Morar em Lisboa: uma experiência inesquecível!  

Leitura obrigatória

Amanda XXj[

Morar fora do Brasil nunca foi o meu objetivo, e quem me conhece um pouco mais a fundo, sabe do apego que eu tenho com o meu país e, acima de tudo, com a cidade de Socorro. Formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (em agosto de 2014) decidi dar continuidade à minha profissão e formação em Jornalismo. Apesar dos pesares da profissão, sobretudo no Brasil, tenho a necessidade de provar a mim mesma que as oportunidades somos nós quem as criamos, independentemente da situação política, social e econômica do país onde moramos.

Foi com toda essa ideia pré-estabelecida na minha cabeça que decidi me candidatar ao Mestrado, na minha área de formação. Estava em dúvida entre Portugal e Moçambique e, depois da orientação com uma ex-professora, de Língua Portuguesa (Manô), decidi que Portugal seria o destino para os meus próximos dois anos de estudo.

Portugal é um país situado na Europa Meridional, com quase 11 milhões de habitantes, em sua totalidade, somando todas as cidades, vilarejos e litoral. Lisboa, por sua vez, cidade onde moro, atualmente, tem cerca de 500 mil habitantes e, totalizando, 3 milhões quando somada toda a região que a envolve, aqui chamada, de Distrito.

Foi no dia 6 de outubro de 2015, por volta do meio dia e meia, que desembarquei em solo lusitano, para dar início a uma nova vida. Uma vida cheia de novidades e momentos nunca imaginados de serem vividos: desde a surpresa de não saber ligar o chuveiro, até não ser contratada para um cargo, por ser negra e brasileira.

Sair da nossa “zona de conforto” é atitude que requer um tanto de coragem. Arriscar uma nova vida é como dar um tiro no escuro, trocar o certo, pelo duvidoso. As primeiras semanas, até arrisco em dizer, os primeiros meses, serão os que mais requerem maturidade e equilíbrio emocional e é, justamente, durante esse tempo, que a gente se descontrola e sempre fica à beira de desistir de tudo.

Brasil e Portugal têm, teoricamente, o mesmo idioma. Conseguimos nos comunicar e nos entender, mas são línguas totalmente, diferentes. Um dos embaraços que passei aqui, assim que cheguei, foi o de estar apertada para ir ao banheiro e não ser compreendida, porque aqui é chamado de “casa de banho”, indiferentemente se você vai ou não usá-la, para tomar banho. Outra situação, com a qual, agora, já me acostumei, foi quando fui chamada pela primeira vez, de “rapariga”, o que, ao contrário do sentido pejorativo que temos no Brasil, aqui significa “moça, mulher”. Uma das ocasiões que jamais me esquecerei e ainda dou muita risada, é quando eu ligo para alguém e essa pessoa me atende com um “Tô sim”, no lugar de “Alô”. Até eu aprender que não é ônibus, é autocarro; que não é trem, é comboio; que não é “meia” é seis; e que café da manhã é “pequeno almoço”, eu passei muita vergonha. Foram vários foras e diversas risadas, mas que tornaram e, ainda tornam, os meus dias mais leves.

Dentre as inúmeras situações engraçadas, há também a hora do desespero, de querer rever sua família, seus amigos, conhecidos, amores e até das pessoas que não gostávamos muito, a gente acaba sentindo falta. Parece clichê, mas tudo vira um turbilhão e é quando a vida nos obriga a sermos fortes e resistentes. Quando estamos longe, é o momento em que percebemos que poderíamos ter abraçado mais as pessoas que ficaram do outro lado, que deveríamos ter saboreado melhor aquela comidinha de mãe, feita com todo carinho. É quando a gente tem certeza de que poderíamos ter levantado naquela tarde de domingo, cheia de preguiça, e ter convidado um amigo para jogar conversa fora, andando pelos jardins da cidade. Tudo isso se torna completamente importante, quando não as temos mais. E é a hora em que aquele ditado popular se faz verdadeiro: “A gente só dá valor quando perde”.

Apesar de toda a saudade, pensar que este é mais um orgulho que darei aos meus entes queridos, é o que me faz aguentar firme e passar por qualquer dificuldade, com a cabeça erguida. Eu não estou aqui apenas por realização pessoal, mas vim com coração e a alma abertos, para voltar cheia de novas experiências e aprendizados. O intuito da vida é sempre dividir isso tudo! Lisboa é o meu novo amor, mas o Brasil, ah sim, este é insubstituível.

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