a gravidez e tomar medidas preventivas, para evitar algumas causas de microcefalia”

O que é microcefalia?
Microcefalia é o nome que se dá quando uma criança tem a cabeça menor do que o considerado padrão, para a idade. Não é exatamente uma doença, na verdade é um sinal  de que o cérebro não cresceu ou não está crescendo como deveria, pois é o crescimento do cérebro que ajuda o crânio a crescer.

Além do ZIKA, quais outros fatores são determinantes no desenvolvimento da microcefalia?
São muitos os fatores que podem determinar a microcefalia, sendo alguns ainda desconhecidos. Entre os mais conhecidos, podemos citar: síndromes ou problemas genéticos, infecções sofridas pela mãe durante a gravidez, como no caso do ZIKA; exposição da mãe a agentes teratogênicos (que causam malformações) durante a gravidez, doenças maternas durante a gravidez, lesão ou trauma no cérebro do bebê, e fechamento prematuro das moleiras.

A microcefalia pode levar a óbito ou deixar sequelas?
Depende de qual for a causa da microcefalia, do tipo de tratamento a ser realizado e da resposta da criança ao tratamento.

Como é feito o diagnóstico?
Durante a gestação, por meio do ultrassom, quando a medida da cabeça (perímetro cefálico) é menor, se comparada com as outras medidas do feto e com a idade gestacional. Porém, esse método não é exato, pois depende muito da habilidade do profissional, da posição do bebê e da qualidade do equipamento.
Após o nascimento, usa-se uma fita métrica para medir o perímetro cefálico. As autoridades brasileiras estão determinando, para efeito de monitoramento, que serão considerados casos suspeitos, desde que nascidos após trinta e sete semanas de gestação, os recém-nascidos com perímetro cefálico menor de trinta e dois centímetros (32 cm). No entanto, é necessário levar em conta outros dados relacionados ao recém-nascido, como as circunferências cefálicas dos pais, parto normal, e as proporções do restante do corpo da criança.
Além disso, o acompanhamento do crescimento do perímetro cefálico nas consultas de puericultura pode detectar uma parada no crescimento do crânio, e também um atraso do desenvolvimento neuropsicomotor da criança, num diagnóstico mais tardio.

Qual o tratamento da microcefalia?
Não existe um tratamento único para a microcefalia; primeiro, porque não é possível fazer o cérebro e o crânio voltarem ao normal, e também depende muito da causa da microcefalia para o tratamento adequado às diversas doenças que levam a esse sinal.

Uma criança com microcefalia pode ter uma vida normal, como qualquer outra?
Tudo vai depender da situação do cérebro, das malformações e das causas da microcefalia. Geralmente, essas crianças, por falta de desenvolvimento do cérebro, podem apresentar atraso intelectual e motor, paralisia cerebral, epilepsia, distúrbios oftalmológicos, hiperatividade etc. Quanto menor for a cabeça da criança, maior a gravidade das sequelas.

Você já atendeu algum caso? Como foi?
Já atendi casos de crianças que nasceram com microcefalia, porém foram encaminhadas ao neurologista, para um possível diagnóstico da causa e tratamento compatível com a mesma. Quanto à crianças com microcefalia causada pelo ZIKA, não tivemos nenhum caso, até o momento, nascidos em Socorro.

Dra ELAINEAlgo mais?
É importante ressaltar que um dado isolado de perímetro cefálico não faz o diagnóstico de microcefalia e que a única prevenção possível é a mãe cuidar de sua saúde, durante a gravidez, e tomar medidas preventivas para evitar algumas causas de microcefalia.
E que se, realmente, for constatado que a criança tem microcefalia ao nascer, ou após, além das intervenções e dos tratamentos deverem ser iniciados o mais cedo possível, o amor, o carinho e o apoio da família farão o grande diferencial, para que ela se desenvolva da melhor maneira possível.
Nosso cérebro ainda é um órgão bastante misterioso, surpreendente e, em muitos casos de problemas cerebrais, as crianças se desenvolvem muito melhor do que o esperado e previsto pelos médicos.

 

“As mulheres que desejam engravidar, devem analisar os riscos com a família e com seu médico, antes de tomar uma decisão”, orienta ginecologista

 

Dra Maria Elisa 1

Entrevistamos, também, a ginecologista Maria Elisa Araújo de Souza. Confira, abaixo. 

Qual a sua recomendação para as grávidas ou para aquelas que estão planejando uma gravidez?
Diante da gravidade das sequelas causadas pela infecção pelo zika vírus,  tenho orientado minhas pacientes que planejam uma gravidez, a evitá-la nos próximos meses. Porém, o casal deve avaliar e tomar sua decisão .

Como evitar microcefalia?
A microcefalia, causada pelo zika vírus, vai ser evitada, eliminando-se o contágio pelo vírus. As gestantes devem então, tomar as providências para se protegerem, ao máximo, das picadas do mosquito.

Tem recebido muitas futuras mamães preocupadas com a microcefalia?
Naturalmente, todas as gestantes ficam muito apreensivas diante dessa situação. Nas consultas de pré-natal elas se mostram sempre  preocupadas com as medidas da cabeça do bebê.

Quais as recomendações para prevenção à microcefalia? Quais as principais causas?
A microcefalia é o resultado do crescimento abaixo do normal do cérebro da criança ainda no útero ou na infância.
A microcefalia pode ser genética e algumas das causas são: malformações do sistema nervoso central; diminuição do oxigênio para o cérebro fetal; exposição da gestante a álcool, drogas ou determinados produtos químicos; desnutrição grave na gestação; rubéola congênita, toxoplasmose congênita ou citomegalovirose congênita.
As formas de prevenção da microcefalia causada pelo zika vírus são: evitar a proliferação do mosquito em casa, eliminando-se os criadouros; usar roupas que cubram o máximo possível do corpo; usar repelente diariamente; usar telas de proteção em janelas e portas. As gestantes devem também evitar as viagens para áreas endêmicas do zika vírus.

No caso dos Zika vírus, quanto aos repelentes, você recomenda algum específico? Como usar?
Conforme divulgado pelo Ministério da Saúde, as três substâncias capazes de afastar o mosquito Aedes aegypti são: icaridina, o DEET e IR3535.
A icaridina (Exposis) é o repelente de maior duração na pele, conferindo aproximadamente 10 horas de proteção, contra os insetos.
O DEET é o mais comum e o mais fácil de ser encontrado nas farmácias e supermercados (OFF, Autan, Repelex, entre outros), é muito eficiente, mas sua duração depende da concentração de DEET no produto. As gestantes podem usar na versão para adultos (15%), com 6 horas de duração. O infantil (6 a 9 %) tem apenas 2 horas de duração.
O IR3535 (loção antimosquito Johnson’s) é indicado para crianças e tem menor tempo de proteção, devendo ser reaplicado várias vezes, durante o dia.
Concluindo-se então, a icaridina seria a melhor escolha para as gestantes, pelo longo tempo de duração.
Vale lembrar que o mosquito do zika tem hábitos diurnos, então o uso de repelente deve priorizar este período.

No início da epidemia, alguns profissionais chegaram a declarar que a única prevenção à microcefalia seria evitar a gravidez. Você concorda?
Dra Maria ElisaRealmente, a única forma de garantir a não exposição ao risco de microcefalia causada pelo Zika vírus é evitar a gravidez, neste momento.

Algo mais?
Nós, profissionais da saúde, devemos orientar as mulheres sobre os riscos da microcefalia, uma má-formação cerebral que pode afetar o desenvolvimento, causando dificuldades cognitivas, motoras e de aprendizagem.
Portanto, as mulheres que desejam engravidar, devem analisar os riscos com a família e com seu médico, antes de tomar uma decisão.

E aquelas que já estão grávidas devem ser bastante cautelosas em relação às medidas de proteção.

 

Artigo anteriorEdição 05/02/2016
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